Mente afiada. Senso crítico. Soco de realidade.

Cena do filme “O substituto”

Que imensa diferença um bom professor fez na minha vida. Espero que você tenha tido essa sorte também. Mas se não teve, sempre podemos ir atrás do conhecimento e desenvolver o senso crítico.

Reflexões ao Volante: “Algumas pessoas não se conformam ao padrão”

Existe uma estrutura moldada na sociedade que estabelece os padrões de comportamento, impinge a base econômica, sanciona certas reações individuais permitidas, castra determinados laços afetivos, premia alguns vínculos sociais, determina a fronteira da saúde, seleciona aqueles com legitimidade para o discurso (qualquer discurso)  e pune outros que se estabelecem contra a normatividade estabelecida.

O que adotamos como posições ou opiniões individuais, em sua maioria, são opiniões socialmente estabelecidas por estruturas de premiação do status quo e castração de comportamentos não sancionados. Chamamos os mesmos de Tradição e, não raro, adotamos  os ditames da cultura sem qualquer senso crítico e taxamos de “anormal” qualquer tentativa de questionamento.

Quando estabelecemos a linha arbitrária no tempo do surgimento do indivíduo, já estava ele inserido em um corpo social com regras, sanções e hierarquia; quando individualmente colamos ao longo dos anos a  cacofonia de informações do ambiente para formar nossas próprias opiniões, somos informados por construções e discursos pré-existentes. Assim, podemos sempre afirmar com convicção que a sociedade e a opinião pública são sempre lógica e cronologicamente anteriores ao sujeito e à sua opinião individual, moldando-o e punindo-o quando não conforme com o requerido no modo automático.

É necessário viver com os olhos abertos.

–  Manuel Sanchez

Introdução ao pensamento de Schopenhauer

Schopenhauer traz para a filosofia uma riqueza de pensamento que irá desaguar em outros pensadores fundamentais do fim do século XIX e XX como Nietzsche e Freud.

Afastando-se do pensamento Kantiano e deontológico clássico que coloca o ser humano como uma criatura racional, lógica e que ultrapassa suas paixões e desejos analisando as consequencias e valorando seus deveres, Schopenhauer vê o homem como um ser atrelado aos seus afetos e que é movido por uma vontade de viver arbitrária e que se afasta da razão fria.

De forma trágica, Schopenhauer postula um  mundo sem sentido, onde somos marcados por nossos desejos, ansiamos pelo que não temos e estamos sempre perseguindo desejos que fogem. Schopenhauer não tem dúvidas de que isso nos causará frustrações , dores e traumas: motivo pelo qual Schopenhaeur é considerado um grande pessimista na filosofia. Nossa existência não se baseia em transcendências e nem tem base no sentido de dever Kantiano, sendo apenas uma constante dinâmica de afetos – mais ao estilo espinozano.

As linhas gerais de Schopenhauer irão repercutir em Nietzsche, Freud, Sartre e outros pensadores que negam o racionalismo como essência humana e postulam que nossa consciência é apenas uma parte ínfima de nossa psiquê, mergulhada em desejos e vontades que muitas vezes nos são negadas. A dor dessa negação pode nos levar a uma compaixão pelos demais seres humanos, já que eles também devem sofrer as mesmas frustrações pelas negativas e surras que a vida nos impõe a todos. Assim, o fundamento da moral Schopenhauriana vai ser depositada na compaixão; não havendo sentidos maiores na vida além daquele que nós próprios construímos.

Abaixo seguem alguns pequenos vídeos para os que desejarem conhecer mais.