A fluidez do ‘mundo líquido’ de Zygmunt Bauman

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Explicando os Conceitos: O Mito da caverna de Platão

O mito da caverna é uma passagem clássica da história da Filosofia, sendo parte constituinte do livro VI de “A República” onde Platão discute sobre teoria do conhecimento, linguagem e educação na formação de seu Estado ideal, que tem algumas conotações totalitárias em alguns aspectos.

A narrativa expressa a imagem de prisioneiros que desde o nascimento são acorrentados no interior de uma caverna de modo que olhem somente para uma parede iluminada por uma fogueira. Essa, ilumina um palco onde estátuas dos seres como homem, planta, animais etc. são manipuladas, como que representando o cotidiano desses seres. No entanto, as sombras das estátuas são projetadas na parede, sendo a única imagem que aqueles prisioneiros conseguem enxergar. Com o correr do tempo, os homens dão nomes a essas sombras (tal como nós damos às coisas) e também à regularidade de aparições destas. Os prisioneiros fazem, inclusive, torneios para se gabarem, se vangloriarem a quem acertar as corretas denominações e regularidades.

Um destes prisioneiros sai das amarras e vasculha o interior da caverna. Ele percebe o que permitia a visão era a fogueira e que na verdade, os seres reais eram as estátuas e não as sombras. Passou a vida inteira julgando apenas sombras e ilusões, desconhecendo a verdade. Posteriormente esse mesmo prisioneiro sai da própria caverna. Ao sair, a luz do sol ofusca sua visão imediatamente e só depois de muito habituar-se com a nova realidade, pode enxergar as maravilhas dos seres fora da caverna.

Não demora a perceber que aqueles seres tinham mais qualidades do que as sombras e as estátuas. Observa que o Sol é a fonte da luz e envergonha-se da simples fogueira do interior da caverna.

img_como_e_o_mito_da_caverna_5379_origMaravilhado com esse novo mundo e com o conhecimento que então passara a ter da realidade, esse ex-prisioneiro lembra-se de seus antigos amigos no interior da caverna e da vida que lá levavam.  Desce à caverna para lhes contar o novo mundo que descobriu. No entanto, como os ainda prisioneiros não conseguem vislumbrar senão a realidade que presenciam, debocham de seu colega liberto, dizendo-lhe que está louco e o ameaçam de morte caso não cessasse suas loucuras.

Com essa alegaria, Platão quis mostrar que os prisioneiros somos nós. A caverna é o mundo ao nosso redor, físico, sensível em que as imagens prevalecem sobre os conceitos, formando em nós opiniões por vezes errôneas e equivocadas. Quando começamos a descobrir a verdade, temos dificuldade para entender e apanhar o real (ofuscamento da visão ao sair da caverna) e para isso, precisamos nos esforçar, estudar, aprender, querer saber.

O mundo fora da caverna representa o mundo real, que para Platão é o mundo inteligível por possuir Formas ou Ideias que guardam consigo uma identidade indestrutível e imóvel, galgada apenas pelo intelecto e pela filosofia.  A descida de retorno à caverna é a vontade ou a obrigação moral que o homem esclarecido tem de ajudar os seus semelhantes a saírem do mundo da ignorância e do mal. Mas cuidado, nem todos irão compreender ou mesmo aceitar esse doação e aquele que se dispõem a isso poderá ouvir apenas impropérios e mesmo ameaças.

E se você continua interessado no assunto, leia também esse link com a visão de José Saramago sobre o mito da caverna e como o filme Matrix fez também uma referência direta.

Anotações órficas: criaturas de hábitos

Não existe atalho na vida e nem segredo revelado por guru. 

Se quiser progredir em qualquer coisa tem que ir lá e fazer a mesma coisa e repetir repetir repetir até ficar perfeito. Muitas vezes será tedioso e solitário. Os resultados expressivos demoram a aparecer e você vai ter a impressão de que não está saindo do lugar.

Quer melhorar de saúde, treine todo dia. Quer maestria em um instrumento, treine todo dia. Quer aumentar o patrimônio, corte gastos supérfluos e invista sempre de pouquinho em pouquinho em bens de valor a cada renda auferida. Quer aquela profissão tão almejada, estude e se credencie dia a dia. Quer manter um relacionamento sério e sadio, cuide dele todo dia e não apenas nos aniversários e dia dos namorados. Parece uma coisa tola, simples. E por isso mesmo é tão negligenciada. 

Progresso vem de atos do hábito. Do treinamento. Do cuidado diário. O talento invariavelmente amadurece no exercício. E o esforço e a prática ensinam para os diligentes sem o talento natural. Hábito. Exercício. Cuidado diário. Paciência. 

Foque no processo. O resultado é uma consequência. Foque no processo e esqueça se os passos estão sendo pequenos ou largos. Foque no processo e não se importe com as opiniões alheias. 

A idéia de que haverá um segredo mágico, uma paulada vencedora, um atalho dos espertos é apenas um canto de sereia para afogar os incautos e os preguiçosos.

Normalmente os perseguidores de atalhos e crentes em soluções mágicas terminam com nada nas mãos, invariavelmente destruindo o que possuem e frequentemente com inveja e sem entender as conquistas das criaturas diárias do hábito.

– Manuel Sanchez, “Criaturas de Hábitos”

Papéis no palco

Lembre-se que você é um ator numa peça teatral, e que o autor escolheu a maneira que ela será encenada. Se ele a desejar curta , ela será curta , se a desejar longa , ela será longa.
Se ele quer que você encene um homem pobre , você deve encenar o seu papel com todo o seu talento; da mesma maneira com o papel do aleijado ou do magistrado. O que lhe compete na vida é encenar o papel que lhe foi dado. E bem. A escolha do elenco pertence a Outro.
– Epicteto, “Manual para a vida”

O mundo inteiro é um palco,
E todos os homens e mulheres são meros atores:
Eles têm suas saídas e suas entradas;
E um homem cumpre em seu tempo muitos papéis.
– Shakespeare, “Como gostais”