Eu sei exatamente o que pedir ao Papai Noel

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Poesia na Vida: Embriaga-te

Embriaga-te
Deve-se estar sempre bêbado. Está tudo aí: é a única questão. A fim de não se sentir o fardo horrível do Tempo que parte tuas espáduas e te dobra sobre a terra, é preciso te embriagares sem trégua.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a teu gosto. Mas embriaga-te.
E se alguma vez, sobre os degraus de um palácio, sobre a verde relva de uma vala, na sombria solidão de teu quarto, tu acordas com a embriaguez já minorada ou finda, peça ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo aquilo que foge, a tudo aquilo que geme, a tudo aquilo que gira, a tudo aquilo que canta, a tudo aquilo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio, te responderão: “É a hora de se embriagar! Para não ser como os escravos martirizados no Tempo, embriaga-te; embriaga-te sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, a teu gosto.”

Charles Baudelaire

A vida e obra de  Sêneca (resumo com animação)

Um dos filósofos da antiguidade mais interessantes em minha opinião foi Sêneca. 

Através de seus livros e cartas sobre o pensamento da escola estóica, Sêneca nos advertia sobre os riscos da ira, da falta de autocontrole e dos excessos de uma vida levada sem reflexão. 

Sua filosofia fincava-se em atitudes práticas, analisando qual deveriam ser nossas reações e atitudes frente às adversidades e dificuldades da vida.

Crítica de Cinema: Os Últimos Jedi (COM ZILHÕES DE SPOILERS!!!)

 

O mais recente filme da saga Star Wars chegou aos cinemas e como devoto da religião Jedi fui prestar minhas homenagens.

Saí do cinema com uma sensação muito boa, apesar dos inúmeros “poréns” que tenho com a nova trilogia desde “O Despertar da Força”. Vou começar falando de tudo o que gostei e por fim expor, o que para mim, foram os pontos fracos do filme.

A fotografia do filme é linda! Acredito que é o filme mais bonito da franquia. Existem cenas que são verdadeiros shows de enquadramento e preparam o espectador para o desenlace de cenas brilhantemente construídas do ponto de vista técnico.

A angústia com a cena muda de Luke Skywalker no último “O Despertar da Força” foi mais do que compensada com a melhor interpretação de Mark Hamill como Luke Skaywalker em todos os filmes.

Temos um Jedi traumatizado pelos fracassos do passado, fechado para a Força, cínico em relação à herança dos Jedi, mas que se vê novamente colocado em uma última missão para confrontar seus fantasmas.

O desfecho de Luke Skywalker não pode ser descrito como nada menos do que épico. Desde a nostalgia de assistir a cena clássica de “Uma Nova Esperança”  a partir da presença de R2D2, à sensibilidade da despedida de sua irmã até o confronto ao melhor estilo western contra as tropas da Primeira Ordem… tudo é feito com imenso respeito ao legado do personagem. E ainda assistimos ao retorno do Mestre Yoda em sua última lição para o pupilo Luke, como de fato foi idealizado (em boneco, sem CGI). Perfeito é pouco.

Não vou esconder, deu vontade de chorar em todo o terceiro ato do filme.

O personagem de Kylo Ren finalmente ganha uma dimensão de vilão da história. Claramente amadurecido, disposto a arriscar em busca da realização de seus planos, sem receio de tomar o poder quando a oportunidade surge; o personagem em NADA lembra o Kylo Ren mimado, fraco e sem presença de “O Despertar da Força”. Com a morte de Snoke, Kylo Ren surge como a ameaça definitiva na última parte da trilogia e com uma proposta nova, de reescrever a história sem o peso das heranças Sith, Jedi etc…

Todos os personagens principais possuem um bom tempo de tela. Poe Dameron aparece como o líder em formação da escassa célula Rebelde que resta ao final do filme, Finn tem bons momentos em sua side quest no Casino e Rey deixa de ser a menina perdida para colocar-se como a heroína da franquia.

Até mesmo os personagens falecidos como Han Solo e Darth Vader estão presentes no filme em diálogos apropriados e inseridos nos momentos certos.

A moral da história neste filme seria: aprenda com seus erros e fracassos. Nenhum dos arcos narrativos tem sucesso ao longo do filme inteiro. Luke é atormentado pelo seu fracasso como mestre no novo templo Jedi, Finn falha flagorosamente em sua missão de desligar o rastreador da nave da Primeira Ordem, Poe erra no cálculo para fazer um motim entre os rebeldes, Rey se equivoca ao achar que pode trazer Kaylo Ren para o lado dos bons e Kaylo erra ao  acreditar que teria Rey ao seu lado e com isso conseguir uma arma eficaz contra os rebeldes.

Todos tomam decisões equivocadas ao longo do filme inteiro. Como nos lembra mestre Yoda: o melhor professor,  o fracasso é.

Mas……

Nem tudo são flores. Existem pontos que realmente são irritantes e enfraquecem o filme.

O problema Snoke. O grande líder da Primeira Ordem apresentado no filme anterior e que finalmente mereceu cenas de destaque no presente filme MORRE sem qualquer tipo de explicação.

A franquia apresenta um possível Lorde Sith com a capacidade de reerguer um novo Império, unir mentes pela galáxia, usar seus poderes do Lado Negro  mesmo através de hologramas e mata o personagem de forma ridícula e sem explicar rigirosamente NADA. Nada. Nada. Sequer um flashback. Sequer um diálogo entre outros personagens explicando quem era Snoke e de onde surgiu a capacidade de criar a Primeira Ordem sobre o legado do antigo Império. Nada.

Eu entendo que o universo expandido em livros e quadrinhos irá preencher essa lacuna, mas um filme precisa ter ao menos uma base para ser preenchida pela imaginação do espectador. Quando tinhamos apenas os episódios 4, 5 e 6 nós sabíamos que Obi-Wan fora um Jedi importante no passado, sabíamos que um dia havia existido uma República e que ela caiu sendo ocupada pelo Império, sabíamos que houve um Jedi traidor e depois soubemos que era o próprio Vader. Os detalhes não existiam. Mas a premissa para dar sentido à história estava ali. Nada disto existe na presença de Snoke. Ele entra na história para ser descartável e vender bonequinhos …

E por fim, a própria heroína Rey. Não me importo em saber quem foram os seus pais, porque ela pode possuir o dom da Força como a primeira de sua linhagem e isso seria muito melhor, em minha opinião, já que uma das coisas irritantes em Star Wars é sua fixação em linhagens.

Mas desde ” O despertar da Força” a personagem é apresentada como uma suprema herdeira da Força, sem qualquer explicação. Rey nunca teve qualquer treinamento Jedi. E mesmo assim derrotou Kylo Ren em combate no filme anterior, exerce o controle da Força sem dificuldades, enfrentou junto com Kylo Ren aos guerreiros de Snoke e derrotaram ao próprio em combate… sem treinamento!

E não venham falar que o Luke auxiliou em alguma coisa porque ele apenas a sentou sobre uma pedra e fez um discurso sobre a Força. Não houve treinamento. Nem sequer o supletivo que o próprio Luke Skywalker fez com o mestre Yoda em Dagoba.

Talvez agora, uma vez que a Rey roubou os livros sagrados Jedi da ilha de Ahch-to, ela estude e realize os exercícios de treinamento… mas mesmo assim ficou claro que criaram uma personagem dificil de conter.

A side Quest do Finn termina com a inserção de um Deus Ex Machina com uma improbabilidade desnecessária. Ele vai ao Casino para encontrar o decodificador/hacker para conseguir entrar no Cruzador da Primeira Ordem. Falha miseravelmente  e acaba preso em uma cela com quem???? Com outro decodoficador/hacker. Conseguem fugir graças ao decodificador. Encurralado em fuga é salvo por quem??? Pelo decodificador. E que aparece em uma nave roubada. Tudo jogado, sem lógica e sentido. Se era para fazer isso, com um personagem caído de para-quedas para salvar o Finn e a missão, em um planeta Casino, repleto de jogadores e comerciantes de armas… por que não fazer o retorno de Lando Calrissian? Ele seria perfeito no cenário e teria uma motivação para auxiliar o Finn já que de alguma forma estaria ajudando seus antigos colegas de Rebelião.

A personagem da comandante Phasma, mais uma vez, decepciona. Inútil na história e com relevância apenas para vender belos bonequinhos cromados no merchandising.

Essas falhas são gritantes na nova trilogia. Mas são bons filmes, divertem. Rever Luke e Yoda… não tem preço. O confronto final foi épico.

Mas poderiam consertar diversos pontos no próximo e derradeiro filme.

Que a Força esteja com Você. Sempre.

  • Manuel Sanchez