Dinheiro como Dívida: o Mundo da Matrix e o Sistema de Reserva Fracionada


 

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Você acha que sabe o que é o dinheiro? Você sabe quem cria o dinheiro? Entende por que os bancos são os principais alvos de todos os programas de resgate estatais por todo o mundo, pouco importa se o governo é de direita ou esquerda?

Respire fundo e prepare-se porque a maior parte das pessoas tem uma visão totalmente equivocada das respostas acima.

 

GOVERNOS SALVANDO BANCOS E OS PROTESTOS NAS RUAS

Acompanhando o noticiário nacional e internacional há bastante tempo, vejo sempre as mesmas notícias sobre a intervenção dos governos para salvar o sistema bancário de seus países, as enormes quantias que são retiradas do Poder Público (e por consequência, da população) para serem transferidas para instituições financeiras titânicas, a consequente revolta popular, os confrontos nas ruas, arrochos etc..

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Também gosto de ler os manifestos na Internet, desde os papéis dos ‘Indignados” da Espanha aos panfletos do grupo “Occupy Wallstreet” dos EUA: sempre com ataques ao “Sistema” mas sem explicar às pessoas quais são as roldanas e polias de funcionamento do “sistema” que tanto atacam.

Existe um motivo econômico palpável para a ação desesperada dos governos na salvação dos bancos mundo a fora.

Não é retoricamente empolgante, mas é uma verdade que absolutamente a maior parte das pessoas ignora de forma total os motivos destas ações.

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E a verdade se coloca a luz do dia, à mostra para ser estudada e compreendida por qualquer um que tenha disposição. Parece uma cabala, mas o maior segredo é aquele que é colocado às claras. Não é nenhum tipo de conspiração, nem de golpe das elites… simplesmente tem haver com a criação do dinheiro e de como caímos nessa arapuca.

 

A HISTÓRIA DO DINHEIRO

O cerne da resposta passa pela questão: de onde vem o dinheiro? Como ele é criado? Sem a compreensão deste fenômeno podemos nos digladiar verbalmente sobre a ajuda econômica a bancos de força planetária, mas não vamos chegar a uma resposta objetiva.

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Na minha opinião, é o maior sistema de controle psicológico de massas já inventado.  De forma resumida, para efeitos de um simples blog, podemos colocar as coisas da seguinte maneira.

Dinheiro é qualquer meio de troca aceito pela sociedade para mediar as transferências entre a produção e o consumo. A humanidade já usou diversos objetos como dinheiro: conchas, sal, animais, pedras polidas etc… Em determinado momento, ouro e prata se tornaram as ferramentas preferidas para a realização da mediação entre as pessoas e reinos.

Em uma fase posterior, quando os Estados Nacionais já estavam estruturados, de forma a controlar a economia e a disponibilidade financeira para consumo e crédito, as reservas de ouro/prata passaram a ser mantidas pelos governos; que emitiam papel moeda lastreado nas reservas possuídas dos metais.

As pessoas associavam que o papel moeda em suas mãos poderia a qualquer tempo ser trocado pela quantidade equivalente em ouro/prata dos cofres públicos.

Com o avanço da sociedade capitalista e industrial, os bancos privados vieram se juntar ou mesmo se agigantar em relação aos bancos públicos em diversos países e foram se tornando o centro das trocas econômicas da sociedade; o verdadeiro motor do crédito e investimento, a base da expansão econômica.

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A ideia mestre de que o dinheiro em circulação se lastreava nos metais em guarda pelo Estado, contudo, se mantinha.

Por comodidade, por segurança, todos nós nos acostumamos a bancarizar progressivamente nossas vidas.

Levamos nossas economias para serem guardadas em bancos, acreditando que a qualquer momento podemos retirar esse depósito e usá-lo.

Quase todas as pessoas acreditam que o dinheiro é criado unicamente pela Casa da Moeda, com autorização e lastro Estatal, entrando em circulação. Fazemos os depósitos da quantia de dinheiro que nos cabe nos bancos e que as instituições financeiras irão realizar empréstimos a terceiros com esse dinheiro. Assim movimenta-se a economia.

Essa é a verdade aceita por 99% das pessoas.

Nesse exemplo, bem simples, TODO o dinheiro em circulação vem da criação do estado. Os bancos seriam intermediários sem poder de criação financeira; atuariam apenas como agentes de custódia e fonte de empréstimos.

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Nada mais longe da realidade.

Agora vem o segredo da cabala…..

Preparado?

 

O DINHEIRO DO MUNDO É QUASE TODO VIRTUAL

A maior parte do dinheiro em circulação não existe fisicamente e é criada pelos bancos (não pelo Estado) através do fenômeno que na teoria monetária é descrito como  sistema de reserva fracionada.

O sistema de reserva fracionada veio sendo gestado desde a origem dos primeiros bancos modernos, em pequena escala, mas definitivamente entrou em escala planetária no séc. XX.

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Não existe país moderno que não o utilize como base do sistema bancário, havendo acordos e tratados internacionais que regulamentam suas premissas básicas.

Em primeiro lugar, temos que entender que o dinheiro não se estrutura mais em lastro metálico.

O dinheiro moderno é fiduciário, ou seja, baseado na confiança da sociedade nas leis do Estado que determinam que aquele dinheiro é legítimo e que tem curso forçado, não se de podendo negá-lo como meio de troca e fonte de pagamento.

Uma parte pequena do dinheiro em circulação existe fisicamente, em notas ou moedas, impressas ou cunhadas pela instituição determinada pelo Estado (Casa da Moeda). Mas é apenas uma pequena parte.

Nos EUA, estima-se que apenas 5% do dinheiro circulante é físico (notas e moedas) e criado por órgãos estatais. Ou seja, 95% da massa do dinheiro em circulação é meramente virtual ou contábil e criada pelos bancos. Os valores no Brasil não são muito diferentes.

 

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MAS COMO OS BANCOS CRIAM O DINHEIRO ?

O sistema de reserva fracionada é o método pelo qual os atores do sistema bancário/financeiro podem legalmente emprestar um numero X de vezes do dinheiro fisicamente existente em caixa nas instituições.

O limite da permissão de gerar novo dinheiro a partir de reservas que efetivamente já existam em caixa é variável de país para país e também pode ser modificado pelo governo ao longo do tempo, dependendo de razões de política econômica e de uma intenção de expandir ou restringir o crédito.

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Por exemplo: em um determinado país que utilize a razão 9 : 1 estipulada em suas leis de regramento do sistema de reserva fracionada, se o banco possui em caixa efetivamente $ 1 bilhão; então ele pode EMPRESTAR $ 9 bilhões.

Esses $ 9 bilhões que o banco possui permissão legal para emprestar, em princípio não existem fisicamente.

Eles são criados pelo banco – virtualmente do ar – quando alguém deseja realizar um empréstimo.

Eles passam a existir no mundo contábil e financeiro, mas não necessariamente como papel moeda uma vez que as pessoas utilizam-se de outras formas de transferência de valores (cheques, promissórias, cartões magnéticos, transferências eletrônicas etc).

Ou seja, a partir de uma quantia pequena efetivamente em depósito no banco; quando alguém toma um crédito (isto é,  faz uma dívida) neste banco, o banco passa a ter autorização legal para CRIAR DINHEIRO, aumentando a base financeira do país.

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Em um sistema em que o dinheiro é criado a partir da dívida assumida,

o limite de dinheiro em circulação é determinado pela pujança do

mercado de tomadores e pela expansão do crédito;

ou seja, pela criação de novas dívidas junto às instituições financeiras.

 

A cada empréstimo, os bancos passam a ter autorização legal de gerar mais dinheiro em sua contabilidade financeira. Dinheiro – repito –  que não existe como papel físico, mas apenas como anotação virtual nos livros/sistema eletrônicos.

A medida que os empréstimos são pagos, realiza-se a atividade contábil de retirar essa quantidade da massa de dinheiro circulante na economia. Desta forma, para manter a atividade de geração e expansão da massa monetária torna-se necessário o fortalecimento do sistema de crédito do país; ou em outras palavras, a criação de novas dívidas e a bancarização exponencial da economia.

Em resumo:

bancos não emprestam dinheiro pré-existente em seus depósitos,

na verdade eles CRIAM dinheiro a partir de dívidas tomadas

por devedores em suas agências.

Assim, não existe limite para a criação de dinheiro:

a cada dívida, novo dinheiro é criado.

 

Em compensação, a verdade também funciona no sentido inverso: sem que pessoas e empresas fiquem endividadas, não existe criação de dinheiro. O suprimento de dinheiro depende da constante renovação do crédito bancário.

Ou em outras palavras:

o suprimento de dinheiro novo depende que as pessoas

e empresas estejam sempre se endividando.

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ISTO É O “SISTEMA”!

Em um mundo em que mais de 90% do dinheiro em circulação não existe fisicamente mas é mera criação virtual dos bancos (públicos e privados), baseado exclusivamente na assunção de dívidas; torna-se crucial para a saúde do sistema que os bancos estejam constantemente irrigados e que possuam toda a ajuda governamental possível.

Essa é a arapuca: se um grande banco nacional ou internacional afunda, corre-se o risco de detonar uma corrida bancária onde todos – com medo de seu banco ser o próximo –  rapidamente pedirem o saque de suas quantias depositadas.

Mas simplesmente não existe dinheiro (fisicamente falando, notas e moedas) que corresponda aos valores virtualmente anotados nas contas de cada um de nós.

Vamos repetir: não existe dinheiro físico suficiente

para igualar os valores virtualmente existentes

nos sistemas eletrônicos bancários.

 

Ou seja, as pessoas e empresas simplesmente não vão receber seu dinheiro. Multiplique esse desastre por dezenas ou centenas de bancos de um país. Agora multiplique esse apocalipse financeiro por todo o globo, uma vez que vivemos em um mundo os bancos e bolsas de valores se conectam umbilicalmente e que o pânico se espalha pelo mundo em questão de minutos.

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Esta é a arapuca.

Acreditamos no valor de um dinheiro que não tem lastro real, apenas fiduciário, baseado na palavra/leis do governo.

A parte majoritária do dinheiro é criada não pelo estado, mas pelos bancos (com autorização legal), a partir do momento em que as pessoas tomam dívidas junto a estes bancos.

E assim, os bancos se tornam a peça fundamental na estruturação de todo o tecido da sociedade.  

Neste mundo que criamos, dinheiro é igual a dívida. E são as dívidas que movem a economia capitalista mundial uma vez que a cada dívida, autoriza-se a criação de dinheiro novo.

Bem vindo à Matrix!

O mundo é bem mais complicado do que você imagina.

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Autor: Manuel Sanchez

Leitor compulsivo, amante das viagens e da boa mesa. Sou um sujeito que acredita no charme da simplicidade, que riqueza é ter tempo e que se esforça para passar longe da vulgaridade.

3 comentários em “Dinheiro como Dívida: o Mundo da Matrix e o Sistema de Reserva Fracionada”

    1. Ola Antônio,

      O dinheiro físico depositado no banco circula normalmente. Você deposita, outro realiza o saque. Quem cria o dinheiro físico é apenas a Casa da Moeda, com permissão estatal. O que gera a permissão para o aumento do dinheiro circulante (nesse caso virtual) é o fato do banco realizar um empréstimo.

      Curtir

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