Dédalo e Ícaro, o vôo fatal


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Pai e filho representam o desejo do homem em superar as limitações físicas, através da genialidade criativa do homem, gerando os alicerces da tecnologia evolutiva, emprestando ao mortal o poder de ir e de vir com ajudas inventadas por ele, desafiando os deuses através da sua mente inventiva.

Dédalo é o artista criador, o engenheiro e o arquiteto, que é obrigado a emprestar a sua obra inventiva aos reis aos quais serve, limitando a liberdade da sua arte. É o gênio de intelecto imodesto, de vaidade inesgotável, que não suporta quando se vê ultrapassado pelo discípulo e sobrinho Talo, assassinando-o friamente por causa da inveja.

Perseguido pelo crime, Dédalo inicia uma jornada peregrina, fazendo-o escravo dos reis que o acolhe. O ego inflamado e ciumento do artista aprisiona a sua arte, agora a serviço dos que se lhe protegem a alma criminosa.

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Fugitivo e errante, Dédalo aporta em Creta, acolhido pelo soberano Minos. Será naquela ilha que desenvolverá, a mando do rei, a sua maior obra, o Labirinto, construído para aprisionar o Minotauro, ser monstruoso, com a cabeça de touro e corpo de homem.

Mas Dédalo será feito prisioneiro pelo rei, sendo encerrado ao lado do único filho, o ingênuo e sonhador Ícaro, no Labirinto.

A obra aprisiona o artista. Mas a arte é compulsiva e latente à essência do seu criador. A arte liberta! Dédalo não se deixa aprisionar. Dentro do Labirinto, compõe a mais ousada das criações: as asas que se lhe permitem a fuga, a liberdade, o poder do homem voar como as aves e como os deuses.

Dédalo chega ao limiar da sua mente criativa. Junto do filho, Ícaro, voa para o céu, fugindo da prisão do Labirinto, da submissão da sua obra às necessidades de um rei tirano.

Se Dédalo é a mente criativa, Ícaro é a liberdade sonhadora. É o homem asfixiado nas limitações da liberdade saciada. Ao se ver livre, a voar como um pássaro, a percorrer um céu ilimitado, voa, apesar das advertências do pai, cada vez mais alto, rumo ao infinito dos sonhos, aos limites do homem, às proximidades dos deuses. Voa, sem pensar jamais na queda. A sensação do vôo apaga a dor fatal da queda.

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E Ícaro, ao ter a cera que prende as penas das suas asas derretidas pelo calor do sol, flutua numa queda mortal, caindo nas profundezas do mar

Ícaro sofre o castigo de não obedecer aos limites do caminho ao infinito dos sonhos.
Livre, Dédalo paga o preço da procura de liberdade da sua obra, a perda do seu único filho. Dédalo e Ícaro, a personificação do espírito da arte e do seu espaço.

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