Crônicas e Afins : Sobre cavernas e grades


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Às vezes, eu me sinto um bicho. Preso dentro de uma jaula, arranhando o chão e batendo nas grades. Rosnando feito um imbecil. Um animal louco sem vontade de ser gentil. Mordendo ao menor sinal de carinho. Transmitindo raiva. Querendo apenas que o mundo se afaste. Sinto falta da caverna. Só vejo a jaula ao meu redor.

Olho para os lados e não vejo o carcereiro. Estamos todos assim, aprisionados por nós mesmos? Vigiados apenas pelos fantasmas da mente. Culpados pelo sofrimento que ainda vamos causar. Então não existe vigia. O segredo é este; a maldição também: somos apenas nós e nossas  circunstâncias. Não existe Ninguém lá em cima para nos  ajudar. Nem nos guiar ou perdoar. 

Somos observados apenas  pelas nossas promessas e juras. Talvez tenhamos que quebrar todos os votos. Romper todas as censuras, arrancar todos os freios.

Sinto sua falta. Derramo mais um pouco de bebida  no copo e apago a luz. O tesão me consome e sei que está na hora de ir à caça. Aumento a música para abafar os pensamentos. Estou em casa. Arranhando o chão. Os desejos gritam.

Monto e desmonto a pistola. Repetidamente. Penso em Hemingway. Penso em Cobain. Touradas e lítio. Sinto falta do sol. Penso na caverna. Mas estou apenas batendo nas grades.

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Manuel Sanchez, sobre cavernas e grades

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