Crônicas e Afins: No Hálito da Vida, Sob os Olhos da Morte


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No Hálito da Vida, Sob os Olhos da Morte.

(por Manuel Sanchez)

Então estamos aqui, juntos.

Cada qual em sua jornada, sozinhos em suas apreensões; mas solidários em nossos abraços. Vivemos a alegria de cada momento, extasiados pelo brilho de tanto gozo; inseguros pelo medo da morte. Saudosos pelos momentos que deixamos para trás. Calando o temor de não termos tempo suficiente. Criando algo que nos projete quando nos formos. Buscando uma voz.

Nessa dança que nos contagia, verteremos todos os cálices. Nessa oração pelos nossos corpos, mergulharemos nesse mar de prazeres. Aconchegue-se em meu templo. Sinta minha benção nos meus beijos. Deixe que eu inunde o seu corpo com o meu e juntos procuremos um sentido. Criaremos o nosso.     

Antes, eu olhava o futuro e ele parecia tão distante. Hoje, eu me vejo no meio do caminho. O horizonte se aproxima. Existirão nuvens de tempestade, chuva fina, brisa, raios ou trovões? Se bebo para amenizar o medo, também é certo que ele faz companhia. Mas que venha. Que venham todos. A alma é larga. O ombro é forte.  

Existem sinos que nos avisam. Placas que doutrinam. Púlpitos que castram. Algemas que nos prendem. Chicotes de preconceito. Eles tentam nos tirar a espontaneidade. São os arautos da morte que nos querem em decomposição ainda em vida. Sabotadores. Os piores habitam dentro de nós. E conversamos todos os dias.

Estamos sempre sob os olhos opacos da morte. Nas garras do tempo que se afiam desgastando nossos corpos. Mas não tema, diz a garrafa que se esvazia. Lembre-se que também somos bafejados pelo hálito da vida. E os orgasmos da vida são os melhores de todas as amantes.  

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Crônica “No hálito da vida, sob os olhos da morte” , de Manuel Sanchez

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2 comentários em “Crônicas e Afins: No Hálito da Vida, Sob os Olhos da Morte

  1. Oi Manuel, acabei ontem de ler o livro Gestos Finais de Maggie Callanan e Patricia Kelley, muito tocante as várias histórias dessas duas enfermeiras que citam a consciência da aproximação da morte dos vários pacientes com os quais trabalharam e agora leio seu texto, você apontou bem o que nos incomoda…temor de não termos tempo… no meio do caminho… sinos que nos avisam… Essa vida é puro mistério mesmo. Um abraço, Ana

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