Crônicas e Afins: Quando Sufoca


BNlJpi3CcAAJmmaÀs vezes, sufoca. E talvez você já tenha passado por isso. Por muito tempo eu tentei caminhar nas duas trilhas. Do fundo da alma, eu queria as duas. Amava as duas. Confiava nas duas. Mas claro que não fui honesto com as duas. Uma sofria desconfiada. Mas era poupada. E aquela que tudo sabia, também era aquela que sofria mais. Veia aberta.  Sangue escorrendo. Palavras que não são gritadas.

E isso sufoca. Eu sei que ela esperou. Calou. Amou. Mas em suas constantes cobranças tudo foi se erodindo. Dentro dela. Em mim também. E quando se entregava, o amor era forte demais. E ela cobrava. E chorava. E explodia. E vinham as brigas. As decepções. As acusações. E os encontros tornaram-se duelos. E isso sufoca.   

Havia muito desejo. Existe muito desejo. Nunca cessará esse incêndio de desejo. Em mim, arde e queimará sempre. Desejo que sufoca.

E eu bebo para tentar raciocinar. E bebo para tentar esquecer. E bebo para aguentar o afastamento imposto para que ela seja feliz. E bebo para lembrar e aguentar a dor da saudade.

Porque em mim queimará sempre.   

E o sempre é um sonho que sufoca.

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Crônica “Quando sufoca”, Manuel Sanchez

 

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