Crônicas e Afins: Retrato


anjo_caido[2]

Quando necessário, a violência me protege.

Eu escolho a paz. Minha primeira opção. O diálogo sempre abriu as melhores portas. Mas não nego a violência que existe em mim. E nem acho que ela seja ruim. Há espaço para o seu momento. E no seu momento a sua utilidade. Existem muitas vozes no meu sangue. Algumas atacam sem piedade. Não sufoco quando falam.

A violência me orienta.

Sou leal aos que estão ao meu lado. Aos que lutam junto comigo. Defendo minha tribo. Mas não guardo o chicote para os outros. Quando nos sitiam e cercam, preparo o óleo fervendo nas muralhas. E incendeio sem pena.

A violência me norteia.  

Sou fiel aos meus amores. E amo muito. E amo intensamente. Luto até o fim por eles. Me sacrifico. E me entrego. Me revelo para poucos. Mas que não me controlem. E nem vigiem. Porque o laço que une eu também corto. E não volto.

A violência me guia e me serve de alerta.

Não me abro para o mundo. Não quero conhecer pessoas. Não tento ser simpático.

Eu gosto de beber.  Gosto de correr de carro. Gosto de dormir agarrado. Gosto de sexo com raiva. Gosto de filmes simples e de livros profundos. Gosto de uma boa mesa. Preciso viajar. Gosto de andar sem destino certo pela cidade.

Eu me sento à mesa para conversar. Posso ser educado quando quero. Sou um homem de paz.

Mas quando necessário, a violência me protege.

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Crônica “Retrato” de Manuel Sanchez

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