Stanley Kubric e a questão da VIDA


stanley-kubrick-2Descobri que Stanley Kubric era um gênio quando assisti ao filme “2001 – Uma Odisséia no Espaço”.

A maneira delicada, genial e perfeita com que retratou a viagem espacial em pleno ano de 1968 (data do filme) ainda o faz um dos melhores filmes do gênero seja na fotografia, efeitos especiais e construção da narrativa.

Acredito que virei fã de Sci-Fi ali. Não a toa, o filme está no topo da lista do blog dos melhores filmes de sci-fi. 

Anos depois assisti a outros filmes desse diretor com fama de perfeccionista, temperamento difícil e intratabilidade com os atores: Laranja Mecânica, O Iluminado, Spartacus, Nascido para Matar… cada filme a que assistia era melhor que o anterior e em todos eles verificava a marca do gênio: um profundo estudo dos diversos lados do ser humano com suas neuras, medos, psicopatias, paixões, ilusões e um desejo ardente de deixar sua marca no mundo. Não canso de rever nenhum dos seus filmes.

StanleyKubrick

Stanley Kubric foi entrevistado pela revista Playboy americana em 1968 e quando perguntado se  apesar de sua total falta de sentido, a vida valia a pena,  o diretor traduziu em palavras o sentimento que perpassa em todos os filmes de sua obra. E todo esse post era para dividir com vocês esse pensamento.

A resposta de Kubric:

 ” A própria falta de sentido da vida força o homem a criar o seu próprio significado.

As crianças, é claro, começam a vida com um sentido imaculado de admiração, uma capacidade de sentir alegria total a algo tão simples como o verde de uma folha; mas à medida que envelhecem, a consciência da morte e da decadência começam a criar uma impressão em sua consciência e sutilmente a erodir a sua alegria de viver, seu idealismo – e sua suposição da imortalidade.

Enquanto uma criança amadurece, ela vê morte e dor em todos os lugares e começa a perder a fé na bondade suprema do homem. Mas se ele é razoavelmente forte – e sortudo – ele pode emergir deste crepúsculo da alma com um renascimento do élan da vida. Tanto por causa, e mesmo apesar, da sua consciência da falta de sentido da vida, ele pode forjar um novo senso de propósito e afirmação.

Ele pode não recuperar o mesmo sentimento puro de admiração com que ele nasceu, mas ele pode moldar algo muito mais duradouro e sustentável.

O fato mais terrível sobre o universo não é que ele é hostil, mas que é indiferente. Mas se podemos chegar a um acordo com esta indiferença e aceitar os desafios da vida dentro dos limites da morte – conquanto mutáveis o homem pode fazê-los ser – a nossa existência como espécie pode ter significado e realização genuínos. Quanto mais vasta a escuridão, devemos fornecer a nossa própria luz.”

 Perfeito!

2001

O iluminado

Nascido Para Matar

Laranja Mecânica

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