Crônicas e Afins: Bifurcações


10-mito-vinho-1Chegamos até esse ponto. A questão é saber que ponto é esse. Não é o mesmo para nós dois. Eu olho para seus olhos de esperança e sinto dor por saber o que farei com você. Digo para mim mesmo que você não merece. Mas o sentimento não tem nada a ver com merecimento.

Você me pergunta tantas vezes se estou feliz. Eu digo que sim. Balanço a cabeça e evito seus olhos. Sei que você me fita com olhos tristes de dúvida. Evito o momento. Coloco um sorriso para disfarçar. Dou um beijo para afastar seus pensamentos.

E você espera. E espera. E espera. No seu silêncio sem escândalos me oferece lealdade. E me entrega seu corpo. Sempre que eu quero. Afiança sua alma. Empenha seus sonhos.

E eu sei que vou destruir cada um deles. Com um martelo. Com uma dinamite. Com um pretexto.

Chegamos até esse ponto. Você me cobra uma decisão. Que eu fique e traga a minha lealdade, meu corpo, minha alma e junte os sonhos. Ou que eu parta de vez. E use o martelo, a dinamite. Sem pretextos.

Baco recolhendo os copos. Dionísio voltando da festa. Pan guardando a flauta. Cupido sem flechas na aljava.

E eu sem palavras.   

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Manuel Sanchez, “Bifurcações”

 

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