A civilização do espetáculo – Mario Vargas Llosa


 “Seria um enorme erro confundir o especialista com o homem culto. O especialista sabe muito de uma coisa e geralmente ignora todas as outras. O homem culto é um homem que não se deixa confinar pela especialidade, rompe e busca justamente a comunicação através das diferenças, as enormes diferenças que constituem a comunidade humana.

À cultura se atribui que, em algum momento da história, o indivíduo nasça, que se separe da massa agregadora da qual era apenas uma peça e que surja como um ser soberano, com direitos próprios, com deveres também, mas, sobretudo, com o direito à diferença. A ser ele e não uma mera reprodução, da comunidade, do conjunto, da coletividade.”

MARIO VARGAS LLOSA

 

Para o Nobel de Literatura, o conceito de cultura se estendeu tanto, que passou a abranger tudo. E, se a cultura é tudo, também já não é mais nada. Llosa aponta uma grande inversão: a cultura deveria ensinar o homem a se posicionar contra a conversão dos seres humanos em objetos. Deveria enriquecer nosso espírito crítico e sensibilidade, atribuindo profundidade às manifestações da vida, sejam elas políticas ou íntimas. Porém, argumenta, a cultura atual é uma grande diversão e isso tem um alto preço: um distanciamento que enxerga a cultura não enquanto aquilo que integra homem e vida, mas, pelo contrário, um local separado para escapar das servidões da vida.

(conferência de Mario Vargas Llosa no Fronteiras São Paulo, “A civilização do espetáculo”)

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