Machado de Assis e o dualismo platônico 


Machado de Assis tinha essa incrível habilidade de pegar conceitos sofisticados e transpô-los para contos ou passagens de suas novelas.

Neste trecho, o bruxo do Cosme Velho explica o dualismo platônico do corpo-alma com sua ironia fina.

-Manuel Sanchez 

“A idéia do Ezequiel Maia era achar um mecanismo que lhe permitisse rasgar o véu ou revestimento ilusório que dá o aspecto material às coisas. Ezequiel era idealista. Negava abertamente a existência dos corpos. Corpo era uma ilusão do espírito, necessária aos fins práticos da vida, mas despida da menor parcela de realidade. 

Em vão os amigos lhe ofereciam finas viandas, mulheres deleitosas, e lhe pediam que negasse, se podia, a realidade de tão excelentes coisas. Ele lastimava, comendo, a ilusão da comida; lastimava-se a si mesmo, quando tinha ante si os braços magníficos de uma senhora. 

Tudo concepção do espírito; nada era nada. 

Esse mesmo nome de Maia não o tomou ele, senão como um símbolo. Primitivamente, chamava-se Nóbrega; mas achou que os hindus celebram uma deusa, mãe das ilusões, a que dão o nome de Maia, e tanto bastou para que trocasse por ele o apelido de família.”

Machado de Assis, no conto “A idéia do Ezequiel Maia”

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