Crônicas e Afins: Em que momento o medo e a vulgaridade tornaram-se as normas?


No geral, sou um homem otimista. Mas às vezes, olho no meu entorno e realmente me deprimo.

A impressão que eu tenho é que seguimos em frente, sem rumo, sem controle e completamente entregues às traças em velocidade galopante para a vulgaridade e a estupidez. Soterrados pelo consumo sem freios. Apáticos para os sentimentos mais puros.

O medo virou norma.

frases-imagens-motivacao-faca-seus-medos-terem-medo-de-voceLentamente vamos nos fechando mais em condomínios, trancando as casas, levantando muros e grades e instalando cercas elétricas. Aposto que você mantém um relacionamento apenas protocolar com seus vizinhos. Aliás, você sabe quem são os seus vizinhos?

E na rua: quantas são as ruas ou bairros que você evita? Qual é a sua reação quando parado no trânsito?

A vulgaridade virou o padrão da igualdade.

Acredito que estamos nos dessensibilizando. O valor da leitura diminui, ser ignorante tornou-se sinal de distinção, o estudo é motivo de chacota. A música de apelo comercial tornou-se um emaranhado de grunhidos e rebolados; qualquer Arte sofisticada é considerada ultrapassada e elitista.

O estudo, a dedicação e o esforço são considerados perda de tempo pela maioria. O que vale é o ágil, rápido, de fácil assimilação e preferencialmente descartável. A máquina de triturar carne não para.

Em um mundo onde a relativização é a norma politicamente correta e qualquer lixo deve ser respeitado, tudo passa a ser  nivelado por baixo. Quanto mais setores, amplamente majoritários, se adequam à baixa qualidade e demandam apenas o fútil, é justamente isso que receberão dali em diante. Focados na idéia de que tudo deve ser sempre acessível para todos, o esforço para aprender e superar-se é diminuído. O resultado final é que tudo passa a ser simplório e fácil.

A política por sua vez vai caminhando para a irrelevância.

imagesComo manter a esperança nesta pasta insossa de dezenas de partidos de aluguel, políticos irrelevantes, escândalos em cascata e cansaço dos eleitores que votam como bois indo para o abate nas mãos de um pensamento reacionário?

Pior, qual o poder da política local pode solucionar problemas que tem sua origem em situações internacionais que em nada temos controle? O poder de fato – o de transformar uma situação de amplo alcance – quase sempre é econômico, transnacional, de imensa mobilidade e completamente impessoal. E normalmente é ele que condiciona o poder político para chancelar com ar de legitimidade as medidas que o interessam.

medo-de-mudarNo continente dos afetos não é diferente. Os relacionamentos vão se esgarçando e ganhando ares unicamente digitais.

Eu acho difícil entender essas amizades contadas em centenas no mundo digital com pessoas que não se vem, expõem intimidades, mergulham na irrelevância e se congratulam na efemeridade dos laços que se destroem ao sabor de um dislike ou de um bloqueio.

Robotizados. Mergulhados em consumo. Frios para sentimentos mais intensos. Infantis em relação a qualquer frustração da vida. Apavorados com a morte. Vulgares.

O que nossa sociedade está se tornando?

E como VOCÊ se coloca nessa transformação?

 

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Crônica “Em que momento o medo e a vulgaridade tornaram-se as normas?”, Manuel Sanchez

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