Computatio ergo sum


“Diabos…aqui diz – penso, logo existo”

Ando lendo bastante sobre inteligência artificial e a singularidade, i.e o momento em que criaremos uma máquina capaz não apenas de cálculos e conexões lógicas mas sim de verdadeira consciência.

Dizem que não estamos muito longe nas pesquisas a esse respeito, umas poucas décadas no máximo para algum centro de pesquisa atingir esse ponto. Já replicamos vida através de clonagem. Agora estamos em busca da criação artificial de consciência.

E qual seria o status de ditas máquinas no nosso meio? Continuaremos a usar máquinas conscientes como objetos? Iremos antromorfiza-las ou faremos questão de colocá-las em formas não humanas para criar a sensação de diferença? Fica mais fácil explorar uma máquina consciente se ela tem a forma humana ou não? E a própria máquina consciente teria percepção de que fazemos um uso utilitarista de sua criação? A nossa noção de percepção de vida e consciência passará por alguma modificação?  Surgirá algum direito das máquinas como temos o direito dos animais? E Por fim, as máquinas conscientes irão querer se livrar do jugo humano? A consciência poderia levar as máquinas na criação de uma ética própria? … elas conseguiriam dissimular isso caso fosse do seu interesse?

Pense no mundo que temos controlado por máquinas e algoritmos ligados nas bolsas de valores de todo o mundo , redes sociais com informações de bilhões de pessoas, programas de controle e logística para a distribuição de alimentos e o acesso a arsenais de armas de destruição em massa. Tudo passa por programas e máquinas. Agora imagine isso no controle de máquinas conscientes. Seriam submissas ou teriam uma moral diferente, excludente do componente humano. Criariam as máquinas uma ética utilitarista própria em relação à nós? Podemos nos tornar os componentes úteis a serem explorados por outra forma de inteligência? Explorados ou eliminados.

Durante toda a história, os seres humanos tem avançado cientificamente com descobertas e tecnologias que ofereceram conquistas importantes , destruição  e riscos. 

Até o momento parece inegável que o lado positivo do progresso foi superior ao lado negativo. Apesar dos muitos estragos que fizemos ao ecossistema e da nossa capacidade de realizarmos mortes em massa, aumentamos itens como  a qualidade de vida, conforto, acesso a alimentos, melhoramos o combate às doenças e expandimos a expectativa de vida de bilhões de pessoas, além de aumentar o acesso à educação.

Poderia a inteligência artificial ser uma criação tecnológica que modifique a balança para aumentar o lado dos riscos em detrimento dos avanços?

Até onde a descoberta da singularidade irá ser útil ou catastrófica aos humanos? 

– Manuel Sanchez 

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Autor: Manuel Sanchez

Leitor compulsivo, amante das viagens e da boa mesa. Sou um sujeito que acredita no charme da simplicidade, que riqueza é ter tempo e que se esforça para passar longe da vulgaridade.

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