Crônica: coração de viajante 


Férias! Bem-aventurados aqueles que viajam, se arriscam e se dedicam ao ócio porque deles é o Reino do autoconhecimento e das experiências da mente e dos sentidos.

Volto aos Estados Unidos depois de sete anos. 

Nova York foi a primeira cidade internacional que eu conheci de verdade. E volto à cidade depois de sete anos. Quando estive aqui pela primeira vez era um sujeito que tinha lido muito e visto ou feito nada. Fiquei deslumbrado com a cidade e com suas possibilidades.

Sete anos atrás. No meio desse intervalo passei por outros 12 países, viajei em um deserto, subi em um vulcão e fui na Amazônia. Visitei pirâmides, andei ao redor de Stonehange e entrei em catacumbas. Foi um belo periodo para um moleque criado no subúrbio e que não conhecia nada de nada e só via o mundo pela TV e páginas impressas. 

A primeira vez que estive nos Estados Unidos, achei que Nova York era o melhor lugar do planeta. Nada poderia ser tão impressionante! 

E de fato, estamos falando de um dos principais locais cosmopolitas do planeta. Gente de todo canto,  uma multiplicidade de idiomas nas ruas, museus arrebatadores e teatros encantadores. Bom… e continua tudo ali. Mas um pouco de experiência e perspectiva também colocaram a cidade sob outras luzes e agora ando por essas ruas de um jeito mais cínico e menos deslumbrado. Saio dos turistas, escolho outros ângulos, seleciono os horários. Busco ir para longe do óbvio. Adoro o lugar mas descubro que hoje NY está longe de ser meu canto preferido.

Dessa vez dei um pulo em Boston também. Bonita, limpinha, deve ser gostoso de viver,  mas tudo é arrumadinho demais e acho que ia enlouquecer. Gostei de dar uma caminhada por Harvard e no MIT e depois  tomar uma cerveja Samuel Adams no Macy Market.

E flanei por Whashigton. A capital do império é fria e cinza. A parte central é bem imponente! Típica arquitetura para gerar o sentimento de diminuição no ser humano. Os monumentos são todos dedicados à guerra, soldados e mortes. Ornamentos impávidos de conquista. Obviamente diz alguma coisa sobre uma sociedade amparada nas empresas bélicas e na criação de conflitos.  A área dos museus me deixou muito interessado, mas só tive tempo para visitar um. 

Acho que fecho esse ciclo pelos Estados Unidos. Um ciclo de 7 anos perfeitos. Mergulhei em culturas , idiomas , experiências, dezenas de museus, músicas, bebidas…. me virei, arrisquei e sai da rotina. Amadureci viajando. Descobri que viajando eu faço minha análise e aprendi muito sobre os meus gostos, apetites e interesses. 

Mudei muito nesses sete anos de pé na estrada. E quando eu olho a cidade ao meu redor me dou conta disso. Não sou mais deslumbrado. Sei do que gosto , onde gosto e seleciono. E hoje tenho um caminhão de experiências para comparação.

Creio, contudo, que já basta de Tio Sam. Só retorno quando  esgotar tudo o que quero na Europa e nos vizinhos da América do Sul. E olha que acho que vão ser décadas de exploração.

E assim começo meu novo ciclo de 7 anos. Vamos ver onde eles me levam.

———

Por Manuel Sanchez 


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Um comentário em “Crônica: coração de viajante 

  1. Amei a crônica desde o título Coração de Viajante. Você viaja e aprendemos junto com você… Continue nos contando suas aventuras.
    Um abraço,
    Ana Maria

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