Explicando os Conceitos: Imperativo categórico em Kant


download (2)

Imperativo categórico:

“A regra da faculdade de julgar sob as leis da razão pura prática é a seguinte: pergunta a ti mesmo se, quanto à ação que pretendes, poderias considerá-la possível, mediante a tua vontade, supondo -se que ela deveria ocorrer segundo uma lei da natureza da qual tu próprio fazes parte.

Mediante tal regra, cada um , efetivamente, julga se as ações são boas ou más sob o aspecto moral”

(…)

“Age de tal modo que a máxima de tua vontade possa valer sempre como princípio de uma legislação universal”

– em “Crítica da Razão Prática”

”  (…) basta que eu pergunte a mim mesmo: – podes querer que a tua máxima se converta em lei universal? Se não podes, deves então rejeitá-la, e não por causa de qualquer prejuizo que dela pudesse resultar para ti ou para os outros, mas porque ela não pode caber como princípio em uma possivel legislação universal.”

– em “Fundamentação da Metafisica dos Costumes”

14100268_661161937395610_4597347981646109671_n

O conceito do imperativo categórico foi exposto por Kant em diversas formatações mas, em suma, significa que a aferição da moralidade de uma ação passa pelo critério de colocá-la sob as lentes do critério de se é possível  transformá-la em norma de conduta universal. O imperativo categórico é a imposição de um dever moral. Imposição esta feita unicamente pela razão.

Para Kant o uso da razão permite a qualquer ser humano avaliar a moralidade de sua conduta. Para tanto, pouco importam as consequências do ato. Não se almeja aqui a utilidade da ação, a felicidade do agente ou de terceiros ou mesmo a saciedade de qualquer desejo. A moralidade kantiana não é consequencialista, ou seja, não se importa com os fins a serem alcançados. Também não é uma moral que busca a saciedade dos desejos; ao contrário, a moral kantiana prega que a ação DEVE BUSCAR A REALIZAÇÃO DO DEVER, principalmente se o dever exigir que se aja contrariamente aos desejos e inclinações.

O critério válido para Kant é se a ação – após a deliberação livre da razão – pode ser colocada como lei obrigatória de dever para todos.

O exemplo preferido do filósofo – quase obsessivo – é a mentira.

Uma mentira pode ser usada por um indivíduo e auxiliá-lo em algum momento da vida, retirá-lo de alguma situação vexatória, trazer lucro ou prazer para a pessoa em determinado instante. Mas a mentira nunca poderá ser elevada a uma regra de conduta universal porque se todos mentirem para todos o tempo inteiro, a vida em sociedade torna-se impossível. Logo, o “não mentir” é um imperativo categórico e é um dever moral mesmo que traga problemas ou consequencias desagradáveis. 

Para Kant, o imperativo categórico não aceita relativizações.

E o exemplo novamente é o da mentira. No texto “Sobre o suposto direito de mentir por amor à humanidade”, o filósofo defende que falar a verdade é uma obrigação moral (e um imperativo categórico) mesmo quando falar a verdade possa colocar a vida de um terceiro em risco. Clássico é o exemplo da vítima que foge de seu algoz e se esconde na casa de um terceiro. É claro no exemplo que a vítima irá ser morta se encontrada. Se o algoz perseguidor , em sua busca, bate na casa desse terceiro e pergunta se a vítima está escondida ali, este tem o dever moral de falar a verdade ainda que saiba que a consequencia sera a morte da vítima que se escondeu em sua casa. Para Kant, o dever é falar a verdade. Se o algoz está agindo certo ou não, se a vítima merece a punição ou não, são questões que devem ser abordadas em outras instâncias e unicamente pelos agentes que realizam as condutas per si.   

Percebe-se que Kant leva sua idéia moral ao extremo. O imperativo categórico é um dever ainda que sua efetivação pelo agente traga consequencias catastróficas. 

O rigor formal do filósofo com seu conceito é tamanho que não basta sequer que se aja CONFORME o dever. Deve-se atuar POR dever. Ele exemplifica com o caso do vendedor que frente à possibilidade de vender um produto pelo preço errado e auferir maior lucro, recua e vende o produto pelo preço certo porque no último instante teme ficar com má fama entre seus consumidores caso seja desmascarado.

Na prática, o vendedor vendeu o produto pelo preço certo. Mas agiu conforme (=parecido, assemelhado) o dever. Sua conduta não foi moral. Se tivesse vendido o produto pelo preço certo porque esta é a única conduta aceitável de um ser racional e ético – pouco importando as possíveis consequencias – teria agido, então, POR dever e sua conduta serial moralmente correta. 

– Manuel Sanchez

Anúncios

2 comentários em “Explicando os Conceitos: Imperativo categórico em Kant

Gostou? Tem uma opinião diferente? Fale conosco e deixe seu feedback

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s