Resenha dos livros de 2017 – parte 5


Olá amigos,

Volto com minha parte preferida dessa terapia que é o Blog Opinião Central, qual seja, as resenhas de livros. Como sempre, coloco aqui quase que um diário das leituras que venho fazendo e minhas impressões sobre as mesmas. Às vezes são livros acariciados pela primeira vez, em outras são amigos aos quais volto a visitar e – para minha surpresa e alegria – não é raro ter um novo olhar sobre os mesmos.

Neste ano de 2017 já abordei minhas impressões dos seguintes livros, em posts exclusivos :

–  Aurora, de Nietzsche

A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Max Weber

Vida para Consumo, Zygmunt Bauman

Assim Falou Zaratustra, Nietzsche

 

Vamos agora às novas resenhas mas desta vez condensadas em uma lista:

 

O Manual de Epicteto 

O manual escrito pelo filósofo Epicteto é um dos principais livros da filosofia estóica. Ao contrário de outros grandes nomes do estoicismo como Sêneca e o Imperador Marcos Aurélio, que ocupavam o ápice da sociedade romana, Epicteto foi escravo grego e escreveu sua obra em um período quando o estoicismo ocupava a periferia do pensamento ocidental.

No curto livro, encontramos máximas de bem viver, receitas para a vida digna que resumem os principais pontos dos estóicos: reconhecimento da lei natural, conjunção do homem com a grande ordem que se estabelece no cosmos, serenidade face às agruras da vida, resiliência para superar as dificuldades, honradez de caráter, parcimônia nos modos, cuidado ao falar, busca de sabedoria, fuga dos excessos e das multidões.

Não é um livro de auto-ajuda, vamos deixar claro. Os estóicos não buscavam regras de felicidade e nem a conquista da simpatia do público em geral. Estavam prontos para apontar como as multidões são obtusas e como a busca de prazeres constantes  pensando apenas na própria felicidade era nociva e vulgar. O pensamento estóico buscava normas de conduta ética que muitas vezes poderiam levar seus adeptos a serem ridicularizados, afastarem-se de certos convívios sociais ou mesmo enfrentar a dor e o sofrimento se assim exigissem o dever e a honra.

Quando comparado com os escritos de Sêneca e de Marco Aurélio, a obra de Epicteto é mais simples na maneira de expressar os conceitos, mas é um trampolim tão sofisticado quanto os demais para a meditação sobre os seus princípios.

 

A Filosofia explica as grandes questões da Humanidade – Clóvis de Barros Filho

Voltar aos livros e palestras do professor Clóvis de Barros Filho é sempre um prazer.

Nesta obra bem curta e didática, o autor apresenta os rudimentos das indagações filosóficas, sendo um excelente livro para quem deseja começar a entrar no mundo da filosofia. Cada capítulo é dedicado a uma das grandes questões que rondam a cabeça do homem: de onde vem o pensamento, se existe uma razão para nossa existência, se existe algo como uma essência humana, como criamos nossa identidade, a busca da felicidade, as exigências do dever etc…

Ao longo do livro são salpicados conceitos e muitos exemplos, de forma bem leve e deconstraida, sendo sugerido uma lista de livros e autores para aqueles que desejarem mergulhar nos estudos.

 

 

Sócrates encontra Kant – Peter Kreeft

Este foi o primeiro livro que li da série “Sócrates encontra….” onde o autor coloca o filósofo Sócrates e algum outro grande filósofo debatendo sobre sua obra em um fictício encontro no plano espiritual. O livro é um grande diálogo, replicando dessa forma os famosos diálogos platônicos, onde o personagem Sócrates tenta rebater e desconstruir a linha de pensamento do seu interlocutor.

Este livro traz o encontro de Sócrates e Kant, onde os mesmos debatem sobre as grandes obras de Kant, notadamente “Crítica da Razão Pura”, “Crítica da Razão Prática” e “Fundamentação da Metafísica dos Costumes” (sobre o último, fiz uma resenha nesse link).

A obra tenta ser uma apresentação dos conceitos kantianos para um público leigo. Mas não é de fácil compreensão. Sobretudo a primeira parte do livro dedicado à epistemologia e aos conceitos trazidos em “Crítica da Razão Pura” são particularmente difíceis e enfadonhos e preciso voltar a lê-los no futuro. A segunda parte do livro dedicado à ética kantiana do dever  e ao conceito e desdobramentos  do imperativo categórico é uma leitura mais agradável e que fez sentido para mim, tendo sido um ótimo roteiro para a leitura da obra kantiana (algo particularmente hermético onde Kant não parece se esforçar nem um pouco para ser compreendido).

 

Boas leituras e forte abraço,

Manuel Sanchez

(clique nos anos para acessar os links com resenhas e caminhos dos livros de 2016, 2015 e 2014)

 

 

 

 

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Autor: Manuel Sanchez

Leitor compulsivo, amante das viagens e da boa mesa. Sou um sujeito que acredita no charme da simplicidade, que riqueza é ter tempo e que se esforça para passar longe da vulgaridade.

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