Sêneca: aprender sim; mas não copiar


Considero que não há nada de eminência em homens que nunca criam nada, mas sempre se escondem à sombra de outros , desempenhando o papel de intérpretes, nunca ousando por em prática o que eles tanto estudam. Eles exercitam suas lembranças no material de outros homens.

Mas uma coisa é lembrar, outra saber.

Lembrar é meramente salvaguardar algo confiado à memória; saber significa fazer tudo você mesmo, significa não depender da cópia e não precisar lançar o olhar todo o tempo para o mestre.

(…)
Aqueles que nunca alcançaram sua independência mental começam, em primeiro lugar, seguindo o líder nos casos em que todos abandonaram o líder; depois , em segundo lugar, seguem-no em assuntos onde a verdade ainda está sendo investigada.

No entanto, a verdade nunca será descoberta se descansarmos satisfeitos com as descobertas já feitas.

Aquele que segue o outro não só não descobre nada, mas nem sequer está investigando”

– Sêneca

Abaixo: Platão e Aristóteles no detalhe da Academia de Atenas , de Rafael, 1509. Aristóteles foi aluno de Platão na Academia, tornou-se professor do local, divergiu de Platão em inúmeros assuntos e fundou uma escola própria, o Liceu.

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Autor: Manuel Sanchez

Leitor compulsivo, amante das viagens e da boa mesa. Sou um sujeito que acredita no charme da simplicidade, que riqueza é ter tempo e que se esforça para passar longe da vulgaridade.

3 comentários em “Sêneca: aprender sim; mas não copiar”

  1. Quanto mais leio sobre Sêneca, mais surpreso fico com a atemporalidade das suas reflexões. Esta breve passagem citada por ti, representa uma condição que fora verdade na época de Sêneca, e continua desta mesma forma hoje – aceitamos viver à sombra de outros. Se questionados sobre este comportamento, os motivos são diversos mas nunca justificáveis, ainda que, talvez, compreensíveis.

    Ainda que circunstâncias da vida possam nos manter imóveis por algum tempo, devemos tratar esta imobilidade exatamente desta forma: como algo temporário. Não devemos aceitar nunca que nossa vida seja tomada por outro, e permitir que nossas ações e obra sejam tomados caracteriza-se como tal.

    Permita-me perguntar: qual a fonte desta citação? Estou buscando conteúdo para aprender mais sobre Sêneca e o Estoicismo, e me interessei pela fonte dessa reflexão.

    Curtido por 1 pessoa

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