Guerra nas Estrelas e a Música Clássica

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George Lucas deve muito do caminhão de dinheiro que ganhou com “Guerra nas Estrelas” ao talento de John Williams na composição de temas maravilhosos que acompanham as cenas dos filmes.

Ouvir a trilha sonora da série cinematográfica é um prazer a parte: repleta de trechos furiosos entremeados de amplos setores de calmaria instrumental enquanto somos docilmente carregados por estrelas e planetas em uma galáxia muito distante. Em ‘Guerra nas Estrelas”, a música é tão forte e icônica quanto os sabres de luz dos Jedis, como podemos conferir nesta magistral interpretação da Marcha Imperial tocada pela Orquestra Sinfônica de Vienna neste link.

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Hoje temos uma tendência a imaginar a música instrumental como algo distante, focado em um público erudito e afastado do gosto popular.

Mas lendo as biografias de Beethoven, Mozart  entre outros, vemos que além de exibirem-se para um público erudito, também lotavam teatros populares; por sua vez, Tchaykovski fazia excursões pela Europa e Estados Unidos com ampla cobertura da mídia e absurdamente rentáveis.  

Quando falamos em “música clássica”, parece que ela parou no tempo e não pertence mais a nossa época. Por isso que eu prefiro o termo música instrumental ou mesmo música de concerto, porque ela continua sendo realizada – com imensa qualidade – e tornou-se instrumento essencial em filmes e séries de amplo sucesso popular, como por exemplo, na trilha sonora de Guerra nas Estrelas pelas mãos do maestro John Williams. 

A seguir, temos um vídeo do maestro conduzindo sua orquestra pelo tema principal de Star Wars, genial como sempre. E também uma visita surpresa de um determinado Lorde Sith no meio de uma apresentação sinfônica.

Aproveite e acrescente sua visita com os links para os posters de convocação para as forças do Império, os posters de propaganda da Aliança Rebelde e um vídeo do improvável mas incrível embate entre Darth Vader e um conhecido Cavaleiro das Trevas.

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“O grito” de Edvard Munch e suas homenagens pop 

“O grito” de Munch já recebeu inúmeras interpretações e análises ao longo das décadas.

Muitos o consideram o quadro símbolo da modernidade com o homem gritando pelo assombro da transformação rápida , pela solidão e pelo medo. Espanto pelo novo mundo que se descortina.

O quadro é sem dúvida um ícone facilmente reconhecido e já foi homenageado e inúmeras representações.

Crítica de cinema: Liga da Justiça 

Após assistir o filme fui ler as críticas e o filme tornou-se uma quase unanimidade na rede. Particularmente, minha opinião é diferente e esse post é dedicado para isso.

Liga da Justiça é  um bom filme de sessão da tarde.  É muito animado, mas também é a capitulação de qualquer tentativa de originalidade dos filmes DC e o reconhecimento de que o “estilo Marvel” é o dominante. Mas a DC ainda não sabe copiar direito o estilo do estúdio concorrente e a diferença de visões artísticas entre os diretores responsáveis não auxilia.

O filme pode ser visto como uma continuação direta de Batman versus Superman (BvS), que mesmo com suas falhas teve o mérito de tentar criar uma atmosfera própria e uma assinatura particular aos filmes da DC. O filme foi muito atacado pela crítica e mesmo por muitos fãs que preferiam assistir uma obra menos pesada e com um estilo mais esperançoso. Particularmente, eu sou um fã de BvS e acredito que em boa parte isso me colocou em uma situação de desconforto com as mudanças de ritmo e caracterização presentes em Liga da justiça. 

Tudo o que existia em BvS e que era uma tentativa de diferenciação foi descartado: o estilo dark, a caracterização dos personagens, o passado arrebentado do Batman, as cenas de luta no estilo videogame do Arkham, as subtramas e a falta de linearidade no roteiro. 

O filme da Liga é direto, linear, sem surpresas, sem subtramas, focado em ação e muito animado com boas piadas.

O Batman é um ponto baixo da trama , retratado agora em um estilo  tiozao que apanha o filme inteiro e nada lembra BvS. O personagem Flash retrata o novato deslumbrado e isso o coloca de forma muito interessante no filme em uma boa quimica com o outro novato Ciborg. O Aquaman foi totalmente redesenhado em relação aos quadrinhos e parece promissor em um futuro filme.

As melhores  cenas de ação são as que  tem participação da mulher maravilha. O superman retorna de forma interessante e recoloca a caracterização do personagem em seu lugar de líder inspirador após momentos iniciais de fúria.

Infelizmente o vilão Lobo das Estepes não convence. Parece um  típico vilão de episódios do Power Rangers. Dos episódios ruins do Power Rangers. Mas ele faz o seu papel para criar as inevitáveis cenas de luta. Sua motivação é rasa e não há qualquer tratamento adicional além do usual “eu vim dominar o mundo”.

Os pós-creditos do filme são excelentes. No primeiro existe a recriação de uma capa clássica dos quadrinhos e no segundo a preparação de futuras tramas para um próximo filme.

No geral o filme diverte. Mas logo depois você o esquece.

Titãs em Conflito: A Rixa entre Da Vinci e Michelangelo

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Leonardo da Vinci e Michelangelo são dois gigantes do Renascimento. Autores de trabalhos que ficaram para a eternidade e surpreendentemente  se detestavam na vida pessoal a ponto de chegarem às vias de fato.

E em um determinado momento no tempo, eles tiveram a chance de medir forças.

Em 1504, da Vinci era um senhor de 51 anos, completamente estabelecido em seu trabalho como um dos principais artistas da Italia. Recebia inúmeras encomendas dos homens mais ricos do continente. Seu ateliê era um ponto de encontro entre artistas, políticos , mecenas e os garotos que ele tanto apreciava.

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Às vezes, Leonardo abria seu ateliê para se exibir durante o ato de pintura. Além de artista que inovou em novas e revolucionárias técnicas de pintura e mistura de tintas, Leonardo da Vinci era um cientista, engenheiro e inventor. Desenhou esboços para criação do paraquedas, do planador e de um tanque de guerra com propulsão por alavancas. Estudou profundamente anatomia, dissecava cadáveres e deixou milhares de páginas com desenhos e descrições minuciosas dos corpos de animais e seres humanos. Definitivamente, um dos maiores nomes do Renascimento.

Michelangelo atingia 29 anos de idade. Já era considerado o principal escultor da Itália e sua fama como pintor também aumentava. Michelangelo considerava-se escultor. Essa era sua paixão. A pintura era uma atividade secundária. Nesta época, o escultor ainda não era o artista mais rico e bem pago do século XVI, mas já trilhava esse caminho.

Obstinado, dado a divagações religiosas, inábil socialmente, feio, tinha um nariz quebrado na juventude que calcificou mal e sofria por um amor homossexual idealizado e – provavelmente – não realizado. Quando não reconheceram que a obra “Pietá” era de sua autoria, voltou ao lugar onde estava depositada e marcou no mármore – no peito de Nossa Senhora – seu nome de forma indelével.

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Da Vinci considerava a escultura uma arte menor. Em cartas, existem anotações de Leonardo criticando obras de Michelangelo e – sem dar nomes – afirmando que a escultura era uma forma de arte de operário, que suava para criar arte, vivia sujo do pó do mármore e que cujo ateliê era sempre um local sujo devido à atividade da escultura. Mirava em Michelangelo.

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Michelangelo detestava a personalidade de Leonardo e afirmava que as (poucas) esculturas de Da Vinci eram obras sem vigor.

Segundo biógrafos, Leonardo – que foi genial em tudo que tentou – para os mais próximos confessava ficar espantado com a vivacidade das esculturas de Michelangelo. O jovem escultor, no silêncio de seu ateliê, também estudava as técnicas de pintura desenvolvidas por Leonardo.

De acordo com os biógrafos, nas vezes em que os gigantes se encontraram nas ruas de Florença, os amigos tiveram que impedir que os dois se estapeassem.

Desta forma, quando em 1504, a cidade de Florença comissionou os dois artistas para – ao mesmo tempo e trabalhando lado do outro – criarem seus painéis para embelezamento do Palazzo della Signoria este foi considerado o maior concurso de pintura das terras italianas.

Entre 1505 e 1506 , os dois iniciaram e recomeçaram o trabalho entre a comissão de Florença e obras contratadas por outros mecenas em outras cidades. Quando se encontraram, aparentemente fizeram questão de ignorarem-se.

Leonardo em especial era famoso por enraivecer seus contratantes pela demora de seu trabalho e por assumir diversos contratos ao mesmo tempo. Para piorar a situação, uma mistura desastrada de tintas estragou boa parte do trabalho que já estava pronto. Em 1506, abandonou o trabalho em Florença para atender demandas anteriores de Milão que já estavam levando as cidades a uma desavença política pelo artista.

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Michelangelo queria trabalhar em seu painel, mas uma requisição do Papa Júlio II o obrigou a se mudar para Roma. Michelangelo havia sido intimado a pintar o teto da Capela Sistina. Não quis. Apontou que o pintor Rafael seria a pessoa mais indicada, mas o obstinado Papa não aceitou o não como resposta e ofereceu um caminhão de dinheiro para ter o artista.

Michelangelo também abandonou a obra florentina no Palazzo della Signoria.

Com os dois artistas abandonando a obra, o espaço foi utilizado por outros escolhidos por Florença. Os desenhos existentes foram sobrepostos. O que temos dessa competição são esboços e algumas cópias de alunos.

Michelangelo foi para Roma. Neste mesmo período, mas trabalhando em outra ala do Vaticano, estava Rafael. Entre 1508 e 1512, Michelangelo pintou o teto da Capela Sistina, às turras com o Papa Júlio II que exigia mais pressa e mais pressa.

Abandonou o trabalho.

O Papa ofereceu mais dinheiro e o trouxe novamente. Junto com as esculturas de Davi, Moisés e a Pietá, a pintura da Capela Sistina está entre as obras mais exaltadas de Michelangelo e do mundo.

O teto da Capela Sistina é considerado um dos afrescos mais perfeitos da história da pintura. Até hoje, centenas de milhares de pessoas, todos os anos, viajam ao Vaticano para admirá-lo. Anos depois de concluído o teto da Capela, Michelangelo recebeu nova comissão para pintar a parede do altar. O resultado foi o Juizo Final.

Leonardo da Vinci era um homem mais completo – artista, engenheiro, escritor, cientista, botânico, músico e desenvolvedor de novas técnicas de pintura – sendo  o grande nome do Renascimento.

Mas a pintura de Michelangelo é mais impactante: seja pela extensão, seja pelo apuro.

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Leonardo viajou a Roma e viu o trabalho de Michelangelo no teto da Capela Sistina.

Diante da obra concluída, seu comentário foi de crítica. Da Vinci achou que todos os corpos eram muito viris, faltava naturalidade.

Michelangelo soube da crítica e até a morte de Leonardo da Vinci – em 1519 – não se falaram mais.

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