Arte do dia: Salomé 

O ponto de encontro das vidas de Salomé e João Batista (primo de Jesus) foi retratado inúmeras vezes nas artes.  

O historiador Josefo em Antiguidades Judaicas (ano 94 d.C) conta que Herodes Antipas havia prendido preventivamente João Batista nas masmorras do castelo devido ao crescimento da popularidade deste entre as camadas populares e o receio de tumultos políticos. Josefo não trata da morte do profeta.

No novo Testamento, conta-se que após ver sua sobrinha Salomé  dançando sensualmente em um espetáculo na corte, Herodes prometeu realizar qualquer um dos seus pedidos.  A mãe de Salomé estava recentemente casada com Herodes após ter ficado viúva do rei anterior, irmão de Herodes. Quando estava livre, João Batista criticava abertamente  o casamento chamando-os de adúlteros. Aproveitando-se da promessa feita a sua filha, a rainha pede que Salomé exija a morte de João Batista. 

Inúmeros artistas retratam a entrega para Salomé da cabeça de João Batista, servida em uma bandeja. 

Oscar Wilde tratou do tema na peça “Salomé” e abaixo temos o quadro de Caravaggio  (1610) sobre o mesmo assunto  

– Manuel Sanchez

Arte do dia: Sansão e Dalila, de Rubens 

Rubens – “Sansão e Dalila ” , 1610

Das inúmeras mitologias bíblicas essa é das mais interessantes. Sem dúvida é o meu quadro favorito de Rubens. 

O homem exausto descansando no colo da amada, a traição iminente, a escravidão, a cegueira e a destruição do templo. Tudo fica no ar quando se olha a pintura. Sansão se deixa levar pelo amor a uma mulher. Seria traição ou ela agiu por amar outros valores? Já estaria ele cego antes mesmo de ser capturado?

Review de Cinema: Mulher-Maravilha

Aqui no Opinião Central eu gosto de falar de livros profundos e filmes block-busters!

E se for um filme de super-heróis, então o gosto aumenta.  Os estúdios da DC continuam na disputa com Marvel na criação de seu universo cinematográfico compartilhado. Depois dos filmes do Superman, Batman v. Superman (fiz uma crítica neste post) e Esquadrão Suicida, chegou na telas o filme solo da Mulher-Maravilha.

O filme é ótimo. Mas claramente mostra uma mudança de foco no estilo dos filmes anteriores do universo DC. Este é um típico filme de origem de personagem. Acompanhamos a princesa Diana desde sua infância na mítica Ilha Paraíso até se tornar uma Amazona completa e sair em missão no mundo dos homens em busca de Ares, o Deus da Guerra.

Ao contrário do filme Batman v. Superman, o filme da Mulher-Maravilha é linear: não possui qualquer cena apontando para futuros arcos narrativos, sem cenas de sonho, com uma ínfima menção a eventos passados em filmes anteriores e sem a participação de qualquer outro personagem do mundo dos quadrinhos (por exemplo, em Batman v. Superman temos participações ligeiras da própria Mulher-Maravilha e de Flash, Cyborg e Aquaman).

Ao contrário de Esquadrão Suicida, a personagem da Mulher-Maravilha mostra coerência do início ao fim do filme. Enquanto no Esquadrão Suicida os personagens começam vilões que se juntam a contragosto e não se gostam, mas terminam após 1hora sendo pessoas do bem e superamigos sem qualquer explicação razoável; a Mulher-Maravilha mantém sua coerência de ser ao mesmo tempo uma mulher decidida e guerreira, mas um pouco ingênua e esperançosa.

O filme é claro, iluminado, sem o abuso de escuridão e sombras que imperaram nos filmes anteriores do universo DC. A história é fechada com inicio, meio e fim bem definidos e finalmente tem uma mensagem de esperança.

Mulher-Maravilha é um típico filme de herói, com uma história bem contada, bem amarrada, com uma personagem feminina de força e que fica excelente na tela do cinema.

Que venha a Liga da Justiça!

80 anos de Guernica 

80 anos de ‘Guernica’

“Não, não é uma pintura de bom gosto para decorar apartamentos. Ela é uma arma de ataque e defesa contra um inimigo terrível chamado fascismo.”

– Pablo Picasso

O quadro está exposto e é a grande atração do Museu Reina Sofia de Madrid. Imenso… causa o maior impacto. Mas ao contrário do que desejava Picasso eu tenho uma reprodução na minha sala. E gosto muito.

– Manuel Sanchez