Crônicas e Afins: Os dias e os namorados

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Os amores e os afetos movimentam o pensamento e a arte desde o dia em que a faísca cruzou nossos olhos. 

É na busca dos encontros que criamos sentido. Encontros com o corpo, consigo mesmo e com o outro. A energia, o amor e o tesão descobertos NESTE mundo. O mundo real. O mundo dos movimentos e das energias. Encontros com os sentidos do corpo. Desejo que está no corpo. Mente produto do corpo. Mundo que é. Nada de mundos idealizados romanticamente. Mundo de atrito. Amor na posição vertical.

O que desejar para alguém? Amor. Mas que tipo de amor? Que o mundo te mostre menos amores Platônicos e mais amores Espinozanos. Menos amores articulados no desejo da  falta. Menos amores sustentados em idealizações. E que te ofereça mais amores de encontros reais. Que você busque mais amores de afetos. Tangíveis. Com tudo o que eles proporcionam de alegria e tristeza. Sem negar nada. Sem se afastar de coisa alguma que os amores deste mundo podem oferecer.

Amor aqui. Amor fati.
Potência de viver.
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Crônica, “Os dias e os namorados” , de Manuel Sanchez .

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Antigos códigos

Tem um código de honra e conduta nestes filmes. Coisa que parece esquecida, mas não está. Resistimos, ainda que nosso código seja considerado antiquado hoje em dia.

Não é para um mundo vegano, light e nem politicamente correto… É meio maçônico, um grupo que se reconhece por símbolos. Um punhado de gente que lê livros de alquimia em tempos de química.

Máscaras sob máscaras. Estamos por aí.

Anotações órficas: recado ao Capitão

A maioria chamará de sorte. Raros terão interesse em saber o quanto você se esforçou, batalhou e virou noites sem dormir.

Não se incomode com isto. As pessoas são assim. Reconcilie-se com a realidade ao invés de desesperar-se com a incompreensão alheia.

Continue no seu rumo, mãos firmes no leme da sua embarcação. Aqueles que ficaram quietos na costa verão você desaparecer ao longe no mar. Você tem novos continentes para descobrir e explorar. Siga adiante.

– Manuel Sanchez

Anotações órficas: cotação do Tempo

Algumas pessoas trabalham tão duro para proteger seu dinheiro que descobrem tarde demais que a coisa mais importante para proteger era seu tempo.

Com dinheiro perdido, trabalha-se para auferir de volta; mas o tempo perdido é para sempre.

Crônicas e Afins: Queimando a vida

”Poesia é apenas a evidência da vida. Se a sua vida está queimando bem, a poesia torna-se apenas as cinzas” (Leonard Cohen)

“Respirando fundo e olhando em volta, constato que minha vida está queimando bem. Falo até pouco para não espantar o bendito passarinho e deixá-lo cantando mais tempo no meu quintal. Quero um quintal com grama e árvore; nada de ladrilhos ou piscina.

Caem as cinzas.  Não se iludam, a vida está sempre se esvaindo. Queimando. A questão é saber como você está usando esse tempo. O charuto está bom? Não quero baforadas vagabundas. Viver os dias deve ser como apreciar um bom charuto: baforadas longas, sabor intenso, paladar marcante.  Sem pressa. Mas sem vício. É um momento de reconciliação e busca. Odeio quando dizem que o charuto é um bom passatempo. É terapia.

Não precisamos provar que estamos sempre certos. Não existe qualquer obrigação de entrar de sola em todas as brigas. Use de sabedoria para contornar certas situações.  Não se esgote. Poupe-se. Mantenha-se forte. Mantenha-se bem. Estóico.

Perceba que certos casos devem ser honrados. Existem momentos em que torna-se necessário manter-se de pé e enfrentar. Não fuja. Como os legionários romanos: Força e Honra. 

Cuide dos seus próximos.  Ajude aos demais mas entenda que cada qual tem a sua própria luta. Auxilie sempre. Mas não permita que a tempestade alheia retire sua paz.

Agruras ocorrerão. Prepare-se para elas. Não grite tanto. Absorva e lide com os problemas. Sem vitimismo. Ninguém te deve nada. Cresça.

Demonstre amor. Não é sua responsabilidade se não aceitarem. Mas não se entregue até existir real confiança. E confiança é construída com o tempo e superação. Não confunda amor  com desejo. Essa armadilha já dilacerou homens e mulheres por gerações sem fim. Não tenha receio dos seus desejos. Mas reconheça-os como tal.

Seus demônios encontram-se com você. Amigos e amantes. Abrace-os. Nunca domestique seus demônios, mas prenda-os em uma coleira. Haverá o momento…  

E a vida vai queimando. E a vida vai marcando.  E a vida vai exalando seu cheiro. O paladar deve ser intenso. O odor marcante das folhas consumidas pelo fogo.

Todo charuto chega ao fim. Existem aqueles que dizem que existem mais charutos na caixa.  Outros declaram que a experiência é única. Não sei. Oscilo entre as duas crenças e já não faço questão de prender a verdade com anzol. Acato. E brinco com as dúvidas.

Como um bom charuto.  Como amantes em fogo violento e raivoso sobre uma cama deixando marcas. A única coisa importante é queimar bem. “

Crônica “Queimando a vida” , de Manuel Sanchez