Você está vivendo igual gado, sendo tocado até o matadouro? ● Pedro Calabrez

Tem um pouco de Estoicismo e um tanto de existencialismo neste extrato da palestra. 

Sartre falava que não temos controle sobre a situação em que nascemos mas  somos responsáveis por construir o melhor que pudermos daquilo que a vida fez conosco. Sem vitimismo. Aceitando a responsabilidade pela própria construção da individualidade.  

Os estóicos alegavam que deveríamos nos preparar para as perdas e mesmo para a morte. Mas não como um pensamento mórbido, mas sim para vivermos com mais intensidade a própria vida. Preparados para a dor mas aproveitando a felicidade. Libertamo-nos do apego mas buscando a tranquilidade.  

Nietzsche postulava o amor fati. Aceitar as imposições da vida mas amá-la e goza-la com prazer. Amar o mundo real. Viver o presente. Não se trata de ter uma vida aloprada e inconsequente, mas cuidar do presente e saborea-lo. 

– Manuel Sanchez 

Alan Watts: E se o dinheiro não fosse o objetivo?

Melhor ter uma vida curta que está cheia do que você curte fazer do que uma vida longa gasta de um jeito miserável. E, no fim das contas, se você realmente gosta do que faz, não importa o que seja, você poderá eventualmente se tornar um mestre daquilo. A única maneira de se tornar um mestre em algo é você estar realmente naquilo
”.
~ Alan Watts, em “What If Money Was No Object?”

Documetário: 97% Privado – Como funciona a criação do Dinheiro

Excelente documentário (2 horas de duração) sobre como é realizada a criação do dinheiro por meio dos bancos privados através do sistema de reserva fracionada (outros documentários sobre o tema no Blog podem ser acessados aqui).

Os exemplos dados vem do sistema inglês, mas o mesmo é o modelo copiado por todo o mundo desde o séc. XIX então apesar dos números não serem os mesmos relativos ao Brasil, permanece integro o raciocínio.

Poucas pessoas param para pensar de onde vem o dinheiro e como ele é criado.

O atual sistema mundial – adotado por praticamente todos os países e bancos centrais – chama-se sistema de reserva fracionada. Através dele, a massa de dinheiro injetado na economia é majoritariamente criada a partir de dívidas. Quando cada pessoa, empresa ou governo realizam empréstimos/dívidas no sistema bancário, a legislação autoriza o aumento da massa financeira através da criação de créditos virtuais, que eminentemente hoje são bits anotados  nas reservas dos bancos comerciais junto aos bancos centrais governamentais. Essa dívida será paga futuramente com juros. Uma vez paga a dívida, os créditos virtuais criados pela emissão de dívida são apagados do sistema (compensados) mas os juros permanecem na massa financeira do país e – obviamente – anotada como crédito nos ativos dos bancos. Assim, a cada empréstimo/dívida, temos que a massa financeira do país aumenta. Mas esse aumento da massa de dinheiro é virtual – anotações bancárias, ou hoje, bits digitais – e não corresponde efetivamente a criação de mais papel-moeda.

No sistema inglês, 97% do dinheiro em circulação é virtual e criado pelos bancos privados através da emissão dívida; e apenas 3% são moedas e papel moeda físicos emitidos pelo governo.  Daí o título do documentário: 97% Privado. Os números exatos variam obviamente de país para país, mas as proporções são semelhantes. Que seja 97% ou 90%, o fato é que a maior parte do dinheiro é virtual, são anotações contábeis criadas por bancos privados a partir de emissão de empréstimos/dívida. Se cada correntista fosse ao banco agora e exigisse em dinheiro físico aquilo que é apontado contabilmente em sua conta corrente, todos os bancos quebrariam. Simplesmente não existe. Trata-se de uma ficção contábil: dinheiro fiduciário e não papel-moeda.

Ao contrário do que 99% da população acredita, a verdade é que o dinheiro em circulação não tem lastro em nenhum bem tangível. Ele é meramente fiduciário, baseia-se na confiança e é garantido pelos governos através de uma legislação que proporciona aos bancos privados a prerrogativa de criarem o dinheiro circulante  a partir do nada; unicamente a partir da vontade de se fazer empréstimos, ou seja, de criar dívida. Uma massa mínima do dinheiro circulante é efetivamente papel-moeda (físico) e de emissão governamental.

Fato é que a economia cresce, o PIB aumenta e a massa financeira fermenta através de endividamento. Um país em que todos vivessem eminentemente através da poupança, no sistema atual, levaria a uma estagnação financeira já que não haveria a criação de dinheiro novo na economia.

  • indicado por Manuel Sanchez, redator.