Leitura e pensamento crítico: Monja Coen

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Michel Foucault vs. Noam Chomsky

Clássico debate entre Michel Foucault e Noam Chomsky para a tv alemã em 1971.

Trechos desse debate podem ser encontrados em gravações esparsas pela internet. Finalmente, consegui um link com a íntegra do debate e em ótimas condições de som e imagem ( Legendas em português e em inglês podem ser ativadas no vídeo).

O debate se desenvolve a partir da definição de natureza humana e segue discutindo as relações de poder, controle do estado, violência política etc…

Foucault tem alguns posts dedicados neste Blog como documentários legendados, matérias de TV com resumos do seu pensamento central  e uma famosa entrevista no programa de Alain Badiou (clique nos links para acessar).

O outro debatedor é Noam Chomsky: linguista, historiador, filósofo e ativista político de orientação socialista. Nas últimas décadas, transformou-se em um grande crítico da política externa norte americana (desde o Vietnã até as guerras do Oriente Médio). Possui inúmeros livros de grande penetração  sobre as relações abertas e às vezes sombrias entre governos, propaganda política e militar e a mídia. Temos o documentário “Réquiem Americano” no Blog Opinião Central sobre as opiniões de Chomsky sobre a situação mundial atual que vale a pena conferir.

Nietszche e o Sofrimento: regras para a vida

O documentário apresenta aspectos do pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, o destruidor de mundos com sua filosofia do martelo.

Nietzsche viveu na segunda metade do século XIX e tinha uma proposta ousada de pensar no sofrimento, nas dificuldades e na dureza da vida; muitas vezes causando verdadeira consternação no seu leitor.

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Ele dizia: “Às pessoas de quem gosto desejo sofrimento, doenças, dificuldades, indignidade, desprezo, desconfiança e a infelicidade dos conquistados”, isso porque para ele “a felicidade e a infelicidade eram irmãs gêmeas e cresciam juntas”. Ou seja, para realizar grandes feitos é indispensável aprender a lidar com as dificuldades, os desafios, o erro e o fracasso, vistos como aspectos inerentes à própria vida.

frase nietzschePara Nietzsche, é no risco e no desafio que está a beleza da vida, tal como a sensação de bem-estar que sentimos no cume da montanha, após tê-la subido exaustivamente, passo a passo.

O vídeo mostra profissões que idolatramos e até idealizamos, pelas quais a pessoa tem que sofrer, tem que se superar para conquistar a meta desejada: o astronauta, a bailarina, o músico, o trapezista são alguns exemplos.

Procure relacionar os desafios exibidos no vídeo (como, por exemplo, escalar uma montanha) com os momentos em que somos testados na vida: apresentações em público, concursos, competições esportivas são momentos em que observamos dedicação máxima e muita pressão. Para Nietzsche, é justamente isso que faz o ser humano aprender a reagir bem ao sofrimento e usar isso para produzir o belo, além de dar um gosto maior na hora das conquistas.

Sócrates e a Autoconfiança

Por que temos um impulso de seguir passivamente os semelhantes, sem nos afastar do grupo? Por que muitas vezes agimos como um rebanho de ovelhas? Sócrates dedicou-se à reflexão sobre essas questões que relacionam a vida prática e a busca do conhecimento.

Baseava-se na máxima de que temos, como seres humanos, o dever de desenvolver ideias nas quais realmente acreditamos, ao invés de seguir opiniões alheias passivamente. Para ele “a vida sem reflexão não valia a pena ser vivida” e por isso sua história e sua filosofia são um convite ao não conformismo inteligente.

UWASocrates_gobeirneSócrates discordava da máxima de que a maioria tem sempre razão e provou, com sua vida, que somos todos capazes de realizar a transição de ovelhas para seres pensantes, ousando pensar por nós mesmos. 

Sua morte virou um tema mítico nas mãos de seu pupilo Platão. Historiadores colocam em dúvida as razões que levaram de fato à sua condenação à morte, conforme elaboramos no post sobre o julgamento e a morte de Sócrates. A versão relatada por Platão não retrataria exatamente o ocorrido, sendo expurgada das implicações políticas e centrando-se na criação de um mito perseguido.

A título de exercicio intelectivo e para fazer um contraponto à visão positiva e ideal de Sócrates retratada neste vídeo, indico que logo após a sua visualização, o leitor pegue o capítulo 2 de “O Crepúsculo dos Idolos”, do filósofo Nietzsche (O Problema Sócrates), que  por sua vez tinha uma visão extremamente hostil ao pensamento socrático com busca de autoconhecimento negando as pulsões da vida, vislumbrando um mundo racional que para Nietzsche é irreal.

Fato é que as idéias deste homem dividiram a história do pensamento ocidental e seus desdobramentos são discutidos até hoje.