A Psicanálise de Carl Jung

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Carl Jung foi discípulo de Freud, posteriormente tendo rompido com seu mestre e iniciado uma escola própria de psicologia.

Os motivos do rompimento foram vários e se protraíram no tempo mas se concentraram em dois pontos particulares:

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a)      Jung não concordava com a idéia de Freud de que os traumas e psicoses da mente têm sua origem na repressão dos desejos sexuais.

Para Freud, os desejos sexuais eram a força motriz do ser humano e apenas por força da cultura/civilização tais impulsos eram contidos na psique, pagando o alto preço de sublimações ou neuroses.

Carl Jung acreditava que os impulsos sexuais eram hipervalorizados por Freud e que existiam impulsos ainda mais básicos e importantes.

b)      Freud considerava que a religião era uma ilusão coletiva e que a crença em um Deus ou deuses era apenas fruto do pensamento infantil do homem, sempre necessitado de uma figura paterna que simbolize a necessidade de controle e amparo.  

Para Jung, a religiosidade era uma força motriz do homem e de amplo impacto sobre nosso inconsciente, não podendo ser de forma alguma considerada uma ilusão.

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A psicanálise Junguiana alicerçou-se sobre o estudo dos sonhos.

Enquanto que para Freud os sonhos eram uma espécie de latrina do inconsciente, onde nossa mente tentava processar/rever/lidar com os desejos e sublimações com que lidamos no dia a dia; para Jung, os sonhos eram uma porta real de contato com o inconsciente, a maneira com que este entrava em contato com nossa psique, de alguma forma tentando se comunicar com o consciente.

Em Jung, o inconsciente é visto como uma parte natural da psique  – e não como uma área sombria ou perigosa do consciente – que fica submergida quando nosso consciente está no controle durante o dia a dia.

O que chamamos de inconsciente seria uma parte da psique anterior ao surgimento da razão no Homem e portador de regras e símbolos próprios, com os quais entramos em contato durante o sono, através dos sonhos.

Os sonhos e seus símbolos, estruturados e frutos de uma evolução humana de milhões de anos, nada mais seriam do que uma forma de reflexão de nossa psique, vivendo ao lado da razão (que seria a forma de reflexão típica do consciente).

Jung era um estudioso de religiões e conceitos orientais e muitas obras tratam de um esforço de lançar a luz da psicologia nos conhecimentos religiosos orientais, que ele considerava donatários de imenso potencial de explicação do inconsciente.

Ao longo dos estudos de milhares e milhares de sonhos tratados em sua obra, Jung criou conceitos que são repetidos e utilizados por diversas outras correntes da psicanálise: por exemplo as noções de arquétipos, inconsciente coletivo e sincronicidade.

Era um colecionador de livros de alquimia e tratados de magia medievais, sendo muito lido e citado por seus estudos da religiosidade.

Jung defendia em seus estudos que a mente possuía uma continuidade após a morte e que era mesmo capaz de intuir acontecimentos futuros. Algumas de suas obras são consideradas incipientes do estudo da área de parapsicologia. Chegou mesmo a flertar com a questão dos UFOS/OVNIS, que considerava um fenômeno real, a espera de explicação científica.

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Enfim, Carl Jung foi um homem de inúmeras facetas e muitas áreas de pesquisa. Além das pesquisas, textos e vídeos encontrados na internet, sugiro a leitura do livro “ O Homem e Seus Símbolos “ , escrito por ele e outros colaboradores que é considerado como um grande resumo das ideias dessa interessantíssima personalidade.

 

A seguir, alguns vídeos com entrevistas do próprio Carl Jung.

1) Entrevista com Carl Jung (programa Face to Face, legendado)

2) Entrevista (legendas em espanhol)

3) Documentário: O mundo interior de Carl Jung

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Foucault contra si mesmo (documentário)

Neste filme de François Caillat, filósofos e historiadores comentam as marcas da rica e contraditória produção intelectual de Michel Foucault num breve panorama de sua carreira, ilustrado por entrevistas com próprio pensador e relacionado com passagens de sua vida fora do ambiente acadêmico.

Slavoj Zizek: consumismo – Da Tragédia à Farsa

O que está por trás da ideologia do consumismo? SLavoj Zizek trata de como o consumo funciona como um processo de alienação para não vermos os verdadeiros problemas da sociedade.

Acione as legendas em português diretamente no vídeo. 

Slavoj Zizek: O Guia Pervertido da Ideologia

Slavoj Zizek é um filósofo e sociólogo esloveno. No documentário Guia Pervertido da Ideologia (The Pervert’s Guide to Ideology, Sophie Fiennes, 2012), Zizek é o narrador e também assina seu roteiro.

O documentário procura analisar cenas e enredos de filmes, discutindo as formas e mecanismos de propagação ideológica, seja no aspecto da difusão do consumismo, do racismo e dos nacionalismos.

Entretanto, revela-se o paradoxo: somos livres para aderir às diversas ideologias ou são as mesmas impostas a nós, sendo a suposta liberdade de autodeterminação uma  ilusão criada  para que continuemos sendo escravos de uma ideologia, sem que a questionemos, sem que percebamos sua ação?

O filme completo tem 2 horas. Aqui está um resumo da obra com 30 minutos.

História do Brasil com Bóris Fausto

Esse vídeo condensa em 3 horas todos os episódios da série de História do Brasil apresentada pelo professor Bóris Fausto.

A série segue em ordem cronológica desde o período colonial até a eleição de Lula. Infelizmente, não houve uma atualização da série para acrescentar os governos do PT até o impeachment de Dilma. Mas no que cobre, a série é muito boa.

 

 

Para quem se interessar por História do Brasil, aponto outros links do Blog Opinião Central sobre o tema:

  1. História dos Planos Econômicos do Brasil (documentário)
  2. Arquitetos do Poder – o Marketing e as eleições
  3. Entrevista com o historiador Eduardo Bueno
  4. História do Brasil – esse maltratado desconhecido (dicas de livros)