Aldous Huxley e seu Admirável Mundo Novo

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Aldous Huxley (1894-1963) foi um pensador e escritor inglês, sendo bastante conhecido pela sua obra mais famosa “Admirável Mundo Novo”.

Nesta obra, o autor apresenta um mundo distópico ditatorial, mas que permanece candidamente escondido por trás de uma camuflagem social alegre, jovial e convidativa.

Em verdade, o mundo de diversões ligeiras, drogas sintéticas fáceis e contatos sexuais efêmeros  reforçam o controle apesar da maioria das pessoas não perceberem como estão sendo manipuladas e orientadas psicologicamente pelos verdadeiros mandantes.

Ao contrário do livro “1984” de Orwell, que aborda um mundo dominado por uma ditadura clássica de brutalidade, violência e opressão,  o ‘Admirável Mundo Novo” de Huxley aborda a questão do controle estatal como uma forma sutil de orientação dos cidadãos através de técnicas de psicologia de massas, abuso de drogas e toneladas de diversão sem propósito.

No livro, as pessoas são incentivadas a viver em um estado constante de alegria e festa, recebendo diversão e demais informações sem relevância.

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O importante é a criação de um mundo onde as pessoas vivam em constante estado de alienação, de forma que não importunem os donos do Poder com questionamentos inoportunos.

Dúvidas, tristezas e estados de ansiedade são tratados com o consumo de uma droga sintética chamada “soma”, disponibilizada pelo Estado. As crianças são geneticamente programadas, criando-se um programa de eugenia. Mas este  não funciona através da perseguição e morte dos não aptos (como no modelo contrário do livro “1984”), mas sim através de incentivos e bônus para as famílias que se veem compelidas a aderir à visão hegemônica amplamente disponibilizada na mídia e propaganda estatal.

O consumo é referenciado como o objetivo supremo da sociedade e razão da verdadeira felicidade e metragem para constatação do sucesso.

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Huxley criticava a TV (mas também referia-se a outras futuras ferramentas tecnológicas que certamente seriam inventadas) como uma ferramenta de alienação social, vendendo apenas diversão, sem preocupação com a educação, assim como a falta de questionamentos por parte da sociedade.

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Também abordava o marketing agressivo voltado para as crianças e a idealização do consumo e também o uso das novas (para a época) técnicas de marketing político nas campanhas eleitorais retirando todas as questões de importância cívica e vendendo os candidatos como mais um produto do mercado.

O livro ganharia uma continuação menos famosa e menos lida “Regresso ao Admirável Mundo Novo” , onde as críticas são ainda mais diretas e claras, mas a continuação não tem a mesma qualidade literária da obra original.

 200px-DoorsofPerceptionHuxley também escreveu diversos livros sobre o uso de drogas (notadamente o LSD) e seu poder de alteração sensorial, acreditando que poderiam ser canalizadas para novas descobertas no campo da psicologia.

Neste campo, seu livro mais conhecido é  “The Doors of Perception” , um estudo sobre o uso e efeitos da mescalina e do peyote. Foi esse livro que acabou incentivando o jovem  Jim Morrison, após sua leitura, a batizar sua banda de ‘”The Doors”.

 

Frases de Admirável Mundo Novo

“Sessenta e duas mil repetições fazem uma verdade.”        

 “Cremos nas coisas porque somos condicionados a crer nelas, as pessoas crêem em Deus porque foram condicionados a crer em Deus.”           

 “Tal é a finalidade de todo condicionamento: fazer as pessoas amarem o destino social a qual não podem escapar.”          

“Se uma pessoa é diferente, é fatal que se torne solitária.”     

“Uma reserva de selvagens é um lugar que, devido a condições climáticas ou geológicas desfavoráveis, ou à pobreza de recursos naturais, não compensa as despesas necessárias para civilizá-lo.”                      

 “A felicidade é uma soberana exigente, sobretudo a felicidade dos outros. Uma soberana muito mais exigente do que a verdade, quando não se está condicionado para aceitá-la sem restrições.”                 

“- Mas eu gosto dos inconvenientes.
– Nós, não. Preferimos fazer as coisas confortavelmente.
– Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o perigo
autêntico, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado.”

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“Mas o valor de uma coisa não está na vontade de cada um. A sua estima e dignidade vem tanto do seu valor real, intrínseco, como da opinião daquele que a tomou.”

“Uma das principais funções de um amigo é suportar (sob forma
atenuada e simbólica) os castigos que nós gostaríamos, mas não temos possibilidade, de infligir aos nossos inimigos.”

“E se este mundo for o inferno de outro planeta?”

“Nas mais altas religiões de todo o mundo, a salvação e a iluminação são para os indivíduos. O reino dos céus está no íntimo de uma pessoa, não dentro da demência coletiva de uma multidão. Cristo prometeu estar presente onde dois ou três se encontrassem reunidos. Nada disse sobre a sua presença onde milhares de pessoas se envenenam umas às outras com o tóxico gregário.”

 

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Bukowski: rios da vida

Quanto mais rios você atravessa, mais você aprende sobre eles – quer dizer, se você consegue sobreviver à água translúcida e às rochas ocultas.

De vez em quando, era um osso duro de roer, a vida.

– Bukowski , no livro Misto-quente

Fernando Pessoa: o problema do mal

O PROBLEMA DO MAL

A ideia de que esta vida é injusta assenta na de que esta vida é toda a vida, e disto não há prova.

Não há dúvida que existe o mal; o de que pode haver dúvida é de que o mal vença, ou de que o mal representa justiça.

Qualquer mal que haja, ainda que dê em bem, é mal em si mesmo; não é porém, necessariamente injustiça. Pode ser o resultado de uma causa anterior, a nós incógnita; pode ser a provação para a conquista de um bem futuro, que desconhecemos.

Textos Filosóficos. Vol. I. Fernando Pessoa

¨O Nome da Rosa” e os poderes do Livro

“[…] pensara que todo livro falasse das coisas, humanas ou divinas, que estão fora dos livros. Percebia agora que não raro os livros falam de livros, ou seja, é como se falassem entre si. À luz dessa reflexão, a biblioteca pareceu-me ainda mais inquietante. Era então o lugar de um longo e secular sussurro, de um diálogo imperceptível entre pergaminho e pergaminho, uma coisa viva, um receptáculo de forças não domáveis por uma mente humana, tesouro de segredos emanados de muitas mentes, e sobrevividos à morte daqueles que os produziram, ou os tinham utilizado.”

“Labirinto espiritual, é também labirinto terreno. Poderíeis entrar e poderíeis não sair.”

“A biblioteca defende-se por si, insondável como a verdade que abriga, enganadora como a mentira que guarda”

“O bem de um livro está em ser lido. Um livro é feito de signos que falam de outros signos, os quais por sua vez falam das coisas. Sem um olho que o leia, um livro traz signos que não produzem conceitos, e portanto é mudo. Esta biblioteca talvez tenha nascido para salvar os livros que contém, mas agora vive para sepultá-los. Por isso tornou-se fonte de impiedade.”

“O livro é criatura frágil, sofre a usura do tempo, teme os roedores, as intempéries, as mãos inábeis. Se por séculos e séculos cada um tivesse podido tocar livremente os nossos códices, a maior parte deles não existiria mais. O bibliotecário portanto defende-os não só dos homens, mas também da natureza, e dedica sua vida a esta guerra contra as forças do olvido, inimigo da verdade.”

“Nós vivemos para os livros. Doce missão neste mundo dominado pela desordem e pela decadência. […].”

– Umberto Eco, em “O nome da Rosa”.

Grandes frases grandes livros: Sidarta

Sidarta — Hermann Karl Hesse

Olha, Kamala, a maioria das criaturas humanas é como folha arrancada, a flutuar e revolver-se no ar, até ir ao chão.

Outras, porém, se parecem com os astros que andam numa órbita fixa, sem que nenhum vento possa alcançá-los, e têm em si próprios sua lei e sua rota.

Entre todos os eruditos e samanas com os quais travei contato, um único era assim, um homem perfeito, que jamais poderei esquecer. É aquele Gotama, o Sublime, o criador da doutrina que conheces.

Dia a dia, milhares de discípulos ouvem essa doutrina; hora a hora, obedecem a seus preceitos. Mas todos eles são folhas arrancadas, uma vez que não possuem em si a doutrina e a lei.