Bukowski: escolhendo meus vícios 

“Portanto, caros leitores, se me derem licença, vou voltar pras putas, pros cavalos, e pra garrafa enquanto há tempo. 

Se isso contribui pra gente morrer, então, pra mim, parece bem menos repugnante ser responsável pela nossa própria morte do que qualquer outra moralidade que ande por aí, disfarçada com rótulos sobre Liberdade, Democracia, Humildade ou qualquer outra espécie de Papo Furado.”

– Crônica de um amor louco.

Herman Hesse, o Mestre e a Mente.

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Herman Hesse tinha o poder de escrever inúmeras estórias sobre a busca pelo autoconhecimento : Sidarta, Damien, O Lobo da Estepe entre outros. Está no panteão dos meus favoritos.

Em comum, seus livros tem como pano de fundo o desenvolvimento pessoal e a criação da personalidade, que não são elementos dados, mas criações individuais e constantes.

Sua obra é influenciada pela psicologia Junguiana e por símbolos religiosos, sendo altamente psicanalítica e permeada por uma certa melancolia, acredito que inerente à sua postura reflexiva.

Em Sidarta, temos o personagem principal inicialmente em um mundo que muitos considerariam perfeito : riqueza, luxo e proteção. Até o momento em que os excessos exteriores deixam de ter sentido e ele se joga em uma peregrinação pelo mundo após romper com seu pai.

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A saga de Sidarta por entender seu lugar no mundo e seu papel como homem, o levará a seguir mestres, a repetir doutrinas, depois a romper com as tradições, negar os antigos mestres, descobrir os prazeres das mulheres, o ardor do trabalho, voltará para a luxo do dinheiro, abandonará novamente as conveniências da vida, romperá com a família, se entrevistará com o próprio Buda e verá seu próprio filho repetir seu exemplo de insubordinação contra as ordens paternas.

Tudo para trilhar o próprio caminho e descobrir-se um homem inteiro. Ou melhor: para criar-se como um homem inteiro.

Em Damien, o personagem juvenil Sinclair trava uma viagem de autoconhecimento e choque existencial quando percebe que o mundo real nada tem a ver com as ilusões piedosas e protetoras ditas por seus pais.

O livro trata da amizade de Sinclair com o jovem Damien, personagem envolvente e precocemente maduro que possui uma personalidade firme e que influenciará a forma de Sinclair ver o mundo e posicionar-se como adulto, quebrando a casca da juventude. 

Em O Lobo da Estepe encontramos Harry Haller, um outsider, um misantropo de cinqüenta anos, alcoólatra e intelectualizado, angustiado e que não vê saída para sua tormentosa condição existencial, até conhecer um novo círculo de pessoas e iniciar uma viagem reflexiva sobre o mundo, a humanidade e sua própria pessoa.

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Herman Hesse também foi abordado nesse post do blog com frases e reflexões de suas obras.  

 

Fernando Pessoa niilista 

A levíssima brisa 

Que sai da tarde morna 

Na minha alma imprecisa — 

Imprecisão entorna.
Nada conduz a nada, 

Nada serve de ser 

No sossego da estrada 

Nada vejo viver.
Meu conhecer é triste 

O que é que tem razão? 

Nada, e o nada persiste 

Na estrada e no verão.

(Fernando Pessoa)

Krishna não abandona a luta 

Vendo Arjuna entristecido

Com os olhos rasos d’água

O supremo senhor Krishna

Disse as seguintes palavras:
Como foi que essa impotência

Tomou conta de você?

Ela não condiz com quem

Conhece o valor da vida

E ela não o levará 

Aos planetas celestiais

Mas à infâmia e à desonra
Ó descendente de Kunt

Não permita que a fraqueza

Domine o seu coração

Não é próprio de um guerreiro

Abandonar a batalha
Erga-se para lutar

Ó vencedor de inimigos

(Bhagavad Gita)