Grandes Frases Grandes Livros: O Nome da Rosa, notas sobre o Amor

” Ela me beijou com os beijos de sua boca, e os seus amores foram mais deliciosos do que o vinho e ao olfato eram deliciosos os seus perfumes, e era belo o seu pescoço entre as pérolas e suas faces entre os pingentes, como és bela amada minha, como és bela, os teus olhos são pombas (eu dizia),

e deixa-me ver a tua face, deixa-me ouvir a tua voz, pois a tua voz é harmoniosa e a tua face encantadora, deixaste-me louco de amor , deixaste-me louco com um olhar teu, com um único adereço de teu pescoço, favo gotejante são os teus lábios, leite e mel são a tua língua, o perfume do teu hálito é como o dos pomos, os teus seios em cachos, os teus seios como cachos de uva, o teu palato um vinho precioso que atinge diretamente o meu amor e flui nos lábios e nos dentes…

Fonte do jardim, nardo e açafrão, canela e cinamomo, mirra e aloé, eu comia o meu favo e o meu mel, bebia o meu vinho e o meu leite, quem era ela que se erguia como a aurora, bela como a lua, fúlgida como o sol, terrível como colunas vexilárias? ”

 

“Do único amor terreno de minha vida não sabia, e nunca soube, o nome.”

– Umberto Eco, em “O nome da Rosa”.

 

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Herman Hesse: esse mundo de mentes apagadas 

O que existe hoje não é comunidade, é simplesmente rebanho.

Os homens se unem porque têm medo uns dos outros, e cada um se refugia entre seus iguais: rebanho de patrões, rebanho de operários, rebanho de intelectuais…

E por que têm medo? Só se tem medo quando não se está de acordo consigo mesmo.

-Herman Hesse no livro Demian

Os pais da Ficção Científica: Júlio Verne, o explorador

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Julio Verne foi um dos escritores mais produtivos do séc. XIX, sendo um especialista em livros de aventuras. Seus mais de 100 livros levaram seus leitores a acompanhar peripécias em todos os continentes do planeta, havendo sempre amplas explicações sobre o povo, a cultura e a geografia dos locais por onde seus personagens passavam. O autor tinha o dom de compilar em suas obras centenas de horas de pesquisa que realizava de forma diligente a cada trabalho. 

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 Verne tornou-se também um precursor dos livros de ficção científica. Essa não era sua especialidade, sendo ele um escritor de aventuras clássicas. Mas sua imaginação fértil e pesquisa minuciosa levou a escrever obras que se tornaram berço de vários conceitos incipientes da ficção científica.

A Terra não era o bastante e seus personagens realizaram uma viagem à lua em “Da Terra a Lua”, relatando de forma minuciosa os preparativos e a matemática envolvida em uma viagem como essa que, não deixou de ter muitas coincidências com as efetivas viagens à lua patrocinadas pela NASA em fins dos anos 60 e início dos anos 70 do séc. XX, ou seja, quase 100 anos após a publicação de seu livro. Este não foi o primeiro livro a abordar uma viagem à lua, mas foi inédito no tratamento do tema. Uma parte considerável da obra é dedicada a explicar conceitos físicos, preparativos de construção do foguete, escolha do local de decolagem (aliás, bem próximo de Cabo Canaveral e pelos mesmos motivos de proximidade com a linha do Equador) etc…

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Em “20 mil léguas submarinas”, o autor explorou a energia atômica, relatando a construção e o uso de máquinas de transporte e de guerra utilizando o meio de energia, algo inédito na literatura.

Essas duas obras acima pavimentaram a fama de Julio Verne como escritor visionário e propagandista da ciência.

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Uma de suas obras mais conhecida é “Viagem ao Centro da Terra”, sendo este um livro de aventura tradicional de exploração não fosse a ida dos personagens ao centro do planeta, com o uso e o relato de instrumentos e técnicas científicas que – na época – eram consideradas de ponta e até então não haviam sido descritas em livros para o público em geral.

O foco de Julio Verne era a aventura, contar uma boa história com muitas peripécias e mudanças de enredo. Sua ligação com a ficção científica é secundária, mas sólida. Os conceitos científicos estavam presentes e sempre com rigor em suas pesquisas para demonstrar o ponto exato da técnica do período, extrapolando o que poderia ser descoberto ou usado nas décadas seguintes, mas sempre compromissado com fundamentos dentro do real e das ciências naturais.

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De maneira geral, suas obras são sempre positivas e com tom otimista no homem e na exploração científica.  Mas um de seus livros –  “Paris no séc. XX” –  foge desse script. Trata-se do único livro de Verne publicado postumamente, uma vez que seu editor aconselhou-o a não publicar a obra que divergia muito dos livros anteriores e do agrado de seus leitores.

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 “Paris no séc. XX” é uma obra pessimista e triste, mostrando a França do futuro com os homens cada vez menos interessados na cultura, escravos de aparelhos tecnológicos e científicos que não conseguem explicar o funcionamento por desconhecerem conceitos básicos das ciências, em uma sociedade que só se preocupa com o consumo e avessa à solidariedade.

De fato, Julio Verne era um visionário.  

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E não deixe de ler outro post dessa série em “Os pais da Ficção Científica: H. G. Wells, o illuminati

 

Bukowski: rejeições 

não se preocupe com rejeições, parceiro.

fumei 25 cigarros esta noite

e você sabe sobre a cerveja.

o telefone tocou apenas uma vez:

era engano.(No livro: O amor é um cão dos diabos.)

 

Se eu morresse agora, ninguém verteria uma lágrima em todo o mundo. Não que precisasse disso. Mas era estranho. Até onde um trouxa pode ficar solitário? (No livro: Pulp)

 

O melhor é esquecer de tudo, quando uma mulher se volta contra você. Elas podem te amar um tempo; mas um dia dá um click, e, então, veem você morrendo atropelado na sarjeta e ainda cospem em cima. (Do livro Mulheres)