Sartre e a desumanidade 

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Sartre tem uma postura radical sobre a liberdade humana. Não existindo valores pré determinados, não existindo qualquer essência humana anterior à existência do ser humano, somos aquilo que criamos no dia de um projeto pessoal e em um processo histórico com os demais. (como abordamos na primeira parte da análise).

Críticos do existencialismo sartreano o colocam ombro a ombro com o mais radical dos niilismos. Afinal, dizem, não havendo valores absolutos e anteriores, a postura de cada um de nós descambaria para um egoísmo e individualismo radicais. Se não existem valores corretos, tudo seria válido.

Sartre responde nos advertindo que o ser humano é um processo. Um devir. Que nossa vida é determinada pela liberdade  e que podemos e devemos estabelecer os valores de convivência. E que tais valores podem ser feitos e refeitos em busca da melhor convivência e dignidade. Nascemos em circunstâncias estabelecidas e não escolhidas – a situação – que trazem consigo um escopo diferente de possibilidades para cada um; mas em qualquer situação existe sempre a liberdade de escolher agir, conformar-se ou omitir-se.

Não existem valores humanos pré existentes. Não há desumanidade em estado essencial. O que há são nossas escolhas: pessoais e coletivas. A existência precede a essência. Seremos aquilo que construirmos de nós mesmos.

O existencialismo de Sartre é o humanismo radical. Enquanto o iluminismo projetou a razão como um guia interno e infalível nas rotas da vida, acessível por todos e que nos daria uma visão comum; o existencialismo nega essa primazia pré existente. O que existe são decisões pessoais e coletivas- nem sempre racionais, definitivamente sem o amparo de qualquer tabela de valores metafísicos e firmemente ancorados no processo histórico.

Assim, como não existe um conceito prévio e transcendente de humanidade, também não existe um mal absoluto definido por Deus, pela Alma ou por uma essência de maldade ainda que atingida unicamente pela razão.

Como disse o filósofo, em suas próprias palavras: “As mais atrozes situações de guerra, as piores torturas, não criam um estado de coisas inumano; não há situação inumana; é somente pelo medo, pela fuga e pelo recurso a condutas mágicas que irei determinar o inumano. Mas essa decisão é humana e tenho que assumir total responsabilidade por ela” (Sartre, “o ser e o nada”).

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Nietzsche: os erros dos homens 

Os Quatro Erros

A educação do homem foi feita pelos seus erros: em primeiro lugar, ele nunca se viu senão imperfeitamente; em seguida, atribuiu-se qualidades imaginárias; em terceiro, sentiu-se em relações falsas diante da natureza e do reino animal; em quarto, nunca deixou de inventar tábuas do bem sempre novas e tomou cada uma delas durante um certo tempo como eterna e absoluta, de tal maneira que o primeiro lugar foi ocupado sucessivamente por este ou aquele instinto ou este ou aquele estado que enobrece esta apreciação. 

Ignorar o efeito destes quatro erros é suprimir a humanidade, o humanitarismo e a «dignidade humana». 

Friedrich Nietzsche, in ‘A Gaia Ciência’

Nietzsche e os mistérios  

“A verdadeira questão é: Quanta Verdade consigo Suportar?”

Em Ecce Homo.


“O verdadeiro homem quer duas coisas: perigo e jogo. Por isso quer a mulher: o jogo mais perigoso.”

 Em Assim Falou Zaratustra
” Os povos só são tão enganados porque procuram sempre um enganador, isto é,um vinho excitante para seus sentidos.”

Em Aurora
 “Nenhum vencedor acredita no acaso.”                                                    Friedrich Nietzsche