Religião para Ateus (Alain de Botton)

Pequenas entrevistas e inserções com o filósofo Alain de Botton sobre a desnecessidade da religião para  a vivência dos conceitos morais e o papel da Arte na criação da concepção de nossos ideais e valores.

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Resenha de Livros de 2015 – parte 5

Livros, livros, livros…. chegamos na quinta resenha do ano e não vou perder tempo. Passemos direto para as obras. E se você perdeu as outras dicas do ano (onde você estava que não lia o blog?), pode verificar aqui nas parte 1, parte 2, parte 3 e parte 4.

Boas leituras e aceito comentários e dicas!

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Pecar e Perdoar – Leandro Karnal

Excelente livro sobre a condição humana, nossos pecados e a noção do perdão. Um dos melhores que li esse ano.

O autor tem o texto bíblico como referência para nos trazer exemplos e interpretações filosóficas e psicanalíticas sobre a vaidade, o orgulho e toda uma série de características que desenvolvemos individual e coletivamente.

O perdão é tratado tanto do ponto de vista de Deus, nas histórias bíblicas, mas de forma muito mais interessante quando aborda a habilidade e as dificuldades que nós temos e encontramos de perdoar ao próximo e a nós próprios.

Não é um livro religioso. Mas é sobre religião e de como criamos a religião como um produto cultural. O autor é ateu e profundamente versado nas obras religiosas. Não é um livro contra a religião e nem de ataque a qualquer fé. Na verdade, é um dos livros mais bonitos que eu li sobre fé (e a falta dela), a construção da cultura e do sentimento religioso e de como lidamos com nossos defeitos e desejos no dia a dia. 

Quem já assistiu as palestras de Leandro Karnal (e temos várias no site discutindo relações afetivas, o aspecto religioso da humanidade e a modernidade aqui, aqui e aqui) sabe de seu traço irônico ao abordar os mais variados assuntos. Os comentários ferinos estão todos neste livro junto com a erudição que é peculiar ao autor. Não consegui parar até chegar na última página. Para reler várias e várias vezes.      

 

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Os dez mandamentos (+1) – Luis Felipe Pondé

Nesta obra, o filósofo faz um recorte dos 10 mandamentos bíblicos e os analisa sob a luz dos dias modernos.

A sociedade atual é bem diferente da sociedade agropastoril que gestou os 10 mandamentos, mas os nossos defeitos e a necessidade de freá-los parecem não ter mudado tanto. Tem alguma coisa psicanalítica nisso que ultrapassa o abismo temporal. 

Como em todos os livros do Pondé, este traz uma infinidade de referências literárias e até de cinema para mostrar como o tema ainda é relevante para nós em pleno século XXI.  

O tema do livro é interessante, mas o ritmo é muito arrastado. Particularmente, não está entre os meus livros preferidos do Pondé.

Temos algumas palestras dele no blog discutindo as relações afetivas, Shakespeare e tirania da felicidade aqui, aqui e aqui.  

 

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Notícias, manual do usuário – Alain de Botton

A premissa do livro é ótimo: assim como o homem antigo se voltava para a religião em busca de sentido e respostas, o homem moderno se volta diariamente para as notícias televisas e para a imprensa para saber o que pensar do mundo. Mas nem sempre milhões de fatos expostos diariamente conseguem construir uma narrativa com sentido do mundo. 

O livro discute a forma parcial, tendenciosa e por vezes sensacionalista que os grandes veículos de imprensa escolhem determinados recortes da vida para exibir nos jornais diários e de como essa escolha específica influencia nossa visão e sensibilidade.

A obra é interessante, mas fica bem repetitivo depois de alguns capítulos.

Também temos alguns documentários apresentados pelo filósofo Alain de Botton no Blog sobre a ansiedade de status e a busca de felicidade: aqui, aqui e aqui.  

Resenha de Livros de 2015 – parte 4

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E nessa reta final de 2015, o Blog Opinião Central chega com mais algumas resenhas e dicas dos livros devorados neste ano.

Para recordar, você pode acessar as outras três partes das resenhas de 2015 nos links abaixo abrangendo romances, filosofia e análise histórica:

parte 1 (Guerra dos Tronos, Eu Robô)

parte 2 (Tempos fraturados, Pós escrito a ‘O nome da rosa’, Filosofia entre a religião e a ciência)

parte 3 (Religião para ateus, 2010 – uma odisséia no espaço parte 2)

Lembrando que os links das resenhas dos livros do ano 2014 podem ser todos acessados aqui: parte 1, parte 2, parte 3, parte 4, parte 5 e parte 6. São dezenas de livros nos mais diversos temas.

Continuando no tema livros, os posts sobre meus livros preferidos encontram-se aqui: parte 1, parte 2 e parte 3.

E por fim, para organizar todos os links sobre livros, nossa lista dos “Manuais de filosofia para iniciantes e curiosos” permanece ativa, assim como um rol de sugestões dos textos originais dos autores para aprofundamento nos estudos da filosofia, sociologia e psicologia.   

Boas leituras!

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Na quarta parte dessa série 2015, temos uma longa lista:

asimov1) Robôs da Alvorada – Isaac Asimov

Trata-se da terceira parte dos romances de robôs estrelados pelo policial Elijah Baley e seu parceiro robótico Daneel Olivaw, seguindo a evolução dos personagens e os desdobramentos dos eventos descritos em Cavernas de Aço e O Sol Desvelado.

Neste capítulo, um robô tão avançado quanto Daneel é assassinado no mundo de Aurora, levando o agente Baley a reencontrar e suspeitar ao longo da investigação de rostos conhecidos dos romances anteriores.

Mantendo a linha da série, Baley e Daneel funcionam como um Sherlock Holmes e Watson da era espacial, com investigação de cenários, entrevistas com suspeitos, perseguições e pistas falsas. Tudo isso com o toque típico de Isaac Asimov para a ficção científica, descrevendo as colônias espaciais, os hábitos extraterrenos, as tecnologias do futuro e as armações políticas envolvendo a colonização espacial e a expansão da humanidade no cosmos.

Neste livro, começa a surgir a ciência que, na série Fundação será conhecida como psico-história: um estudo que une matemática e sociologia, enxergando e prevendo padrões de comportamento humano e, assim, planejando e projetando o futuro da sociedade. Desse modo, em Os Robôs da Alvorada, os humanos já começam a vislumbrar a possibilidade de ter total controle sobre o futuro da espécie. Tratado com festa nesse livro, sabemos das outras séries de Asimov os desdobramentos negros da psico-história. Mas é muito interessante ver como o escritor amarra aos poucos uma série na outra – que se passam no mesmo universo criativo mas com milhares de anos de interlúdio.

Eu gostei mais dos dois primeiros volumes da série (As Cavernas de Aço e O Sol Desvelado) que tinham um ar de novidade e montagem desse universo onde a humanidade começa a se lançar na conquista de outros planetas.

Este terceiro volume da série Robôs tem um certo ar de repetição, mas continua com a qualidade típica de Asimov e tem todos os elementos que tanto sucesso fizeram nos primeiros livros. Existe uma quarta e última parte (“Robôs e o Império”) que faz a ligação da série de livros e contos sobre robôs com a série de livros sobre o Império Galáctico, onde milhares de anos no futuro a humanidade está bem estabelecida em toda a galáxia e a Terra é um evento esquecido no tempo.

Cronologicamente, depois da série Robôs, segue-se o Império Galáctico e por fim as obras da Fundação, com o ocaso do Império, a queda na barbárie e o estabelecimento de um novo ciclo de desenvolvimento da humanidade. Sobre a vida de Isaac Asimov, confira esse post no Blog Opinião Central.

E para conferir outras obras de Asimov tratadas nesse Blog verifique nossos posts com análises dos livros “Eu, Robô“, a trilogia original de Fundação e “O fim da eternidade .

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2) As consolações da Filosofia – Alain de Botton

Os livros de Alain de Botton me lembram sempre a obra de Sêneca, pois trazem aspectos e explicações da filosofia aplicados ao dia a dia. Não encontramos jargões técnicos, análises complexas e nem precisamos recorrer a um manual para entender o significado de um parágrafo. É uma espécie de livro de autoajuda mas com conteúdo.

Nesta obra, o escritor traz seis grandes inadequações que qualquer ser humano já teve na vida e nos brinda com a vida e com os pensamentos de seis grandes filósofos e de como eles abordaram ou encararam os mesmos problemas.

Assim temos consolações para a impopularidade e para momentos em que o mundo volta-se contra você na análise da vida de Sócrates e em seu julgamento pelo povo de Atenas.

As consolações para quando não se tem dinheiro suficiente são encontradas nas palavras de Epicuro, filósofo que defendia os prazeres da vida. Ao contrário do hedonismo irrefletido que hoje associamos ao vocábulo “prazer”, para Epicuro os prazeres a serem perseguidos eram os valores da amizade, da vida simples, da reflexão e análise pessoal dos defeitos e o comedimento nas paixões.  

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A ira e a frustração são abordados no estudo da vida de Sêneca, o rico politico e filósofo estóico, tutor do Imperador Romano Nero e que por fim teve seus bens confiscados, banido para os confins do Império por anos e recebeu a ordem de cometer suicídio.

Os corações partidos vão encontrar um capítulo dedicado a Schopenhauer, o mais pessimista dos filósofos e um alerta contra a rabugice. A inadequação intelectual com o meio onde vivemos é abordada na vida e na obra de Montaigne e o sacrifício e a luta para vencer as adversidades é tratada com a obra de Nietzsche.

Tudo em linguagem simples e abordando os principais pontos de cada autor. Virou um dos preferidos do Blog. O livro traz quase os mesmos temas de uma série de documentários apresentados por Alain de Botton e que podem ser encontrados no Blog Opinião Central: a) Sócrates e a autoconfiança,  b) Sêneca e a raiva, c) Schopenhauer e o amor, d) Nietzsche e o sofrimento e e) Montaigne e a autoestima.   

 

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3) “Kafka para sobrecarregados” e “Herman Hesse para desorientados” de Allan Percy

Cada capítulo dos livros dessa série inicia-se com um adágio ou reflexão encontrado nas obras do autor do título. Assim, em “Kafka para sobrecarregados” temos uma lista de frases extraídas dos livros do escritor tcheco e em “Herman Hesse para desorientados” temos vários pensamentos retirados sobretudo das cartas que Hesse escrevia em resposta aos seus leitores.

Infelizmente o capítulo dedicado a cada um desses adágios ou reflexões não traz muitas referências às obras e nem se presta a iluminar a biografia dos autores usados no título. No meio de rápidas explicações temos muito autoajuda da mais simplória e corriqueira. Mas pelo menos os livros valem pela introdução de cada capítulo.

 

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4) Sidarta e Damien – Herman Hesse

Resolvi abordar os dois livros na mesma análise pois ambos tratam do mesmo tema: a viagem pelo autoconhecimento, um tópico que me agrada particularmente na vida.

Em Sidarta, temos o personagem principal inicialmente em um mundo que muitos considerariam perfeito com riqueza, luxos e proteção. Até o momento em que os excessos exteriores deixam de ter sentido e ele se joga em uma peregrinação pelo mundo após romper com seu pai.

A saga de Sidarta o levará a seguir mestres, a repetir doutrinas, depois a romper com as tradições, negar os antigos mestres, descobrir os prazeres das mulheres, o ardor do trabalho, voltará para a luxo do dinheiro, abandonará novamente as conveniências da vida, romperá com a família, se entrevistará com o próprio Buda e verá seu próprio filho repetir seu exemplo de insubordinação contra as ordens paternas… tudo para trilhar o próprio caminho e descobrir-se um homem inteiro.

Em Damien, o personagem juvenil Sinclair trava uma viagem de autoconhecimento e choque existencial quando percebe que o mundo real nada tem a ver com as ilusões piedosas e protetoras ditas por seus pais. O livro trata da amizade de Sinclair com o jovem Damien, personagem envolvente e precocemente maduro que possui uma personalidade firme e que influenciará a forma de Sinclair ver o mundo.

Os livros de Herman Hesse tem em comum o pano de fundo do desenvolvimento pessoal e a criação da personalidade, que não é um elemento dado, mas uma criação individual e constante. São profundamente influenciados pela psicologia Junguiana e por símbolos religiosos, sendo altamente psicanalíticos e permeados por uma certa melancolia.  Herman Hesse também foi abordado nesse post do blog com frases e reflexões de suas obras.  

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