Bauman: amores fugazes e amores que insistem

As pessoas seguem a correnteza, obedecendo às suas rotinas diárias e antecipadamente resignadas diante da impossibilidade de mudá-la, e acima de tudo, convencidas da irrelevância e ineficácia de suas ações ou de sua recusa em agir.”

(…) “O que aprendemos com a amarga experiência é que essa situação de ter sido abandonado à própria sorte, sem ter com quem contar quando necessário, quem nos console e nos dê a mão, é terrível e assustadora.

Mas nunca se está mais só e abandonado do que quando se luta para ter a certeza de que agora existe de fato alguém com quem se pode contar, amanhã e depois, para fazer tudo isso se – quando – a roda da fortuna começar a girar em outra direção.”

(…) “Sem humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exigidas, em escalas enormes e contínuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não-mapeada.

E é a esse território que o amor conduz ao se instalar entre dois ou mais seres humanos.”

Zygmunt Bauman, Amor líquido

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Zygmunt Bauman: mundo de incertezas 

A incerteza foi sempre o chão familiar da escolha.

A incerteza é o habitat natural da vida humana – ainda que a esperança de escapar da incerteza seja o motor de atividade de atividades humanas. Escapar da incerteza é um ingrediente fundamental presumido, de todas e quaisquer imagens compósitas da felicidade genuína, adequada e total sempre parece residir em algum lugar à frente: tal como o horizonte, que recua quando se tenta chegar mais perto dele.

Zygmunt Bauman

Zygmunt Bauman: desvios de conduta 

“Um dos sintomas mais evidentes da “sociedade líquida” em que vivemos é a intolerância da massa social diante de tudo aquilo que de alguma maneira se considera como desvio de conduta ou que destoa dos padrões vigentes. 

Todo tipo de comportamento ou modo de ser que supostamente não se coaduna com nossos princípios particulares torna-se digno de nosso mais terrível desprezo, pois no fundo queremos ver estampado no rosto do “outro” um pouco daquilo que nós mesmos somos.”

Zygmunt Bauman 

Zygmunt Bauman: a Babel pós- moderna 

“No fim das contas, entre a Babilônia imaginada por Borges e o mundo que a modernidade outrora nos prometeu – que Jean Paul Sartre captou na frase sublime ‘le choix que je suis’ (‘a escolha que eu sou’) – jaz o interregno no qual estamos vivendo agora: um espaço e um tempo estendidos, móveis, imateriais, sobre os quais reina o princípio da heterogenia de fins, talvez como nunca antes. Uma desordem que é nova, mas ainda assim babélica.” 

Trecho de “Babel”, novo livro de Zygmunt Bauman.