Palavras de Buda

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Comentários de Osho sobre o Zarathustra de Nietzsche e sua relação com Buda

Comentários de Osho sobre o Zarathustra de Nietzsche e sua relação com Buda

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Zarathustra divide a evolução da consciência em três símbolos: o camelo, o leão e a criança.

O camelo é um animal de carga, pronto para ser escravizado, nunca rebelde. Ele jamais consegue dizer ‘não’: é um crente, um seguidor, um escravo fiel. Este é o mais baixo nível da consciência humana.
O leão é uma revolução. O princípio da revolução é um sagrado ‘não’.

Na consciência do camelo, há sempre uma necessidade de alguém conduzir e de alguém para lhe dizer: “Tu deves fazer isto.”. Ele precisa dos Dez Mandamentos. Precisa de todas as religiões, de todos os sacerdotes e de todas as escrituras sagradas, porque ele não pode confiar em si mesmo; não tem nem coragem e nem alma e nem qualquer desejo pela liberdade: é obediente.

O leão é um anseio profundo pela liberdade, um desejo de destruir todos os aprisionamentos. O leão não tem necessidade de nenhum líder – ele é suficiente em si mesmo. Não permitirá que ninguém diga a ele: “Tu deves.”- isto é insultante para o seu orgulho. Ele só pode dizer: “Eu quero.”. O leão é responsabilidade e um tremendo esforço para se livrar de todos os aprisionamentos.

Mas, mesmo o leão não é o mais alto pico do crescimento humano. O mais alto pico é quando o leão passa também por uma metamorfose, e se torna uma criança. A criança é inocência. Não é obediência, não é desobediência; não é crença, não é descrença: é pura confiança; é um sagrado ‘Sim!’ à existência e à vida e a tudo que esta contém.

A criança é o verdadeiro pico de pureza… sinceridade… autenticidade… receptividade e abertura à existência.

Esses símbolos são belíssimos. Nós iremos nos aprofundando nas implicações desses símbolos, à medida que Zarathustra os for descrevendo, um a um.
“Nomeio para vós as três metamorfoses do espírito: como o espírito tornar-se-á um camelo e o camelo um leão; e o leão, finalmente, uma criança.
“Há muitos pesos para o espírito, para o espírito forte, portador de peso, no qual habita o respeito e o temor: sua força anseia pelo pesado, pelo mais pesado.”

Zarathustra não é a favor dos fracos, a favor dos pretensos humildes. Ele não está em concordância com Jesus, de que “Abençoados são os mansos.”, de que “Abençoados são os pobres.”, de que “Abençoados são os humildes, pois eles herdarão o Reino de Deus.”. Zarathustra é absolutamente a favor do espírito forte. Ele é contra o ego, mas não contra o orgulho. O orgulho é a dignidade do homem. O ego é uma entidade falsa e não se deve pensar neles, jamais, como sinônimos.

zarathustra_by_islingt0ner-d43f73xO ego é algo que o priva da sua dignidade, que o priva de seu orgulho, porque o ego tem de depender dos outros, da opinião dos outros, do que as pessoas dizem. O ego é muito frágil. A opinião das pessoas pode mudar e o ego desaparecerá no ar.

Estou me lembrando de um grande pensador… Voltaire…
Nos dias de Voltaire, na França, havia um costume – uma antiga tradição – de que se você pudesse tirar alguma coisa de um gênio, mesmo que fosse só uma peça de roupa, isso o ajudaria a encontrar os seus próprios talentos, se não fizesse de você mesmo um gênio.

Voltaire era tão honrado e respeitado como um grande pensador e filósofo, que ele precisava de proteção policial até para o seu passeio matinal. Se ele fosse para a estação ferroviária, seria preciso proteção policial. A proteção policial era necessária, porque as pessoas se juntavam e começavam a rasgar as suas roupas. Havia ocasiões em que ele chegava em casa quase nu, com arranhões no corpo, sangrando; e ele ficava muito perturbado pela fama e pelo seu grande nome.

Ele escreveu em seu diário: “Eu achava que ser famoso fosse algo excelente. Agora, sei que é uma maldição. E, de algum modo, eu quero ser comum, anônimo, novamente; que ninguém me reconheça, que eu possa passar e ninguém me note. Estou cansado de ser famoso, de ser uma celebridade. Tornei-me um prisioneiro na minha casa. Não posso nem mesmo sair para um passeio quando o céu está tão colorido e o pôr-do-sol está tão bonito. Fico com medo da multidão.”.

A mesma multidão tinha feito dele um grande homem.

Após dez anos, ele anotou no seu diário, com grande depressão e tristeza: “Eu não tinha consciência de que minhas preces seriam ouvidas.”.
As modas mudam e as opiniões das pessoas mudam. Alguém é famoso hoje; amanhã, ninguém se lembra dele. Alguém não é conhecido hoje e, amanhã, subitamente, eleva-se às alturas da fama. E isso aconteceu no caso de Voltaire. Lenta, lentamente, novos pensadores, novos filósofos surgiram no horizonte. Especificamente, Rousseau tomou o lugar que Voltaire ocupava outrora – e as pessoas se esqueceram de Voltaire. A memória das pessoas não é muito confiável.

As opiniões mudam exatamente como as modas. Outrora, ele estivera na moda, agora, uma outra pessoa estava na moda. Rousseau era contra cada idéia de Voltaire; sua fama destruiu Voltaire completamente. As preces de Voltaire foram atendidas: ele tornou-se anônimo. Agora, nenhuma proteção policial era necessária. Agora, ninguém se incomodava nem mesmo para lhe dizer: “Olá!”. As pessoas tinham se esquecido completamente dele.
Somente então, ele percebeu que ser um prisioneiro era melhor. “Agora, estou livre para andar por aí, mas isso fere. E a ferida vai se tornando cada vez maior – estou vivo e parece que as pessoas pensam que Voltaire está morto.”.

Quando ele morreu, somente três pessoas e meia acompanharam-no até o cemitério. Vocês devem estar surpresos: “Por que três e meia?”. Porque três eram pessoas… e o seu cão só poderia ser contado como meia. Era o cão quem conduzia a procissão.

O ego é um subproduto da opinião pública. Ele é dado a você, por ela; ela pode afastá-lo de você. O orgulho é um fenômeno totalmente diferente.
O leão tem orgulho. O veado na floresta – basta olhar! – tem um orgulho, uma dignidade, uma graça. Um pavão dançando, ou uma águia voando no céu distante – eles não têm egos, não dependem da sua opinião – são simplesmente dignificados pelo que são. A dignidade deles surge do seu próprio ser. Isso tem de ser compreendido, porque todas as religiões têm estado a ensinar às pessoas a não serem orgulhosas – “Seja humilde!”. Elas criaram uma incompreensão por todo o mundo, como se ser orgulhoso e ser um egoísta fossem sinônimos.

imagesZarathustra deixa absolutamente claro que ele é a favor do homem forte, do homem corajoso, do aventureiro que entra no desconhecido, por caminhos não trilhados, sem nenhum medo. Ele é a favor do destemor.

E é um milagre que um homem de orgulho – e somente um homem de orgulho – possa se tornar uma criança.

A chamada humildade cristã é apenas ego de cabeça para baixo. O ego virou-se de cabeça para baixo, mas está presente; e vocês podem ver em seus santos que eles são mais egoístas do que as pessoas comuns. São egoístas devido à sua piedade, à sua espiritualidade, à sua santidade, até a sua humildade. Ninguém é mais humilde do que eles. O ego tem um modo muito sutil de entrar pela porta dos fundos. Você pode jogá-lo fora pela porta da frente… ele sabe que há também a porta dos fundos.

Ouvi contar que, certa noite em um barzinho, um homem estava bebendo demais e
causando prejuízo demais – atirando coisas, batendo nas pessoas, gritando, insultando-as e sempre pedindo por mais bebidas.

Finalmente, o proprietário do barzinho lhe disse: “Chega! Por hoje, você não vai conseguir mais bebidas.”. E mandou que os empregados o atirassem para fora, pela porta da frente.
Embora ele estivesse completamente bêbado, mesmo na sua bebedeira ele se lembrou de que havia uma porta nos fundos. Tateando no escuro, ele veio pela porta dos fundos e pediu algo para beber.
O proprietário disse: “De novo?!… Já lhe disse que por hoje você não vai mais conseguir nenhuma bebida.”.

O homem disse: “Que coisa estranha! Você é dono de todos os bares da cidade!?…”.

O ego conhece não apenas a porta dos fundos – ele pode vir até pelas janelas. Ele pode entrar até removendo uma pequena telha no telhado… Vocês são tão vulneráveis no que concerne ao ego!…

Zarathustra não é um professor de humildade, porque todos os ensinamentos de humildade fracassaram. Ele ensina a dignidade do homem. Ele ensina o orgulho do homem e ensina o homem forte, não o fraco, o pobre e o manso. Esses ensinamentos ajudaram a manter a humanidade no estágio do camelo. Zarathustra quer que você passe por uma metamorfose. O camelo tem de se transformar num leão – e ele escolheu símbolos lindos, muito significativos e significantes!

O camelo, talvez seja o mais feio animal em toda a existência. Você não pode fazer melhorias naquela feiúra. O que mais você poderia fazer?… Ele é uma distorção. Parece ter vindo diretamente do inferno!

Escolher o camelo como a mais baixa consciência é perfeitamente certo.

A mais baixa consciência no homem é uma deformidade: ela quer ser escravizada – ela tem medo da liberdade, porque tem medo da responsabilidade; está pronta a ser sobrecarregada com tanta carga quanto possível – rejubila-se em ser sobrecarregada. Assim age a mais baixa consciência, sendo lotada com conhecimento que lhe é emprestado. Nenhum homem de dignidade permitirá a si mesmo ser sobrecarregado com conhecimento tomado emprestado, pois este está carregado da moralidade que tem sido passada das mãos dos mortos para a dos vivos. Nenhum homem de dignidade permitirá que o morto o governe.

A mais baixa consciência do homem permanece ignorante e inconsciente, alheia, adormecida – porque, continuamente, está sendo dado a ela o veneno da crença, da fé, do nunca duvidar, do nunca dizer não. E um homem que não pode dizer ‘não’, perdeu a sua dignidade. E, num homem que não pode dizer ‘não’, os olhos não significam nada. Vêem as implicações?… O ‘sim’ é significativo, somente depois de você ser capaz de dizer ‘não’. Se você é incapaz de dizer ‘não’, seu ‘sim’ é impotente, não significa nada.

Desse modo, o camelo tem de se transformar em um lindo leão, pronto para morrer, mas nunca pronto para ser escravizado. Não se consegue fazer de um leão um animal de carga.

Um leão tem uma dignidade que nenhum outro animal pode suster; ele não tem qualquer tesouro, qualquer reino; sua dignidade está apenas no seu estilo de ser – destemido, sem medo do desconhecido, pronto para dizer ‘não’, até mesmo sob o risco de morte.
Essa prontidão para dizer ‘não’, essa rebeldia, limpa-o de toda a sujeira que o camelo deixou – de todos os sinais e pegadas que o camelo deixou.E somente depois do leão – depois do grande ‘não’-, o sagrado ‘sim’ de uma criança é possível.

A criança diz ‘sim’, não porque esteja com medo. Ela diz ‘sim’, porque ama, porque confia. Diz ‘sim’, porque é inocente – não pode imaginar que possa ser enganada. Seu ‘sim’ é uma tremenda confiança. Não vem do medo: vem da profunda inocência. Somente esse “Sim!” pode conduzi-lo ao supremo pico da consciência, que eu chamo de divindade.

“Há muitos pesos para o espírito, para o espírito forte, portador de peso, no qual habita o respeito e o temor: sua força anseia pelo pesado, pelo mais pesado.”

“O que é pesado?’- assim pergunta o espírito portador de peso; nessas condições, ele se ajoelha como um camelo, desejando ser bem sobrecarregado.”
Para o camelo – para a mais baixa espécie de consciência -, há um desejo intrínseco de se ajoelhar e ser sobrecarregado com tanta carga quanto possível.

“‘Ó, heróis, qual é a coisa mais pesada’- assim pergunta o espírito portador de peso – ‘para que eu possa levá-la sobre mim e rejubilar-me em minha força?’”
Mas, para o homem forte, para o leão em você, o mais pesado toma um significado diferente e uma diferente dimensão: porque eu posso “levá-la sobre mim e rejubilar-me e rejubilar-me em minha força”. Sua única alegria é sua força. A alegria do camelo é somente ser obediente, servir, ser um escravo.

“Não será isto: rebaixar a si mesmo a fim de ferir seu orgulho?
“Ou será isto: desertar da nossa causa quando ela está celebrando sua vitória? Subir altas montanhas a fim de tentar o tentador?
“Ou será isto: amar aqueles que nos desdenham e oferecer nossa mão ao fantasma, quando ele quer nos amedrontar?
“O espírito portador de peso toma sobre si todas essas coisas mais pesadas: como um camelo correndo, sobrecarregado, pelo deserto; e dessa forma, ele corre para dentro do seu próprio deserto.”

A mais baixa consciência do homem conhece somente uma vida do deserto, onde nada cresce, onde nada é verde, onde nenhuma flor brota, onde tudo é morto e – tanto quanto vocês possam ver – é um vasto cemitério.

“Mas, no deserto solitário, ocorre a segunda metamorfose: o espírito aqui se torna um leão;(…)”
Há momentos, até na vida daqueles que estão tateando no escuro e na inconsciência, quando, exatamente como um relâmpago, algum incidente os acorda… e o camelo não é mais um camelo: uma metamorfose, uma transformação acontece.
Gautama Buda deixou seu reino quando tinha vinte e nove anos de idade, e a razão foi um súbito relâmpago: e o camelo se tornou um leão.

superQuando ele nasceu, todos os grandes astrólogos do reino foram chamados, porque ele era o único filho do Grande Imperador – e ele nasceu quando o Imperador já estava ficando velho. Esta foi sua prece durante a vida inteira, o desejo de sua vida inteira: ter um filho. Caso contrário – quem iria sucedê-lo? Por toda a sua vida ele esteve lutando, invadindo e criando um vasto império. Para quem?!…

Houve um grande júbilo quando Gautama Buda nasceu – e ele queria, saber em detalhes, o futuro da criança. Todos os grandes astrólogos reuniram-se no palácio. Discutiram durante horas e o rei ficava perguntando repetidamente: “Qual é a conclusão de vocês? Por que estão demorando tanto?”.

Finalmente, o mais novo – porque todos os velhos estavam se sentindo muito embaraçados: “O que dizer?…”. A situação era de tal ordem… eles estavam todos de acordo… Mas o mais novo ficou de pé de disse: “Estas são pessoas idosas e não querem dizer nada que possa ferir-vos. Mas, alguém tem de quebrar o gelo.
“Vossa Majestade tem um filho realmente estranho. Seu futuro não pode ser predito definitivamente, porque ele tem dois futuros. Durante horas estivemos discutindo: “Qual é o que pesa mais?” Ambos têm igual peso!… Nós nunca nos deparamos com uma criança assim.”.

O rei disse: “Não se preocupe. Fale-me precisamente, mas diga-me a verdade.”.
E o astrólogo disse, com a concordância de todos: “Ou o vosso filho se tornará o maior imperador que o mundo já conheceu – um chakravartin -, ou ele renunciará ao reino e se tornará um mendigo. Eis por que estávamos demorando e também não estávamos encontrando as palavras para lhe dizer. Ambas as possibilidades têm peso igual.”.

O rei ficou muitíssimo espantado e pediu: “Vocês podem me aconselhar? Há algum modo de ele não renunciar ao mundo e de não se tornar um mendigo?”.
Eles sugeriram todas as espécies de medidas; especialmente, que ele não deveria ficar a par da doença, da velhice, da morte, dos saniássins. Ele deveria ser mantido de um tal modo… quase cego para essas realidades, porque qualquer coisa poderia dar início à idéia de renunciar ao mundo.
O rei disse: “Não se preocupem. Desse tanto eu posso cuidar.”.

Três grandes palácios foram construídos para ele, para as diferentes estações do ano. Desse modo, ele jamais sentiu calor, ou frio, ou viu chuva demais. Todas as espécies de conforto foram planejadas. Os jardineiros receberam ordens, de que: “Não lhe deve ser permitido ver nenhuma folha morta, nenhuma flor que esteja murchando. Assim, à noite, limpem o jardim, completamente, de todas as flores velhas, de todas as folhas velhas. Ele deve permanecer consciente apenas da juventude, das flores novas.”.

E ele foi cercado por todas as belas moças do reino, quando ele atingiu a idade própria. Todo o seu tempo não era nada mais que prazer, distração, música, dança, lindas mulheres… e ele não tinha visto alguém nem doente.
Foi aos vinte e nove anos… Nesse tempo, havia uma festa anual – uma espécie de festival da juventude – e o príncipe tinha de inaugurá-la. Havia anos, ele a vinha inaugurando. As estradas eram fechadas, o povo tinha de esconder os homens velhos e as mulheres velhas atrás das portas… Mas, nesse ano…

A história é muito bonita. Até aqui, parece ser algo histórico. Deste ponto em diante, alguma coisa de mitologia penetra, mas a mitologia é mais importante do que os fatos históricos.
A história é que, os deuses no céu… Vocês devem ficar a par de que o jainismo e o budismo não acreditam em “um só deus”; acreditam que todos os seres se encaminham para “ser um deus, ao final”. Zarathustra concordará com eles: ser um deus é o potencial de todo mundo. Quanto tempo leve, depende de cada um; mas esse é o seu destino. E milhões de pessoas alcançaram esse ponto: elas não têm corpo físico, vivem na eternidade, na imortalidade.
Os deuses no céu ficaram muitíssimo aborrecidos, porque quase vinte e nove anos haviam se passado: um homem destinado a tornar-se um grande ser iluminado está sendo impedido pelo pai. Ser um grande imperador é insignificante em comparação a se tornar o maior acordado na história, porque isso elevará a consciência da humanidade e de todo o universo.

Digo que isso é não-histórico, mas a mitologia é mais significante porque ela mostra que toda a existência está interessada no seu crescimento, que a existência não é indiferente a você. E se você estiver muito perto da floração, a existência estará pronta para trazer a sua primavera tão logo quanto seja possível. A existência tem um interesse no investimento do seu despertar, porque o seu despertar vai acordar muitas pessoas.
E, como uma regra geral, toda a consciência da humanidade será afetada por isso. Isso imprimirá algo de sua grandiosidade em cada ser humano inteligente. Talvez possa criar o anseio profundo pelo mesmo, em muitos – talvez a semente possa começar a germinar. Talvez, aquilo que está dormente se torne ativo, dinâmico.

Eis por que eu digo que esta parte mitológica é muito mais significativa do que os fatos históricos. Pode ser pura ficção, mas é tremendamente simbólica.
As estradas foram fechadas; então, os deuses decidiram que um deus apareceria: primeiro, como um homem doente, tossindo, ao lado da carruagem dourada, na qual Gautama Buda estava indo para inaugurar o festival anual da juventude. Buda não podia acreditar no que tinha acontecido a esse homem. Tanto cuidado tinham tomado com ele! – os maiores médicos da atualidade tinham estado tomando conta dele; ele não tinha conhecido nenhuma doença e não tinha conhecido ninguém à volta dele que estivesse doente.

Um outro deus penetrou o corpo do cocheiro, pois Buda perguntou ao cocheiro: “O que aconteceu a este homem?”. E o deus respondeu pela boca do cocheiro: “Isso acontece a todo mundo. Mais cedo ou mais tarde, o homem começa a ficar fraco, doente, velho.”. E enquanto ele estava dizendo isso, eles viram um velho – um outro deus -, e o cocheiro disse: “Olhe! Isso é o que acontece a todo mundo. A juventude não é eterna. É efêmera.”.
Buda ficou muito abalado. Nesse momento, eles viram um terceiro grupo de deuses, carregando um morto – um cadáver -, indo para o cemitério, e Buda perguntou: “O que aconteceu a esse homem?”. E o cocheiro respondeu: “Depois da velhice, este é o fim. A cortina cai. Esse homem está morto.”.
Bem atrás daquela procissão, estava vindo um saniássin vestido de vermelho e Buda perguntou: “Por que esse homem que está vestindo roupas vermelhas, de cabeça raspada e parecendo muito alegre, muito saudável, tem um brilho nos olhos e um certo magnetismo? Quem é ele? O que lhe aconteceu?”.
O cocheiro respondeu: “Esse homem, vendo a doença, a enfermidade, a velhice, a morte, renunciou ao mundo. Antes da morte vir, ele quer saber a verdade da vida – se a vida vai sobreviver após a morte, ou se a morte é tudo, e tudo se acaba. Ele é um buscador da verdade. É um saniássin.”.
Isso foi como um relâmpago. Vinte e nove anos de esforços do pai desabaram. Ele falou ao cocheiro: “Não vou mais inaugurar o festival da juventude, porque, onde a doença acontece e a morte acontece… – qual é o objetivo de se ser jovem por alguns anos? Outra pessoa pode fazê-lo. Volte!”.
E, nessa mesma noite, ele fugiu do palácio em busca da verdade.
O camelo tinha se transformado em um leão. A metamorfose tinha acontecido. Qualquer coisa pode dispará-la, mas precisa-se de inteligência.
“Mas, no deserto mais solitário, ocorre a segunda metamorfose: o espírito aqui se torna um leão;
“(…); ele quer capturar a liberdade e ser senhor em seu próprio deserto. Ele busca, aqui, seu senhor supremo: ele será um inimigo para si e para seu Deus supremo;(…)”
Agora, sua busca é pela suprema divindade. Qualquer outro deus será um inimigo para ele. Ele não se curvará para qualquer outro deus, ele será um senhor em si mesmo.
Esse é o espírito de um leão: absoluta liberdade! Certamente, significa: ficar livre de Deus, livre dos supostos mandamentos, livre das escrituras, livre de qualquer espécie de moralidade imposta pelos outros.
Certamente, surgirá uma virtude, mas esta será alguma coisa vinda da sua própria voz, grácil e tranqüila. Sua liberdade trará responsabilidade, mas essa responsabilidade não será imposta sobre você, por qualquer outra pessoa.
“(…); ele lutará pela vitória contra o grande dragão.
“Qual é o grande dragão a que o espírito não quer mais chamar de senhor e Deus? O grande dragão é chamado de ‘Tu deves’. Mas o espírito do leão diz: ‘Eu quero!’.”

oshoAgora, não há mais a questão de qualquer pessoa lhe dando ordens. Nem Deus é, mais, alguém a quem ele tenha de obedecer.
Zarathustra, em algum lugar, tem uma grande afirmação: “Deus está morto e o homem está livre pela primeira vez.”. Com Deus presente, o homem jamais pode ser livre. Ele pode ser politicamente livre, ele pode ser economicamente livre, ele pode ser socialmente livre, mas, espiritualmente, ele permanecerá um escravo e permanecerá apenas uma marionete.
A própria idéia de que Deus criou o homem destrói toda a possibilidade de liberdade. Se ele o criou, ele pode descriá-lo. Ele os uniu, ele pode separá-los. Se ele é um criador, ele tem toda a possibilidade e a potencialidade para ser um destruidor. Você não pode impedi-lo. Você não pôde impedi-lo de criar você; como você pode impedi-lo de destruir você? É devido a isso que Gautama Buda, Mahavira e Zarathustra, três grandes videntes do mundo, negaram a existência de Deus.
Vocês ficarão surpresos. Seus argumentos para negar Deus são argumentos muito estranhos, mas muito significativos. Eles dizem: “Enquanto Deus estiver presente, o homem não tem nenhuma possibilidade de se tornar totalmente livre.”.
A liberdade do homem, sua dignidade pessoal, depende de não existir nenhum Deus. Se Deus existe, então, o homem permanecerá um camelo, adorando estátuas mortas, adorando alguém que ele não conheceu, alguém que jamais foi conhecido por ninguém – apenas uma pura hipótese.
E vocês estão adorando uma hipótese. Todos os seus templos e igrejas e sinagogas não são nada mais que monumentos erigidos em honra de uma hipótese, que é absolutamente não-comprovada – sem nenhuma evidência. Não há nenhum argumento para a existência de Deus como uma pessoa que tenha criado o mundo.

Zarathustra usa uma linguagem muito forte. Ele é um homem de linguagem forte. Ele chama Deus de “o grande dragão”. Qual é o grande dragão que o espírito não quer mais chamar de Senhor e Deus? O grande dragão é chamado de ‘Tu deves’.
Todas as escrituras religiosas estão incluídas nestas duas palavras: ‘Tu deves’ – “Você deve fazer isto.”; e “Você não deve fazer aquilo.”. Você não é livre para escolher o que é certo. Isto já foi decidido por pessoas que estão mortas há milhares de anos, para todo o futuro vindouro: o que é certo… e o que é errado.
Um homem que tenha um espírito rebelde – e sem um espírito rebelde, a metamorfose não pode acontecer – tem de dizer: “Não, eu quero. Quero fazer seja o que for que a minha consciência sinta ser certo, e não quero fazer seja o que for que a minha consciência sinta ser errado. Exceto meu próprio ser, não há nenhum outro guia para mim. Exceto nos meus olhos, não vou acreditar nos olhos de mais ninguém. Eu não sou cego, e nem sou um idiota. Posso ver. Posso pensar. Posso meditar e posso descobrir por mim mesmo o que é certo e o que é errado. Minha moralidade será, simplesmente, a sombra da minha consciência.”.

buda“O ‘Tu deves’ jaz em seu caminho, reluzindo como ouro – uma fera recoberta de escamas; e em cada uma de suas escamas resplandece em dourado: Tu deves. Valores de mil anos refulgem sobre as escamas, e assim fala o mais poderoso de todos os dragões: ‘Todos os valores de todas as coisas resplandecem em mim. Todos os valores já foram criados; e todos os valores criados estão em mim. Na realidade, não deverá haver mais nenhum Eu quero!’- assim fala o dragão.”
Todas as religiões, todos os chefes religiosos estão incluídos no dragão. Eles todos dizem que todos os valores já foram criados – não há nenhuma necessidade de você decidir nunca mais. Todas as coisas já estão decididas para você, por pessoas mais sábias que você. Não há nenhuma necessidade de ‘Eu quero.’.
Mas, sem o ‘eu quero’ não há nenhuma liberdade. Você permanece um camelo. E isso é o que todos os investimentos de interesse – religiosos, políticos e sociais – querem que vocês sejam: apenas camelos; feios, sem nenhuma dignidade, sem nenhuma graça. Sem nenhuma alma. Prontos para servir, muito desejosos de serem escravos. A própria “idéia de liberdade” não aconteceu a eles.
E estas não são afirmações filosóficas: estas são verdades.
Alguma vez, a “idéia de liberdade” aconteceu aos hindus, ou aos cristãos, ou aos budistas, ou aos muçulmanos? Não. Eles todos dizem em uníssono: “Todas as coisas já foram decididas. Nós temos simplesmente que seguir. E aqueles que seguem são virtuosos, e aqueles que não seguem cairão no fogo do inferno pela eternidade.”.
“Meus irmãos, por que o leão é necessário ao espírito? Por que a besta de carga, que renuncia e é reverente, não satisfaz?(…)”
Zarathustra está dizendo que os supostos santos de vocês não são nada mais que perfeitos camelos. Eles disseram “sim” às tradições mortas, às convenções mortas, às escrituras mortas, a deuses mortos. E devido a eles serem perfeitos camelos, camelos imperfeitos os veneram.
Naturalmente!…
“(…) Para criar novos valores, até mesmo o leão é incapaz; mas para criar a própria liberdade para nova criação, isso a pujança do leão pode conseguir.
O leão não pode por si mesmo criar novos valores, mas ele pode criar a liberdade, a oportunidade na qual novos valores podem ser criados.
E quais são os novos valores?
Por exemplo: o Novo Homem não pode acreditar em nenhuma discriminação entre os seres humanos. Este será um novo valor: Todos os seres humanos são um só, a despeito da sua cor, a despeito da sua raça, a despeito das suas geografias, a despeito da sua história. Apenas “ser humano” é o suficiente.
O novo valor deve ser: Não deve haver nações absolutamente, porque elas têm sido a causa de todas as guerras.
Não deve haver religiões organizadas, porque elas têm impedido a busca individual. Elas vão passando às pessoas, de mão em mão, “verdades” prefabricadas; e a verdade não é um brinquedo, você não pode comprá-la pronta. Não existe nenhuma fábrica que a manufature e não há nenhum mercado onde ela esteja disponível. Você terá de procurá-la nos silêncios mais profundos do seu próprio coração. E, exceto você, ninguém mais pode ir lá.
A religião é individual – este é um valor novo.
As nações são feias; as organizações religiosas são irreligiosas; as igrejas e os templos e as sinagogas e os gurudwaras são simplesmente ridículos.
Toda a existência é sagrada.
Toda a existência é o templo. E onde quer que você fique sentado silenciosamente, meditativamente, amorosamente, você cria um templo de consciência ao seu redor. Você não precisa ir a lugar algum para adorar, porque não há ninguém mais elevado do que a sua consciência, a quem você deva fazer qualquer adoração.
“Criar liberdade para si mesmo e um sagrado ‘Não!’, mesmo diante do dever: para isso, o leão é necessário, meus irmãos.”
Tem sido dito a vocês, continuamente, que o dever é um grande valor. Na verdade, ele é uma palavra obscena, um palavra suja. Se você ama a sua esposa, porque é um dever… – então você não ama: você ama seu dever, não ama a sua esposa. Se você ama a sua mãe porque é o seu dever, você não ama a sua mãe. O dever destrói tudo o que é lindo no homem – amor, compaixão, alegria… As pessoas até riem porque é seu dever!…
Ouvi contar que em certa repartição, o chefe chamava todas as pessoas, antes do início do dia de trabalho, até a sua sala. E ele sabia somente três piadas… e cada dia ele contava uma piada. E era, naturalmente, absolutamente necessário que todo mundo risse. Era um dever! E eles já estavam cansados daquelas piadas, porque eles as tinham ouvido milhares de vezes. Mas ainda assim, eles deveriam rir como se as estivessem ouvindo pela primeira vez. Certo dia, quando ele contou a piada, todo mundo riu – somente uma moça que era datilógrafa não riu.
O chefe perguntou: “O que há com você? Ouviu a piada, ou não?”.
Ela respondeu: “A piada? Eu estou demissionária desta repartição. Estou indo para outro escritório. Agora, não é mais meu dever rir de uma piada que eu já ouvi, pelo menos, dez mil vezes! Deixe todos esses idiotas rirem, porque esses pobres coitados ainda têm que permanecer neste escritório.”.
Os professores querem que os alunos os respeitem, porque é seu dever…
Eu era um professor; e a comissão de educação da Índia convidou alguns educadores de toda a Índia para participar de uma conferência em Nova Déli, sobre questões importantes que estavam se tornando cada vez mais problemáticas em toda a instituição educacional. A primeira era que os alunos não tinham nenhum respeito para com os professores. Muitos professores discursaram sobre isso, dizendo: “Alguma coisa tem de ser feita urgentemente. Porque, a menos que haja respeito, todo o sistema educacional cairá aos pedaços.”.
Eu não podia compreender… “Que espécie de discussão é esta?…”- porque nem uma única pessoa tinha objetado, ou argüido, sobre o que interessava. Eu era a pessoa mais nova e fora chamado, porque o presidente do comitê de educação tinha me ouvido enquanto esteve visitando a universidade. D. S. Kothari – ele era um dos cientistas proeminentes da Índia. Por outro lado, eu era muito jovem e essa era uma conferência de gente antiga, veterana.
Mas eu disse: “Parece que tenho de falar sobre este assunto, porque todos esses professores estão insistindo em uma certa coisa: que todo aluno tem o dever de ser respeitoso em relação ao professor. E nenhum deles disse que o professor tem de ser merecedor de respeito. Minha própria experiência na universidade é que nem um único professor é digno de qualquer respeito. E se os alunos não estão sendo respeitosos, impor isso como um dever seria absolutamente feio e fascista. Sou contra isso. Gostaria que a comissão decidisse que os professores devam ser dignos e merecedores, e o respeito seguir-se-á automaticamente.
“Quando quer que haja alguém que seja belo, os olhos das pessoas reconhecem a beleza imediatamente. Quando quer que haja alguém que tenha certo caráter, certa dignidade, as pessoas simplesmente respeitam. Não é uma questão de exigência, ou de se fabricar regras que os alunos devam respeitar. A universidade não faz parte dos seus exércitos. A universidade deve ensinar cada aluno a ser livre, a ser alerta, a ser consciente. E toda a responsabilidade recai sobre os professores: de provarem, a si mesmos, serem merecedores de respeito.”.
Eles ficaram todos com raiva de mim. D. S. Kothari disse-me depois da conferência: “Eles estão realmente zangados com você e estão me perguntando: ‘Por que você o chamou, sabendo perfeitamente bem que ele não pode concordar, de nenhuma forma, em qualquer ponto, com qualquer pessoa? Ele é tão jovem e esta é uma conferência de professores veteranos.’.”
Falei a D. S. Kothari: “Eles são professores veteranos, mas nem um só deles foi capaz de responder à pergunta que eu levantei: ‘Por que vocês deveriam almejar por respeito?’. Na verdade, somente pessoas que não merecem respeito desejam ser respeitadas. As pessoas que merecem respeito, conseguem-no. É simplesmente natural. Mas… fazer disso um dever?! – é feio.”.
Zarathustra está certo: “Criar liberdade para si mesmo e um sagrado ‘Não’, mesmo diante do dever!: para isso o leão é necessário.”
“Para apoderar-se do direito a novos valores para um espírito portador de peso e reverente.
“Certa vez ele amou esse ‘Tu deves’, como a coisa mais sagrada: agora, ele tem de encontrar ilusão e veleidade até no mais santo, de modo que ele possa roubar a liberdade proveniente de seu próprio amor: o leão é necessário para esse roubo.
“Mas, dizei-me, meus irmãos, o que a criança pode fazer que até mesmo o leão não pode? Por que o leão rapineiro deve se tornar uma criança? A criança é inocência e esquecimento, um novo começo, uma diversão, uma roda autopropulsora, um movimento inicial, um sagrado ‘sim’.
“Sim, um sagrado ‘Sim’ é necessário, meus irmãos, para o jogo da criação: o espírito agora quer a sua própria vontade; o espírito apartado do mundo, agora, conquista seu próprio mundo.
“Nomeei para vós as três metamorfoses do espírito: como um espírito se tornou um camelo e o camelo um leão; e o leão, finalmente, uma criança.”
…Assim falava Zarathustra.
A criança é o mais alto pico da evolução, no que concerne à consciência. Mas, a criança é apenas um símbolo – isso não significa que as crianças sejam o mais elevado estado de ser. “Uma criança” é usada simbolicamente, porque ela não é instruída. Ela é inocente e, devido à sua inocência, ela está cheia de deslumbramento; e devido a seus olhos estarem cheios de deslumbramentos, sua alma anseia pelo misterioso. Uma criança é um começo, uma diversão. E a vida deve ser sempre um começo e sempre um divertimento – sempre uma risada e jamais a seriedade. Um movimento inicial, um sagrado ‘sim’.
Sim, um sagrado “sim” é necessário, mas o sagrado “sim” somente pode vir após o sagrado “não”. O camelo também diz “sim”, mas é o “sim” de um escravo: ele não pode dizer “não”. Seu “sim” é sem sentido.
O leão diz “não”, mas ele não pode dizer “sim” – é contra sua própria natureza: lembra-o do camelo. De algum modo ele livrou-se do camelo e, dizer “sim”, naturalmente, o faz relembrar do “sim” do camelo e da escravidão. Não; o animal no camelo é incapaz de dizer “não”. No leão, ele é capaz de dizer “não”, mas é incapaz de dizer “sim”.
A criança não sabe nada do camelo, não sabe nada do leão.
Eis por que Zarathustra diz: “Uma criança é inocência e esquecimento.”. Seu “sim” é puro e ela tem todo o potencial para dizer “não”. Se ela não o disser, é porque ela confia, não porque esteja com medo; não a partir do medo, mas a partir da confiança. E, quando o “sim” vem a partir da confiança, tem-se a maior metamorfose, a maior transformação pela qual se pode esperar.
Esses três símbolos são belos para se lembrar. Lembre-se de que você está onde o camelo está; e lembre-se de que você tem de se mover na direção do leão. Você tem de se mover para mais longe ainda, para um novo começo, para a inocência e para um sagrado “sim” – para uma criança.
O verdadeiro sábio novamente se torna uma criança.
O círculo está completo – vir da criança de volta para a criança.
Mas, a diferença é enorme.
A criança, como tal, é ignorante. Ela terá de passar através do camelo, através do leão e voltar, novamente, para a criança – e esta criança não é exatamente a velha criança, porque ela não é ignorante. Ela atravessou todas as experiências da vida: da escuridão, da liberdade, de um impotente “sim”, de um feroz “não” – e, não obstante, se esqueceu de tudo aquilo.
Isso não é ignorância, mas inocência. A primeira infância era o começo da jornada. A segunda infância é o complemento da jornada.
Na Índia, na época em que Zarathustra estava escrevendo essas afirmações no Irã, os Upanishads estavam sendo escritos… – os quais têm a mesma compreensão. Nos Upanishads, o brâmane é aquele que chega a conhecer a suprema realidade. Não por nascimento alguém é um brâmane, mas somente por conhecer o brahm, a suprema realidade, a pessoa se torna um brâmane. E um outro nome de brâmane nos Upanishads é dwij, nascido duas vezes: o primeiro nascimento é o do corpo; e o segundo nascimento é o da consciência.
O primeiro nascimento o faz humano, o segundo “nascimento” o faz um deus.