Bukowski: fim de amores 2

Agora ela se foi e estou aqui sentado e bêbado e meus olhos parecem molhados de lágrimas. Está tudo muito silencioso e sinto como se um arpão estivesse atravessado no meio das minhas tripas. Caminho até o banheiro e vomito. Piedade, eu penso, será que a raça humana não sabe nada sobre piedade?

– O amor é um cão dos diabos 

Bukowski: fim de amores 

(…) As relações humanas são estranhas. Quer dizer, você passa um tempo com uma pessoa, comendo, dormindo, vivendo e amando, conversando com ela, indo aos lugares – e, um dia, tudo acaba. 

– Charles Bukowski no livro “Mulheres”

Bukowski: São quatro e meia da manhã 

“os barulhos do mundo

com passarinhos vermelhos,

são quatro e meia da

manhã,

são sempre

quatro e meia da manhã,

e eu escuto

meus amigos:

os lixeiros

e os ladrões

e gatos sonhando com

minhocas,

e minhocas sonhando

os ossos

do meu amor,

e eu não posso dormir

e logo vai amanhecer,

os trabalhadores vão se levantar

e eles vão procurar por mim

no estaleiro

e dirão:

“ele tá bêbado de novo”,

mas eu estarei adormecido,

finalmente, no meio das garrafas e

da luz do sol,

toda a escuridão acabada,

os braços abertos como

uma cruz,

os passarinhos vermelhos

voando,

voando,

rosas se abrindo no fumo e

como algo esfaqueado e

cicatrizando,

como 40 páginas de um romance ruim,

um sorriso bem na

minha cara de idiota. 

-Poema Quatro e meia da manhã, Charles Bukowski