Bukowski: descanso após o tumulto

Você não pode estar sempre a mil. Você chega ao topo e depois cai num buraco negro.”

Charles Bukowski – O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio.

Abaixo: detalhe da estátua da morte escrevendo o nome da Imperatriz alemã Sofia Charllote, em seu túmulo, na Catedral de Berlim.

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Bukowski: hoje eu sei porque acabou

– Você tá velho demais. Só quer saber de ficar sentado criticando tudo e todos. Nunca
quer fazer nada. Nada é bastante bom pra você!
Dei um rolê na cama e me levantei. Comecei a botar a camisa.
– Que é que cê tá fazendo? – ela perguntou.
– Vou dar o fora daqui.
– Taí. Na hora que as coisas não correm mais do seu jeito, você pega e se manda porta
afora. Nunca quer conversar sobre as coisas. Vai pra casa, se embriaga, e daí fica tão mal no dia seguinte que acha que vai morrer. Então me telefona!
– Vou dar o fora dessa porra.
– Mas, por quê?
– Não quero ficar onde não me querem. Não quero ficar onde não gostam de mim.

Mulheres – Charles Bukowski

Bukowski: filosofia de vida

Qual é sua filosofia de vida?
– Pense o mínimo possível.
– Mais alguma coisa?
– Quando não conseguir pensar em mais nada pra fazer, seja bondoso.
– Isso é bonito.
– Bonito não é necessariamente bondoso.”

(Bukowski, Holywood)

“Esse é o problema com a bebida, pensava, enquanto enchia o copo. Se acontece uma coisa ruim, você bebe pra esquecer, se acontece uma coisa boa, você bebe pra comemorar; se não acontece nada, você bebe para que aconteça alguma coisa. “

(Bukowski, Mulheres)

Bukowski: dias cinzentos

“Levantei-me e fui ao banheiro. Me dava raiva olhar o espelho, mas olhei assim mesmo. Vi depressão e derrota. Bolsas escuras caídas sob os olhos. Olhinhos covardes, os olhos do rato acuado pelo puto do gato. A pele parecia que nem tentava. Que odiava fazer parte de mim. As sobrancelhas caíam retorcidas, pareciam dementes, dementes pêlos de sobrancelhas. Horrível. Uma aparência repugnante. E eu não estava nem querendo evacuar.”

“Sempre havia alguma coisa querendo pegar a gente. Não dava folga. Sem descanso, nunca.”

“Tomei um trago de saquê, frio. As orelhas saltaram e eu me senti um pouco melhor.
Sentia o cérebro começando a pegar. Ainda não morrera, só estava em estado de rápida decomposição. Quem não estava? Estávamos todos na mesma canoa furada, tentando nos alegrar. Como, por exemplo, no Natal. É, tira essa merda toda daqui. O homem que inventou isso nunca teve que carregar excesso de bagagem. O resto de nós tem de jogar fora todo o seu lixo só para saber onde está. Bem, não onde estamos, mas onde não estamos. Quanto mais porcaria a gente joga fora, mais encontra para jogar. Tudo funcionava ao contrário. Ande para trás que o nirvana lhe salta no colo. Claro.”

– Bukowski, no livro Pulp

Bukowski: diálogo socrático

Stirkoff, você é um covarde?
É claro, senhor.

Qual é a sua definição de covarde?
Um homem que pensaria duas vezes antes de lutar com um leão com as
mãos nuas.

E qual é a sua definição de um homem corajoso?
Um homem que não sabe o que é um leão.

Qualquer homem sabe o que é um leão.
Qualquer homem pensa que sabe.

E qual é a sua definição de um tolo?
Um homem que não se dá conta que o Tempo, a Estrutura e a Carne em sua
maior parte se desgastam.

Então quem é que é sábio?
Não existe nenhum sábio, senhor.

Então não pode haver nenhum tolo. se não existe noite não pode existir dia;
se não existe branco não pode existir preto.”

– Bukowski, Notas de um velho Safado

Abaixo: Van Gogh, paisagem noturna