Bukowski: De vez em quando 


“De vez em quando

Só de vez em quando

é que você encontra

alguém com uma

presença

e eletricidade

que combina com a tua

no ato

e nessa hora

geralmente é uma estranha

foi há 3 ou 4 anos atrás

eu andava pela Sunset Boulevard

em direção a Vermont

quando a uma quadra de distância

notei uma mulher vindo

em minha direção

havia algo em sua postura

e no seu andar que me atraiu.

conforme nos

aproximamos

aumentou a intensidade.

de repente eu sabia toda a sua história:

ela viveu a vida toda com homens

que nunca a conheceram

de verdade.

quando ela chegou perto

quase fiquei tonto.

podia ouvir os seus

passos quando

ela chegou perto.

olhei em seu rosto.

ela era tão bonita

quanto eu pensava que ela seria.

conforme passamos

nossos olhos transaram

e se amaram e

cantaram um

para o outro

e então ela passou por mim.

fui andando

sem olhar pra trás.

aí quando olhei pra trás

ela tinha sumido.

o que se deve fazer num mundo

onde quase tudo que vale a pena ter

ou fazer é impossível?

entrei num café

e resolvi que se algum dia a encontrasse

de novo eu falaria

“por favor, escuta, só preciso

falar com você…”

nunca mais a vi de novo

nunca mais a verei.

a rigidez de nossa

sociedade silencia

o coração de um homem

e quando você silencia o coração

de um homem

você deixa ele

por fim apenas com um pênis. “

Bukowski – Do livro Maldito deus arrancando estes poemas da minha cabeça


Anúncios

Bukowski: escolhendo meus vícios 

“Portanto, caros leitores, se me derem licença, vou voltar pras putas, pros cavalos, e pra garrafa enquanto há tempo. 

Se isso contribui pra gente morrer, então, pra mim, parece bem menos repugnante ser responsável pela nossa própria morte do que qualquer outra moralidade que ande por aí, disfarçada com rótulos sobre Liberdade, Democracia, Humildade ou qualquer outra espécie de Papo Furado.”

– Crônica de um amor louco.