Palestra econômica: ‘Reservas Fracionárias não são crimes’ por Fernando Ulrich

Quem anda por esse blog sabe que tenho interesse em assuntos econômicos, sobretudo as discussões sobre a função do dinheiro, sua forma de criação, controle e principalmente no debate da falta de lastro e no sistema de reserva fracionada que, em breve resumo, cria o dinheiro de forma imaterial a partir de dívidas.

Até aqui eu coloquei documentários com enfoque negativo sobre o sistema de reserva fracionada ( basta procurar no blog pelos filmes ‘97% Privado‘ ,’ Dinheiro como dívida ‘ e ‘Quem controla nosso dinheiro‘).

Mas acho que por honestidade intelectual tenho que colocar um contraponto para que um eventual interessado no tema possa formar sua própria conclusão.  

Não achei um documetario que defendesse o sistema de reserva fracionada, mas essa palestra do Instituto Mises preenche a lacuna. Trata-se de uma visão da escola austríaca de economia, pró mercado liberal e com uma visão de defesa dessa forma institucionalizada mundialmente de controle financeiro.  

O tema é bem específico mas para os interessados ajuda a formar um quadro mais completo do debate. 

Eu acho fascinante. 

Documetário: 97% Privado – Como funciona a criação do Dinheiro

Excelente documentário (2 horas de duração) sobre como é realizada a criação do dinheiro por meio dos bancos privados através do sistema de reserva fracionada (outros documentários sobre o tema no Blog podem ser acessados aqui).

Os exemplos dados vem do sistema inglês, mas o mesmo é o modelo copiado por todo o mundo desde o séc. XIX então apesar dos números não serem os mesmos relativos ao Brasil, permanece integro o raciocínio.

Poucas pessoas param para pensar de onde vem o dinheiro e como ele é criado.

O atual sistema mundial – adotado por praticamente todos os países e bancos centrais – chama-se sistema de reserva fracionada. Através dele, a massa de dinheiro injetado na economia é majoritariamente criada a partir de dívidas. Quando cada pessoa, empresa ou governo realizam empréstimos/dívidas no sistema bancário, a legislação autoriza o aumento da massa financeira através da criação de créditos virtuais, que eminentemente hoje são bits anotados  nas reservas dos bancos comerciais junto aos bancos centrais governamentais. Essa dívida será paga futuramente com juros. Uma vez paga a dívida, os créditos virtuais criados pela emissão de dívida são apagados do sistema (compensados) mas os juros permanecem na massa financeira do país e – obviamente – anotada como crédito nos ativos dos bancos. Assim, a cada empréstimo/dívida, temos que a massa financeira do país aumenta. Mas esse aumento da massa de dinheiro é virtual – anotações bancárias, ou hoje, bits digitais – e não corresponde efetivamente a criação de mais papel-moeda.

No sistema inglês, 97% do dinheiro em circulação é virtual e criado pelos bancos privados através da emissão dívida; e apenas 3% são moedas e papel moeda físicos emitidos pelo governo.  Daí o título do documentário: 97% Privado. Os números exatos variam obviamente de país para país, mas as proporções são semelhantes. Que seja 97% ou 90%, o fato é que a maior parte do dinheiro é virtual, são anotações contábeis criadas por bancos privados a partir de emissão de empréstimos/dívida. Se cada correntista fosse ao banco agora e exigisse em dinheiro físico aquilo que é apontado contabilmente em sua conta corrente, todos os bancos quebrariam. Simplesmente não existe. Trata-se de uma ficção contábil: dinheiro fiduciário e não papel-moeda.

Ao contrário do que 99% da população acredita, a verdade é que o dinheiro em circulação não tem lastro em nenhum bem tangível. Ele é meramente fiduciário, baseia-se na confiança e é garantido pelos governos através de uma legislação que proporciona aos bancos privados a prerrogativa de criarem o dinheiro circulante  a partir do nada; unicamente a partir da vontade de se fazer empréstimos, ou seja, de criar dívida. Uma massa mínima do dinheiro circulante é efetivamente papel-moeda (físico) e de emissão governamental.

Fato é que a economia cresce, o PIB aumenta e a massa financeira fermenta através de endividamento. Um país em que todos vivessem eminentemente através da poupança, no sistema atual, levaria a uma estagnação financeira já que não haveria a criação de dinheiro novo na economia.

  • indicado por Manuel Sanchez, redator.