Sêneca e o tempo da vida 

Sêneca e o tempo da vida:
A vida é suficientemente longa e com generosidade nos foi dada, para a realização das maiores coisas, se a empregamos bem. 

Mas, quando ela se esvai no luxo e na indiferença, quando não a empregamos em nada de bom, então, finalmente constrangidos pela fatalidade, sentimos que ela já passou por nós sem que tivéssemos percebido.

O fato é o seguinte: não recebemos uma vida breve, mas a fazemos, nem somos dela carentes, mas esbanjadores. Tal como abundantes e régios recursos, quando caem nas mãos de um mau senhor, dissipam-se num momento, enquanto que, por pequenos que sejam, se são confiados a um bom guarda, crescem pelo uso, assim também nossa vida se estende por muito tempo, para aquele que sabe dela bem dispor. 
– Lúcio Sêneca, Filósofo Estoico, 4 a.C. – 65 d.C, Roma. 

Abaixo: “Nero e Seneca”, do escultor espanhol Eduardo Barrón (1858 – 1911)

Você está vivendo igual gado, sendo tocado até o matadouro? ● Pedro Calabrez

Tem um pouco de Estoicismo e um tanto de existencialismo neste extrato da palestra. 

Sartre falava que não temos controle sobre a situação em que nascemos mas  somos responsáveis por construir o melhor que pudermos daquilo que a vida fez conosco. Sem vitimismo. Aceitando a responsabilidade pela própria construção da individualidade.  

Os estóicos alegavam que deveríamos nos preparar para as perdas e mesmo para a morte. Mas não como um pensamento mórbido, mas sim para vivermos com mais intensidade a própria vida. Preparados para a dor mas aproveitando a felicidade. Libertamo-nos do apego mas buscando a tranquilidade.  

Nietzsche postulava o amor fati. Aceitar as imposições da vida mas amá-la e goza-la com prazer. Amar o mundo real. Viver o presente. Não se trata de ter uma vida aloprada e inconsequente, mas cuidar do presente e saborea-lo. 

– Manuel Sanchez 

Caracalla e o julgamento dos deuses 

” Viva uma vida boa. Se existirem deuses e eles forem justos, então eles não ligarão para o quão devoto você foi;  mas darão as boas vindas baseados nas virtudes pelas quais viveu. 

Se existirem deuses , mas forem injustos, então você não irá querer adora-los. 

Se não existirem deuses, então você se extinguirá, mas terá vivido uma vida nobre que permanecerá na memória daqueles que te amam “. (Caracalla)


Marcos Aurélio Caracalla foi imperador romano e a história anota seu comando como vil e reinado como especialmente cruel,   apesar de bons registros de frases supostamente de sua autoria. O que levaria a uma interessante comparação entre o que se escreve e o que se faz. Um maquiavélico antes do termo ser cunhado.

Apenas a titulo de informação, não confundir com Marcos Aurélio Augusto , outro imperador romano, filósofo e escritor das Meditações.