Sêneca: aprender sim; mas não copiar

Considero que não há nada de eminência em homens que nunca criam nada, mas sempre se escondem à sombra de outros , desempenhando o papel de intérpretes, nunca ousando por em prática o que eles tanto estudam. Eles exercitam suas lembranças no material de outros homens.

Mas uma coisa é lembrar, outra saber.

Lembrar é meramente salvaguardar algo confiado à memória; saber significa fazer tudo você mesmo, significa não depender da cópia e não precisar lançar o olhar todo o tempo para o mestre.

(…)
Aqueles que nunca alcançaram sua independência mental começam, em primeiro lugar, seguindo o líder nos casos em que todos abandonaram o líder; depois , em segundo lugar, seguem-no em assuntos onde a verdade ainda está sendo investigada.

No entanto, a verdade nunca será descoberta se descansarmos satisfeitos com as descobertas já feitas.

Aquele que segue o outro não só não descobre nada, mas nem sequer está investigando”

– Sêneca

Abaixo: Platão e Aristóteles no detalhe da Academia de Atenas , de Rafael, 1509. Aristóteles foi aluno de Platão na Academia, tornou-se professor do local, divergiu de Platão em inúmeros assuntos e fundou uma escola própria, o Liceu.

Anúncios

Os estóicos sobre a morte

É tão insano para um homem temer o que não lhe acontecerá, como temer o que ele não sentirá se acontecer. Portanto, a morte está tão além de todo mal que está além de todo medo do mal”
– Baso, conforme citado por Sêneca em carta a Lucílio

” Não temamos a morte; temamos o pensamento da morte. Pois a morte está sempre à mesma distância de nós. Portanto, se fosse para ser temida absolutamente, seria temida sempre. Pois qual estação de nossa vida é isenta da morte? “
– Sêneca

Abaixo: A morte de Sócrates, de David, 1787

Sêneca: ter paz ou ter razão

“Eu discordo daqueles que se atiram nas ondas e, dando boas vindas a uma existência tempestuosa, lutam diariamente contra os problemas da vida.

O sábio suportará tudo isso , mas não o escolherá; ele prefere estar em paz em vez de em guerra.

É muito pouco ter eliminado suas próprias falhas , se você deve brigar com as dos outros.”

– Sêneca, carta XVIII à Lucilio

Abaixo: o céu e o inferno , 1510, Hieronymus Bosch

Cartas de Sêneca. Um roteiro estóico.

“Alguns homens vivem em atos tão escuros, que só enxergam o breu mesmo durante o dia.”
– Sêneca

Projeto começando neste momento: ler todas as cartas de Sêneca.

A série de livros está dividida em 3 volumes, nos quais o filósofo estóico discorre sobre temas práticos da vida como o dinheiro, infortúnios, dores, amizades, família, morte, doença etc sempre defendendo a postura de autocontrole, rigor e serenidade face ao destino e às coisas que não temos condição de controlar.

A filosofia estóica nos deu obras maestras nas mãos de Marco Aurélio, Sêneca e Epicteto. A variedade social da penetração de tal pensamento mostra-se na condição de cada um dos autores mencionados: o primeiro um imperador romano; o segundo um senador e diplomata e o terceiro um escravo.

Apesar de serem escolas de pensamento que formalmente se diziam opostas, o estoicismo e o epicurismo possuíam muitos traços em comum, como não escapou às observações de Sêneca, no trato sereno com as dificuldades da vida e na defesa de valores maiores como honestidade, distanciamento das multidões e ruídos do mundo, focando-se no desenvolvimento da fortitude de caráter sob qualquer pressão ou circunstância.

Não era uma filosofia preocupada com grandes temas sociais ou a descrição de grandes sistemas para o mundo ou o Estado. O estoicismo focava no indivíduo e em seu caráter, em como agir perante os fatos do dia a dia e em como organizar a própria razão e os sentimentos. Usando de termos contemporâneos – e por isso totalmente anacrônicos – podemos dizer que o estoicismo é um estudo de inteligência emocional e de controle das pulsões mais violentas e animalescas de nossa psique.

Mantenha-se forte.

Mantenha-se bem.