Filosofia Pop: Sartre em Video Game ou Você Gosta de Ser Livre?

E se você gosta de ler sobre o existencialismo Sartreano, talvez queira ver nossos outros posts sobre o tema clicando neste link.

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Guimarães Rosa sartreano

” o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando. Afinam ou desafinam. Verdade maior. É o que a vida me ensinou.”

João Guimarães Rosa, no livro “Grande Sertão: Veredas”

Guia Rápido do Blog: Sartre, Camus e o Existencialismo.

Na seção Guia Rápido do Blog, coloco links agregados por tema para facilitar a viagem do amigo leitor pelo Opinião Central.

Já fiz o Guia Rápido Blog: Explicando os Conceitos e sigo agora com alguns posts dedicados ao existencialismo do filósofo Jean Paul Sartre, um homem cujo pensamento foi um divisor de águas nas minhas leituras e o absurdismo de Albert Camus.

  1. O Existencialismo de Sartre e o Sentido da Vida
  2. Explicando os Conceitos: A Existência Precede a Essência
  3. O Existencialismo e as Limitações da Liberdade
  4. Sartre e a Desumanidade
  5. Sartre: um ateu que deseja ser Deus
  6. Albert Camus: o existencialismo no front de guerra
  7. Albert Camus e o mito de Sísifo
  8. Albert Camus e o Absurdo
  9. Camus: diferenças entre a Peste e o Estrangeiro

 

(…) Amo ou venero poucas pessoas. Por todo o resto, tenho vergonha da minha indiferença. Mas aqueles que amo, nada jamais conseguirá fazer com que eu deixe de amá-los, nem eu próprio e principalmente nem eles mesmos. São coisas que levei muito tempo para aprender; agora já sei.

– Albert Camus, em “O Primeiro Homem”

Sartre e a desumanidade 

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Sartre tem uma postura radical sobre a liberdade humana. Não existindo valores pré determinados, não existindo qualquer essência humana anterior à existência do ser humano, somos aquilo que criamos no dia de um projeto pessoal e em um processo histórico com os demais. (como abordamos na primeira parte da análise).

Críticos do existencialismo sartreano o colocam ombro a ombro com o mais radical dos niilismos. Afinal, dizem, não havendo valores absolutos e anteriores, a postura de cada um de nós descambaria para um egoísmo e individualismo radicais. Se não existem valores corretos, tudo seria válido.

Sartre responde nos advertindo que o ser humano é um processo. Um devir. Que nossa vida é determinada pela liberdade  e que podemos e devemos estabelecer os valores de convivência. E que tais valores podem ser feitos e refeitos em busca da melhor convivência e dignidade. Nascemos em circunstâncias estabelecidas e não escolhidas – a situação – que trazem consigo um escopo diferente de possibilidades para cada um; mas em qualquer situação existe sempre a liberdade de escolher agir, conformar-se ou omitir-se.

Não existem valores humanos pré existentes. Não há desumanidade em estado essencial. O que há são nossas escolhas: pessoais e coletivas. A existência precede a essência. Seremos aquilo que construirmos de nós mesmos.

O existencialismo de Sartre é o humanismo radical. Enquanto o iluminismo projetou a razão como um guia interno e infalível nas rotas da vida, acessível por todos e que nos daria uma visão comum; o existencialismo nega essa primazia pré existente. O que existe são decisões pessoais e coletivas- nem sempre racionais, definitivamente sem o amparo de qualquer tabela de valores metafísicos e firmemente ancorados no processo histórico.

Assim, como não existe um conceito prévio e transcendente de humanidade, também não existe um mal absoluto definido por Deus, pela Alma ou por uma essência de maldade ainda que atingida unicamente pela razão.

Como disse o filósofo, em suas próprias palavras: “As mais atrozes situações de guerra, as piores torturas, não criam um estado de coisas inumano; não há situação inumana; é somente pelo medo, pela fuga e pelo recurso a condutas mágicas que irei determinar o inumano. Mas essa decisão é humana e tenho que assumir total responsabilidade por ela” (Sartre, “o ser e o nada”).

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Foulcault e a hiperespecialização

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Foucault, no final dos anos 60, anunciava o fim do intelectual à moda antiga. Para Foucault, os intelectuais têm de renunciar a fazer o que têm feito desde o séc. XVIII, isto é, ” unir em uma mesma mensagem a herança do sábio grego, do profeta judeu e do legislador romano”.

A esse tipo de pensador, Foucault oferece a hiperespecialização: “A figura na qual se concentram as funções e o prestígio deste novo intelectual, não é mais a do escritor genial, é a do erudito integral; não mais aquele que carrega sozinho os valores de todos, mas aquele que detém, juntamente com alguns outros, poderes que podem favorecer ou eliminar definitivamente a vida.”