Você está vivendo igual gado, sendo tocado até o matadouro? ● Pedro Calabrez

Tem um pouco de Estoicismo e um tanto de existencialismo neste extrato da palestra. 

Sartre falava que não temos controle sobre a situação em que nascemos mas  somos responsáveis por construir o melhor que pudermos daquilo que a vida fez conosco. Sem vitimismo. Aceitando a responsabilidade pela própria construção da individualidade.  

Os estóicos alegavam que deveríamos nos preparar para as perdas e mesmo para a morte. Mas não como um pensamento mórbido, mas sim para vivermos com mais intensidade a própria vida. Preparados para a dor mas aproveitando a felicidade. Libertamo-nos do apego mas buscando a tranquilidade.  

Nietzsche postulava o amor fati. Aceitar as imposições da vida mas amá-la e goza-la com prazer. Amar o mundo real. Viver o presente. Não se trata de ter uma vida aloprada e inconsequente, mas cuidar do presente e saborea-lo. 

– Manuel Sanchez 

Foulcault e a hiperespecialização

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Foucault, no final dos anos 60, anunciava o fim do intelectual à moda antiga. Para Foucault, os intelectuais têm de renunciar a fazer o que têm feito desde o séc. XVIII, isto é, ” unir em uma mesma mensagem a herança do sábio grego, do profeta judeu e do legislador romano”.

A esse tipo de pensador, Foucault oferece a hiperespecialização: “A figura na qual se concentram as funções e o prestígio deste novo intelectual, não é mais a do escritor genial, é a do erudito integral; não mais aquele que carrega sozinho os valores de todos, mas aquele que detém, juntamente com alguns outros, poderes que podem favorecer ou eliminar definitivamente a vida.”

Fernando Pessoa: o essencial 

Fernando Pessoa — O Essencial 

O essencial é saber ver,

Saber ver sem estar a pensar,

Saber ver quando se vê,

E nem pensar quando se vê,

Nem ver quando se pensa.

Mas isso (triste de nós que trazemos a alma vestida!),

Isso exige um estudo profundo,

Uma aprendizagem de desaprender

E uma sequestração na liberdade daquele convento

De que os poetas dizem que as estrelas são as freiras eternas

E as flores as penitentes convictas de um só dia,

Mas onde afinal as estrelas não são senão estrelas

Nem as flores senão flores,

Sendo por isso que lhes chamamos estrelas e flores.

— Alberto Caeiro (heterônimo de Fernando Pessoa), em  O Guardador de Rebanhos