Iniciação em Filosofia – bons livros para começar

544036_517087911646918_1600988491_n

Você já se interessou em ler algum livro de filosofia? Mergulhar nas perguntas existenciais e nos pensamentos dos homens que moldaram para o bem e para o mal as ideologias humanas? Conseguiu passar das primeiras páginas enfrentando o jargão obscuro e as ideias fora do senso comum?

Se você respondeu que sim e começou da mesma forma atrapalhada que eu, partiu direto para ler o texto puro dos autores clássicos.

Obviamente, sem nenhuma base, preparação, noção de enquadramento histórico ou a menor suspeita de qual foi a base familiar, religiosa e social que cercou tais pensadores, o resultado provavelmente foi de desânimo com o resultado alcançado. Excelentes livros acabaram sendo encostados em algum canto, esquecidos por anos.

captura-de-tela-2012-01-10-c3a0s-19-04-162

Sem uma base anterior, é insuportável ler qualquer distinção kantiana entre mundo numênico e mundo fenomênico, aguentar os arroubos de racismo de Nietzsche, a misoginia de Schopenhauer ou mesmo admirar-se com o pragmatismo de Maquiavel.

É necessário um enquadramento histórico para passar pelo  pensamento antidemocrático de Platão (que muitos apontam como as origens do totalitarismo ideológico)  ou a defesa oligárquica feita por Aristóteles. Caso contrário, a  vontade será a de arremessar o livro pela janela.

Mas tem muita coisa interessante quando aprendemos a separar o pensamento central das obras de todas as arestas históricas e contingências do individuo.

Ler os textos puros, sem intermediários é ótimo.

folosofia-los-simpson

Você consegue entrar em contato de primeira mão com as palavras, sem o filtro ideológico que o comentador sempre possui. Ao ler diretamente o texto dos filósofos, não só sua mente viaja para lugares novos, mas também acaba se surpreendendo com o ranço autoritário de um, com a misoginia de outro, com a moralidade piegas e carola de um terceiro. Contudo, este é o segundo passo da viagem.

O primeiro é procurar um bom guia nos passos iniciais. Não existe vergonha alguma em começar com ajuda.

Longe de esgotarem o assunto, servem como professores para os passos iniciais.

Após as leituras dos manuais, indico a leitura dos autores per si.

Claro que nada substitui a leitura do texto original e a análise pessoal dos pensamentos filosóficos expostos e resumidos a seguir. Minha lista de indicações para começar a leitura das obras per si pode ser acessada no link “Depois dos manuais: obras filosóficas, psicológicas e sociológicas para curiosos e iniciantes”, tratando das minhas obras prediletas de Platão, Aristóteles, Maquiavel, Freud, Bauman, Sêneca, Epicuro etc…

Nosso blog está repleto de posts e documentários sobre os grandes nomes da filosofia.

Boas leituras e comente sempre que possível!

 

url_uploaded_file_134460856850251939a5f3d

O Livro da Filosofia – vários autores 

Uma coleção excelente abrangendo de forma lúdica e  explicativa todas as principais escolas e nomes famosos da filosofia.

O texto é muito didático e ensinado em ordem cronológica com indicações de conexões históricas entre os diversos autores, além de agrupá-los por linhas de pensamento filosófico; demonstrando que as idéias são lançadas, refluem e séculos depois retornam ao mundo com toda a força.

 

 

 

81tYVDo7ugLHistória da Filosofia Ocidental

e História do Pensamento Ocidental

– ambos de Bertrand Russel

O autor é um dos guias espirituais desse blog e já foi abordado em detalhes em um post anterior.

Indico os dois livros de Bertrand Russel que confundem pelos títulos parecidos. 

Em “História da Filosofia Ocidental”, Russel trata das origens da filosofia e de sua evolução histórica narrando a biografia, o contexto social  em que viveram os filósofos estudados e dissecando as principais obras que moldaram  o pensamento ocidental.

O livro é apresentado em ordem cronológica para facilitar o entendimento. Cada capítulo pode ser lido pelo leitor iniciante e também pelo mais especializado, já que o texto segue em uma ordem crescente de aprofundamento.

hist-ocidental

O segundo livro, “História do Pensamento Ocidental”, começa contando sobre o background histórico e cultural da Grécia pré-socrática para seguir divagando sobre os inúmeros conceitos filosóficos de Sócrates, Platão e Aristóteles.

Os capítulos seguintes  desaguam na filosofia medieval, com explicações sobre os conceitos definidores da Escolástica, passa ao período do Ilumismo e alcança a filosofia contemporânea do inicio do séc. XX.

O livro é focado mais nas escolas e vigas de sustentação do pensamento filosófico e não se preocupa com um estudo individual de cada pensador.

Juntas, as duas obras de Bertrand Russel se complementam e tem material de estudo para iniciantes e iniciados.

 

Uma Breve História da Filosofia –  autor: Nigel Warburton

689360

É o livro que eu queria ler há muitos anos e não sabia. Básico e direto.

São as aulas de filosofia que deveriam ser ensinadas no colégio.

O livro é estruturado em 40 capitulos que trazem, em ordem cronológica, as ideias centrais dos principais filósofos ocidentais desde Sócrates, Platão e Aristóteles até os dias atuais.

A cada capitulo somos apresentados ao autor e a um resumo de sua época e circunstâncias históricas.

Escrito em linguagem clara, sem enrolação, fazendo uma ponte com as ideias que se repetem ou são desenvolvidas séculos depois da semente inicial; o livro traz o entendimento do desenvolvimento e das rusgas e batalhas do campo do pensamento.

 

Justiça – autor: Michael Sandel

justica-o-que-e-fazer-a-coisa-certa-michael-sandel

O autor é professor de Harvard e seu livro é na verdade um curso disputado que ministra na universidade.

O livro tem um formato diferente e se preocupa em analisar não os filósofos per si, mas sim as grandes linhas de pensamento filosófico com suas questões básicas e sempre trazendo exemplos e questões morais dos nossos dias demonstrando que o embate diário é repleto de questões éticas e morais: aborto, suicidio, capitaismo e livre mercado, eleições livres…. o autor consegue mostrar todos os ângulos filosóficos existentes por trás desses temas tormentosos.

A obra mostra que as divisões, lutas e rusgas da filosofia estão por trás da maneira de ver o mundo e que estas influenciam a política e por fim as normas jurídicas que nos regem.

Divide-se em três grandes linhas de análise: o pensamento libertário, a filosofia utilitarista e o pensamento kantiano.

A partir dessas linhas mestras o professor começa a explicar não só as origens, mas as consequências e desdobramentos de cada uma dessas vertentes filosóficas em assuntos atuais como aborto, casamento gay, suicídio assistido, livre mercado, exploração sexual, legalização da prostituição, combate ao crime, descriminalização de drogas, privatização de serviços médicos, bônus para professores, cotas raciais etc…

Uma leitura ótima e que traz a filosofia para o noticiário do dia a dia.

Mais do que isso, um livro inteligente que faz pensar e nos coloca em contato com perguntas que muitos preferem ignorar.

 

As consolações da Filosofia – autor: Alain de Botton

images

Este não é exatamente um manual, já que o livro não trata da evolução do pensamento filosófico e nem deseja estruturar o corpo de conhecimento em escolas. Mas acredito que é válido constar nessa lista porque traz a filosofia para perto dos problemas do nosso dia a dia, propondo formas de encararmos a vida e atingirmos o autoconhecimento. E para mim, esse é objetivo máximo socrático: conhecer a si mesmo, fazer as escolhas adequadas e viver com essa responsabilidade. 

Nesta obra, o escritor traz grandes inadequações que qualquer ser humano já teve na vida e nos brinda com a biografia e com os pensamentos de seis grandes filósofos e de como eles abordaram ou encararam os problemas: Sócrates, Epicuro, Sêneca, Montaigne, Schopenhauer e Nietzsche.

De certa forma, o livro abrange em saltos históricos vários dos principais pontos da filosofia aplicados à nossa vida cotidiana, tratando da impopularidade, dificuldades financeiras, o controle da ira, a inadequação intelectual, a dor de um coração partido e a luta nas adversidades.

 

 

A-vida-que-vale-completa-336x506

A Vida que Vale a Pena ser Vivida – Clóvis de Barros Filho

Neste livro, o autor discorre sobre a busca do ser humano sobre os elementos que dão valor e sentido à nossa vida.

Nessa missão, a cada capítulo,  percorremos as idéias platônicas, o pensamento de Aristóteles sobre as virtudes, a escola estóica, os utilitaristas ingleses, a filosofia de Espinoza, Kant entre outros.

Como resultado, acabamos por perceber que a humanidade busca sentido e valoriza conceitos e estilos muito diferentes, às vezes antagônicas e que no fim não existem fórmulas prontas em nenhum manual.

Cabe apenas a nós próprios fazer as escolhas e viver com elas, com seus bônus e ônus; dores e delicias. Gostei muito desse livro.

 

A Filosofia explica as grandes questões da Humanidade – Clóvis de Barros Filho

Nesta obra bem curta e didática, o autor apresenta os rudimentos das indagações filosóficas, sendo um excelente livro para quem deseja começar a entrar no mundo da filosofia. Cada capítulo é dedicado a uma das grandes questões que rondam a cabeça do homem: de onde vem o pensamento, se existe uma razão para nossa existência, se existe algo como uma essência humana, como criamos nossa identidade, a busca da felicidade, as exigências do dever etc…

Ao longo do livro são salpicados conceitos e muitos exemplos, de forma bem leve e desconstraida, sendo sugerido uma lista de livros e autores para aqueles que desejarem mergulhar nos estudos.

 

Aprender a Viver – Luc Ferry

Delicioso manual de filosofia com linguagem simples e direta que se propõe a explicar os paradigmas filosóficos que moldaram o mundo clássico, a Idade Média, a Modernidade e o mundo contemporâneo.

Em cada capítulo o autor nos esclarece os pontos cruciais do pensamento de cada época e como eles proporcionaram a visão filosófica com a qual identificamos os diferentes momentos históricos.

Acredito que é um manual tão bom que deveria ser lido na base de qualquer estudo sobre filosofia. Um dos melhores manuais para iniciantes que tem no mercado, na minha opinião. 

 

Anúncios

Epicuro e a Felicidade

 

Em um mundo cercado de publicidades e discursos que associam felicidade e realização à posse e ao desejo de possuir coisas, é difícil imaginar outra forma de ser feliz.

O documentário questiona esse estilo de vida a partir da filosofia de Epicuro – que há milhares de anos já identificara o mesmo comportamento no povo grego.

O Epicurismo foi um sistema filosófico ensinado por Epicuro de Samos, filósofo ateniense do século IV a.C., e seguído depois por outros filósofos, chamados epicuristas.

frase-so-ha-um-caminho-para-a-felicidade-nao-nos-preocuparmos-com-coisas-que-ultrapassam-o-poder-da-epicuro-99999Epicuro acreditava que o maior bem era a procura de prazeres moderados de forma a atingir um estado de tranquilidade e de libertação do medo, assim como a ausência de sofrimento corporal através do conhecimento do funcionamento do mundo e da limitação dos desejos. A combinação desses dois estados constituiria a felicidade na sua forma mais elevada. Embora o epicurismo seja doutrina muitas vezes confundida com o hedonismo (já que declara o prazer como o único valor intrínseco), a sua concepção da ausência de dor como o maior prazer e a sua apologia da vida simples tornam-no diferente do que vulgarmente se chama “hedonismo”.

A finalidade da filosofia de Epicuro não era teórica, mas sim bastante prática. Buscava sobretudo encontrar o sossego necessário para uma vida feliz e aprazível, na qual os temores perante o destino, os deuses ou a morte estavam definitivamente eliminados. Para isso fundamentava-se em uma teoria do conhecimento empirista, em uma física atomista e na ética.

No mundo mediterrânico antigo, a filosofia epicurista conquistou grande número de seguidores. Foi uma escola de pensamento muito proeminente por um período de sete séculos depois da morte do fundador. Posteriormente, quase relegou-se ao esquecimento devido ao início da Idade Média, período em que se perderam a maioria dos escritos deste filósofo grego.

A ideia que Epicuro tinha era a de que, para ser feliz, o homem necessitava de três coisas: liberdade, amizade e tempo para filosofar. Na Grécia Antiga, existia uma cidade na qual, em todas as paredes do mercado, se havia escrito toda a filosofia da felicidade de Epicuro, procurando conscientizar as pessoas que, comprar e possuir bens materiais, não as tornaria mais felizes, como elas acreditavam.

Iniciação em Filosofia – bons livros para começar

544036_517087911646918_1600988491_n

Você já se interessou em ler algum livro de filosofia? Mergulhar nas perguntas existenciais e nos pensamentos dos homens que moldaram para o bem e para o mal as ideologias humanas? Conseguiu passar das primeiras páginas enfrentando o jargão obscuro e as ideias fora do senso comum?

Se você respondeu que sim e começou da mesma forma atrapalhada que eu, partiu direto para ler o texto puro dos autores clássicos.

Obviamente, sem nenhuma base, preparação, noção de enquadramento histórico ou a menor suspeita de qual foi a base familiar, religiosa e social que cercou tais pensadores, o resultado provavelmente foi de desânimo com o resultado alcançado. Excelentes livros acabaram sendo encostados em algum canto, esquecidos por anos.

captura-de-tela-2012-01-10-c3a0s-19-04-162

Sem uma base anterior, é insuportável ler qualquer distinção kantiana entre mundo numênico e mundo fenomênico, aguentar os arroubos de racismo de Nietzsche, a misoginia de Schopenhauer ou mesmo admirar-se com o pragmatismo de Maquiavel.

É necessário um enquadramento histórico para passar pelo  pensamento antidemocrático de Platão (que muitos apontam como as origens do totalitarismo ideológico)  ou a defesa oligárquica feita por Aristóteles. Caso contrário, a  vontade será a de arremessar o livro pela janela.

Mas tem muita coisa interessante quando aprendemos a separar o pensamento central das obras de todas as arestas históricas e contingências do individuo.

Ler os textos puros, sem intermediários é ótimo.

folosofia-los-simpson

Você consegue entrar em contato de primeira mão com as palavras, sem o filtro ideológico que o comentador sempre possui. Ao ler diretamente o texto dos filósofos, não só sua mente viaja para lugares novos, mas também acaba se surpreendendo com o ranço autoritário de um, com a misoginia de outro, com a moralidade piegas e carola de um terceiro. Contudo, este é o segundo passo da viagem.

O primeiro é procurar um bom guia nos passos iniciais. Não existe vergonha alguma em começar com ajuda.

Longe de esgotarem o assunto, servem como professores para os passos iniciais.

Após as leituras dos manuais, indico a leitura dos autores per si.

Claro que nada substitui a leitura do texto original e a análise pessoal dos pensamentos filosóficos expostos e resumidos a seguir. Minha lista de indicações para começar a leitura das obras per si pode ser acessada no link “Depois dos manuais: obras filosóficas, psicológicas e sociológicas para curiosos e iniciantes”, tratando das minhas obras prediletas de Platão, Aristóteles, Maquiavel, Freud, Bauman, Sêneca, Epicuro etc…

Nosso blog está repleto de posts e documentários sobre os grandes nomes da filosofia.

Boas leituras e comente sempre que possível!

 

url_uploaded_file_134460856850251939a5f3d

O Livro da Filosofia – vários autores 

Uma coleção excelente abrangendo de forma lúdica e  explicativa todas as principais escolas e nomes famosos da filosofia.

O texto é muito didático e ensinado em ordem cronológica com indicações de conexões históricas entre os diversos autores, além de agrupá-los por linhas de pensamento filosófico; demonstrando que as idéias são lançadas, refluem e séculos depois retornam ao mundo com toda a força.

 

 

 

81tYVDo7ugLHistória da Filosofia Ocidental

e História do Pensamento Ocidental

– ambos de Bertrand Russel

O autor é um dos guias espirituais desse blog e já foi abordado em detalhes em um post anterior.

Indico os dois livros de Bertrand Russel que confundem pelos títulos parecidos. 

Em “História da Filosofia Ocidental”, Russel trata das origens da filosofia e de sua evolução histórica narrando a biografia, o contexto social  em que viveram os filósofos estudados e dissecando as principais obras que moldaram  o pensamento ocidental.

O livro é apresentado em ordem cronológica para facilitar o entendimento. Cada capítulo pode ser lido pelo leitor iniciante e também pelo mais especializado, já que o texto segue em uma ordem crescente de aprofundamento.

hist-ocidental

O segundo livro, “História do Pensamento Ocidental”, começa contando sobre o background histórico e cultural da Grécia pré-socrática para seguir divagando sobre os inúmeros conceitos filosóficos de Sócrates, Platão e Aristóteles.

Os capítulos seguintes  desaguam na filosofia medieval, com explicações sobre os conceitos definidores da Escolástica, passa ao período do Ilumismo e alcança a filosofia contemporânea do inicio do séc. XX.

O livro é focado mais nas escolas e vigas de sustentação do pensamento filosófico e não se preocupa com um estudo individual de cada pensador.

Juntas, as duas obras de Bertrand Russel se complementam e tem material de estudo para iniciantes e iniciados.

 

Uma Breve História da Filosofia –  autor: Nigel Warburton

689360

É o livro que eu queria ler há muitos anos e não sabia. Básico e direto.

São as aulas de filosofia que deveriam ser ensinadas no colégio.

O livro é estruturado em 40 capitulos que trazem, em ordem cronológica, as ideias centrais dos principais filósofos ocidentais desde Sócrates, Platão e Aristóteles até os dias atuais.

A cada capitulo somos apresentados ao autor e a um resumo de sua época e circunstâncias históricas.

Escrito em linguagem clara, sem enrolação, fazendo uma ponte com as ideias que se repetem ou são desenvolvidas séculos depois da semente inicial; o livro traz o entendimento do desenvolvimento e das rusgas e batalhas do campo do pensamento.

 

Justiça – autor: Michael Sandel

justica-o-que-e-fazer-a-coisa-certa-michael-sandel

O autor é professor de Harvard e seu livro é na verdade um curso disputado que ministra na universidade.

O livro tem um formato diferente e se preocupa em analisar não os filósofos per si, mas sim as grandes linhas de pensamento filosófico com suas questões básicas e sempre trazendo exemplos e questões morais dos nossos dias demonstrando que o embate diário é repleto de questões éticas e morais: aborto, suicidio, capitaismo e livre mercado, eleições livres…. o autor consegue mostrar todos os ângulos filosóficos existentes por trás desses temas tormentosos.

A obra mostra que as divisões, lutas e rusgas da filosofia estão por trás da maneira de ver o mundo e que estas influenciam a política e por fim as normas jurídicas que nos regem.

Divide-se em três grandes linhas de análise: o pensamento libertário, a filosofia utilitarista e o pensamento kantiano.

A partir dessas linhas mestras o professor começa a explicar não só as origens, mas as consequências e desdobramentos de cada uma dessas vertentes filosóficas em assuntos atuais como aborto, casamento gay, suicídio assistido, livre mercado, exploração sexual, legalização da prostituição, combate ao crime, descriminalização de drogas, privatização de serviços médicos, bônus para professores, cotas raciais etc…

Uma leitura ótima e que traz a filosofia para o noticiário do dia a dia.

Mais do que isso, um livro inteligente que faz pensar e nos coloca em contato com perguntas que muitos preferem ignorar.

 

As consolações da Filosofia – autor: Alain de Botton

images

Este não é exatamente um manual, já que o livro não trata da evolução do pensamento filosófico e nem deseja estruturar o corpo de conhecimento em escolas. Mas acredito que é válido constar nessa lista porque traz a filosofia para perto dos problemas do nosso dia a dia, propondo formas de encararmos a vida e atingirmos o autoconhecimento. E para mim, esse é objetivo máximo socrático: conhecer a si mesmo, fazer as escolhas adequadas e viver com essa responsabilidade. 

Nesta obra, o escritor traz grandes inadequações que qualquer ser humano já teve na vida e nos brinda com a biografia e com os pensamentos de seis grandes filósofos e de como eles abordaram ou encararam os problemas: Sócrates, Epicuro, Sêneca, Montaigne, Schopenhauer e Nietzsche.

De certa forma, o livro abrange em saltos históricos vários dos principais pontos da filosofia aplicados à nossa vida cotidiana, tratando da impopularidade, dificuldades financeiras, o controle da ira, a inadequação intelectual, a dor de um coração partido e a luta nas adversidades.

 

 

A-vida-que-vale-completa-336x506

A Vida que Vale a Pena ser Vivida – Clóvis de Barros Filho

Neste livro, o autor discorre sobre a busca do ser humano sobre os elementos que dão valor e sentido à nossa vida.

Nessa missão, a cada capítulo,  percorremos as idéias platônicas, o pensamento de Aristóteles sobre as virtudes, a escola estóica, os utilitaristas ingleses, a filosofia de Espinoza, Kant entre outros.

Como resultado, acabamos por perceber que a humanidade busca sentido e valoriza conceitos e estilos muito diferentes, às vezes antagônicas e que no fim não existem fórmulas prontas em nenhum manual.

Cabe apenas a nós próprios fazer as escolhas e viver com elas, com seus bônus e ônus; dores e delicias. Gostei muito desse livro.

 

A Filosofia explica as grandes questões da Humanidade – Clóvis de Barros Filho

Nesta obra bem curta e didática, o autor apresenta os rudimentos das indagações filosóficas, sendo um excelente livro para quem deseja começar a entrar no mundo da filosofia. Cada capítulo é dedicado a uma das grandes questões que rondam a cabeça do homem: de onde vem o pensamento, se existe uma razão para nossa existência, se existe algo como uma essência humana, como criamos nossa identidade, a busca da felicidade, as exigências do dever etc…

Ao longo do livro são salpicados conceitos e muitos exemplos, de forma bem leve e desconstraida, sendo sugerido uma lista de livros e autores para aqueles que desejarem mergulhar nos estudos.

 

Aprender a Viver – Luc Ferry

Delicioso manual de filosofia com linguagem simples e direta que se propõe a explicar os paradigmas filosóficos que moldaram o mundo clássico, a Idade Média, a Modernidade e o mundo contemporâneo.

Em cada capítulo o autor nos esclarece os pontos cruciais do pensamento de cada época e como eles proporcionaram a visão filosófica com a qual identificamos os diferentes momentos históricos.

Acredito que é um manual tão bom que deveria ser lido na base de qualquer estudo sobre filosofia. Um dos melhores manuais para iniciantes que tem no mercado, na minha opinião. 

 

A Filosofia Epicurista

11219705_545509928960812_7573159836646101034_n

O Epicurismo foi um sistema filosófico ensinado por Epicuro de Samos, filósofo ateniense do século IV a.C., e seguído depois por outros filósofos, chamados epicuristas.

A finalidade da filosofia de Epicuro não era teórica, mas sim bastante prática. Buscava sobretudo encontrar o sossego necessário para uma vida feliz e aprazível, na qual os temores perante o destino, os deuses ou a morte estavam definitivamente eliminados

Epicuro acreditava que o maior bem era a procura de prazeres moderados de forma a atingir um estado de tranquilidade e de libertação do medo, assim como a ausência de sofrimento corporal através do conhecimento do funcionamento do mundo e da limitação dos desejos. A combinação desses dois estados constituiria a felicidade na sua forma mais elevada. Embora o epicurismo seja doutrina muitas vezes confundida com o hedonismo (confusão aliás criada pelos estóicos para atacar a filosofia rival) , os dois  nada  tem em comum: o hedonismo declara o prazer do corpo como o único valor intrínseco; já o epicurismo argumentava pela vida simples e pela busca da ausência de sofrimento. 

E se você quiser ler também sobre os estóicos, escola filosófica que se coloca em antagonismo ao epicurismo, pode acessar nosso post sobre a Escola Estóica e assistir um documentário sobre Sêneca, um dos mais conhecidos filósofos do período.