“A morte de Sócrates”  – Discutindo filosofia e passeando no museu

“A morte de Sócrates”  de David. Gosto demais desse quadro! Ele está  exposto no Metropolitan de Nova York.

As circunstâncias da morte de Sócrates é que despertaram em Platão a necessidade de escrever e discutir filosofia, moral e ética (para mais detalhes sobre as circunstâncias históricas do julgamento acesse nosso post anterior aqui).

Não teríamos acesso ao corpo filosófico platônico não  fosse a condenação injusta de Sócrates à morte e posteriormente sua negativa de fugir ou viver em exílio. Ao longo do relato platônico, encontramos um Sócrates que cumpre o ritual do julgamento público, atesta seu equívoco sem receio, aceita a lei da pólis e submete-se à sua pena mesmo tendo a chance de fugir posteriormente. Momentos antes de morrer está na cela dando aula aos seus discípulos.

O início da discussão moral na filosofia  ocidental começa com um texto arrebatador sobre um julgamento que discute os erros da Justiça pública, coloca a ética sendo deslocada de uma norma transcendente para um acordo consensual da coletividade, atesta o imperativo do senso de dever, a necessidade do pensamento crítico,  firma a aceitação de quem se é ainda que viole o costume da maioria e coloca na mesa o tema tabu do suicídio.

Como já disseram anteriormente, “toda a história da filosofia ocidental resume-se a uma série de notas de rodapé à obra de Platão” (Alfred Whitehead).

 

– Manuel Sanchez

Caracalla e o julgamento dos deuses 

” Viva uma vida boa. Se existirem deuses e eles forem justos, então eles não ligarão para o quão devoto você foi;  mas darão as boas vindas baseados nas virtudes pelas quais viveu. 

Se existirem deuses , mas forem injustos, então você não irá querer adora-los. 

Se não existirem deuses, então você se extinguirá, mas terá vivido uma vida nobre que permanecerá na memória daqueles que te amam “. (Caracalla)


Marcos Aurélio Caracalla foi imperador romano e a história anota seu comando como vil e reinado como especialmente cruel,   apesar de bons registros de frases supostamente de sua autoria. O que levaria a uma interessante comparação entre o que se escreve e o que se faz. Um maquiavélico antes do termo ser cunhado.

Apenas a titulo de informação, não confundir com Marcos Aurélio Augusto , outro imperador romano, filósofo e escritor das Meditações.

Epicuro: carta sobre a felicidade 

[ Carta sobre a felicidade (a Meneceu), de Epicuro ]
“Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito. 

Quem afirma que a hora de dedicar-se à filosofia ainda não chegou, ou que ela já passou, é como se dissesse que ainda não chegou ou que já passou a hora de ser feliz. 

Desse modo, a filosofia é útil tanto ao jovem quanto ao velho: para quem está envelhecendo sentir-se rejuvenescer através da grata recordação das coisas que já se foram, e para o jovem poder envelhecer sem sentir medo das coisas que estão por vir; é necessário, portanto, cuidar das coisas que trazem a felicidade, já que, estando esta presente, tudo temos, e, sem ela, tudo fazemos para alcançá-la. 

Pratica e cultiva então aqueles ensinamentos que sempre te transmiti, na certeza de que eles constituem os elementos fundamentais para uma vida feliz”.