Foucault contra si mesmo (documentário)

Neste filme de François Caillat, filósofos e historiadores comentam as marcas da rica e contraditória produção intelectual de Michel Foucault num breve panorama de sua carreira, ilustrado por entrevistas com próprio pensador e relacionado com passagens de sua vida fora do ambiente acadêmico.

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Foulcault e a hiperespecialização

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Foucault, no final dos anos 60, anunciava o fim do intelectual à moda antiga. Para Foucault, os intelectuais têm de renunciar a fazer o que têm feito desde o séc. XVIII, isto é, ” unir em uma mesma mensagem a herança do sábio grego, do profeta judeu e do legislador romano”.

A esse tipo de pensador, Foucault oferece a hiperespecialização: “A figura na qual se concentram as funções e o prestígio deste novo intelectual, não é mais a do escritor genial, é a do erudito integral; não mais aquele que carrega sozinho os valores de todos, mas aquele que detém, juntamente com alguns outros, poderes que podem favorecer ou eliminar definitivamente a vida.”

Foucault: lugar de fala e a luta pelo discurso 

O discurso não é simplesmente aquilo que traduz as lutas ou os sistemas de dominação, mas aquilo porque, pelo que se luta, o poder do qual nos queremos apoderar.

(Michel Foucault)
imagem: Michel Foucault e Jean Paul Sartre

Foucault: relações de Poder

“Onde há poder, ele se exerce.

Ninguém é, propriamente falando, seu titular;

e, no entanto, ele sempre se exerce em determinada direção, com uns de um lado e outros de outro;

não se sabe ao certo quem o detém; mas se sabe quem não o possui.”

Foucault

Michel Foucault: Loucura, Poder, Desvalidos e Conhecimento

 

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Michel Foucault foi um importante filófoso e professor da cátedra de História dos Sistemas de Pensamento no Collège de France. Desenvolveu todo o seu trabalho em torno da arqueologia do saber filosófico, da experiência literária e da análise do discurso. Também se concentrou na relação entre poder e governamentalidade.

Foucault é conhecido pelas suas críticas às instituições sociais, especialmente à psiquiatria, à medicina, às prisões, e por suas ideias sobre a evolução da história da sexualidade e à complexa relação entre Poder e Conhecimento

É  mais conhecido por ter destacado as formas de certas práticas das instituições em relação aos indivíduos. Ele destacou a grande semelhança nos modos de tratamento dado ou infligidos aos grandes grupos de indivíduos que constituem os limites do grupo social: os loucos, prisioneiros, alguns grupos de estrangeiros, soldados e crianças.

Ele acreditava que, em última análise, eles têm em comum o fato de serem vistos com desconfiança e excluídos por uma regra em confinamento em instalações seguras, especializadas, construídas e organizadas em modelos semelhantes (asilos, presídios, quartéis, escolas), inspirados no modelo monástico; instalações que ele chamou de “instituições disciplinares”

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Na grande maioria das suas obras, Michel Foucault esforçou-se por se limitar a problemas concretos (a loucura, a prisão, a clínica psiquiátrica), num contexto geográfica e historicamente bem determinado (a França, a Europa ou o Ocidente; no fim do século XVIII, na Grécia antiga, etc.). No entanto, as suas observações permitem extrair conceitos que ultrapassem esses limites de tempo e espaço. Elas conservam, assim, uma grande atualidade. Por isso, muitos intelectuais – em várias áreas do conhecimento – podem se referir a Foucault atualmente de forma que ainda se mostra extremamente relevante.

 

Videos:

I) Michel Foucault por ele mesmo: um documentário com diversas entrevistas do filósofo, onde as idéias centrais de sua obra são explicadas pelo próprio

II) Michel Foucault no Globo Ciência: programa da Rede Globo que explicou de forma simples e didática as idéias centrais do filosófoso