Nietszche e o Sofrimento: regras para a vida

O documentário apresenta aspectos do pensamento do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, o destruidor de mundos com sua filosofia do martelo.

Nietzsche viveu na segunda metade do século XIX e tinha uma proposta ousada de pensar no sofrimento, nas dificuldades e na dureza da vida; muitas vezes causando verdadeira consternação no seu leitor.

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Ele dizia: “Às pessoas de quem gosto desejo sofrimento, doenças, dificuldades, indignidade, desprezo, desconfiança e a infelicidade dos conquistados”, isso porque para ele “a felicidade e a infelicidade eram irmãs gêmeas e cresciam juntas”. Ou seja, para realizar grandes feitos é indispensável aprender a lidar com as dificuldades, os desafios, o erro e o fracasso, vistos como aspectos inerentes à própria vida.

frase nietzschePara Nietzsche, é no risco e no desafio que está a beleza da vida, tal como a sensação de bem-estar que sentimos no cume da montanha, após tê-la subido exaustivamente, passo a passo.

O vídeo mostra profissões que idolatramos e até idealizamos, pelas quais a pessoa tem que sofrer, tem que se superar para conquistar a meta desejada: o astronauta, a bailarina, o músico, o trapezista são alguns exemplos.

Procure relacionar os desafios exibidos no vídeo (como, por exemplo, escalar uma montanha) com os momentos em que somos testados na vida: apresentações em público, concursos, competições esportivas são momentos em que observamos dedicação máxima e muita pressão. Para Nietzsche, é justamente isso que faz o ser humano aprender a reagir bem ao sofrimento e usar isso para produzir o belo, além de dar um gosto maior na hora das conquistas.

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Explicando os Conceitos: O Eterno Retorno em Nietzsche

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O maior dos pesos – E se um dia, ou uma noite, um demônio lhe aparecesse furtivamente em sua mais desolada solidão e dissesse: ‘Esta vida, como você a está vivendo e já viveu, você terá de viver mais uma vez e por incontáveis vezes; e nada haverá de novo nela, mas cada dor e cada prazer e cada suspiro e pensamento, e tudo o que é inefavelmente grande e pequeno em sua vida, terá de lhe suceder novamente, tudo na mesma sequência e ordem – e assim também essa aranha e esse luar entre as árvores, e também esse instante e eu mesmo. A perene ampulheta do existir será sempre virada novamente – e você com ela, partícula de poeira!’.

– Você não se prostraria e rangeria os dentes e amaldiçoaria o demônio que assim falou? Ou você já experimentou um instante imenso, no qual lhe responderia: “Você é um deus e jamais ouvi coisa tão divina!”.

Se esse pensamento tomasse conta de você, tal como você é, ele o transformaria e o esmagaria talvez; a questão em tudo e em cada coisa, “Você quer isso mais uma vez e por incontáveis vezes?‟, pesaria sobre os seus atos como o maior dos pesos! Ou o quanto você teria de estar bem consigo mesmo e com a vida, para não desejar nada além dessa última, eterna confirmação e chancela”

– Friedrich Nietzsche, Gaia Ciência, 341

 

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O conceito do eterno retorno é central na obra de Nietzsche. Trata-se de um um rigoroso critério de avaliação da própria vida.

Através do eterno retorno, o filósofo pergunta se  vida que você tem hoje é a vida que você quer viver. O conceito passa longe de qualquer interpretação metafísica e também não tem qualquer relação com a repetição da rotina ou a  passagem do tempo de forma cíclica e outras interpretações enviesadas que encontra-se em alguns textos.

O eterno retorno é uma régua de avaliação individual para a vida que você leva neste momento: agora. 

Nietzsche é um filósofo vitalista preocupado com a vida que se leva na completa imanência – neste mundo, o único possível –  sem qualquer tipo de muleta metafísica ou transcendental. Assim, seu critério de avaliação da vida só pode ser feito aqui, neste momento.  O emprego que você tem, o relacionamento em que você está, o tipo de vida que você leva…. se eles voltassem e voltassem e voltassem, você seria feliz? E se a resposta for negativa, o que te impede de mudar? A felicidade deve ser buscada e batalhada na criação de uma vida que se deseje que retorne, a cada dia, a cada momento, que pode ser repetir  sempre.

A régua de avaliação do eterno retorno é individual. Não se trata aqui de um conceito de autoajuda; não se fala de regras de condutas a serem copiadas e imitadas por todos. Cada um, por si e na mais desolada solidão, deve enxergar em seus gostos e inclinações aquilo que o deixa feliz e satisfeito. E colocá-los de maneira integral em sua vida.  E assim entendemos a pergunta do demônio de Nietzsche:  se essa vida que você tem agora tivesse que repetir de novo e de novo e de novo, você ajoelharia e rangeria os dentes ou responderia que nunca ouviu coisa mais linda?

– Manuel Sanchez

Filosofia nos Quadrinhos: Lúcifer, Estrela da Manhã

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 Lúcifer, estrela da manhã é um personagem de quadrinhos do selo Vertigo e para mim a melhor versão já retratada em qualquer mídia. Inicialmente, ele surge idealizado por Neil Gaiman como um personagem secundário nas páginas da aclamada série de quadrinhos Sandman; e depois é detalhado e expandido por Mike Carey em título próprio, utilizando-se de todos os mitos judaicos e cristãos sobre os anjos e suas batalhas, não deixando de mencionar as histórias de cunho místico que não se vinculam a nenhuma das religiões principais.

Sim, Lúcifer é a história atual do personagem mencionado no Gênesis bíblico.

Mas pouco tem a ver com a imagem de uma criatura suja, feia, maldosa, mentirosa, envolvida com a perversidade e desejosa de criar pequenas maldades ao ser humano.

O personagem dos quadrinhos tem mais semelhanças com o Lúcifer do clássico inglês  “Paraíso Perdido” de John Milton: uma figura bela, que exala liderança, apaixonada, soberba, ciente de sua força e de sua inteligência. Uma alma nobre, atormentada, de natureza aristocrática e dotado de um código de honra que segue à risca. O Lúcifer de John Milton e dos quadrinhos do selo Vertigo tem esse ar de desprezo pela fraqueza, de pouco caso com os que aceitam a obediência. Desprezo pela moral dos fracos, dos que ficam à espera de um mundo melhor no por vir.

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Preferido do Criador, o Portador da Luz é um ser amargurado por se sentir traído por Deus ao descobrir que uma eternidade de serviços prestados será ignorada em prol de uma nova raça criada pelo Senhor: os homens. Claramente inferiores aos Anjos, sem sua beleza, inteligência e força, mas que receberão o maior presente de Deus – negado aos Anjos – o livre arbítrio.

Em sua fúria ao ter todo seu amor e serviço não valorizados e em ter negado o direito ao livre arbítrio, Lúcifer articula uma rebelião nos Céus, sendo por fim derrotado por Miguel Arcanjo.

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Derrotado, jogado ao Inferno com sua hoste de seguidores, Lúcifer por fim transforma a derrota em conquista, declarando aos seus seguidores o direito de tomar suas próprias decisões, seguirem seus desejos, reinando a seu modo.

“É melhor reinar no Inferno do que servir no Paraíso”; ou seja, é melhor criar a sua própria identidade e traçar o próprio destino – mesmo que difícil e espinhoso – do que seguir ordens, aceitar um papel estabelecido pela sociedade (mesmo que divina) e negar a própria individualidade.

Esta frase de Lúcifer ao ser remetido ao Inferno é a afirmação da individualidade; a confirmação da modernidade. A assunção do “Eu posso”.

É deste personagem Miltoniano – e não do bíblico – que Neil Gaiman bebe para contar a história de Lúcifer, quando o mesmo percebe que NÃO, ele ainda não tem seu livre arbítrio. Que seu reinado individual no Inferno é falso.

lucifer16Afinal, as almas humanas condenadas são todas destinadas ao Inferno por ordem de Deus, sem qualquer interferência de Lúcifer que continua sem poder decidir quem fica ou não em seus domínios.

Finalmente percebe que o Inferno é apenas mais um dos reinos de Deus, sendo ele – Lúcifer – apenas um gerente em nome do Criador para cuidar de um canto destinado aos sofrimentos impostos pela Ordem Divina.

É Deus quem decide as regras de salvação ou condenação da alma e quem envia ao Inferno ou perdoa os atos. O julgamento das ações humanas é sempre de Deus, nunca de Lúcifer. Este apenas recebe as almas mandadas por uma Ordem Superior.

A identidade que Lúcifer orgulhosamente acreditava ter criado para si mesmo era falsa, imposta de fora, determinada por Deus, uma vez que seu reino continuava submetido às decisões tomadas nos Céus.

Lúcifer percebeu que estava sendo enganado. Ele não reinava. Obedecia. Ele não era livre, mas mantinha seus vínculos de vassalagem com o Todo Poderoso.

Finalmente lhe ocorre que toda sua vida, seus serviços, a Rebelião, a administração do Inferno – TUDO – já havia sido predestinado por Deus em seu Reino, retratado sempre como uma sociedade hierarquizada, de papéis definidos, onde não é permitida a decisão livre e espontânea.

lucifer01Na obra de Neil Gaiman “Sandman, Estação das Brumas”, parte da vasta coleção do personagem Sandman, temos o primeiro contato com o  personagem Lucifer.  Nesse livro, o autor  leva a busca pelo livre arbítrio de Lúcifer ao extremo, quando ele abandona as chaves do Inferno, corta suas asas e ruma para a Terra, abrindo um piano bar e vivendo entre os humanos.

Simplesmente uma mudança de paradigma total que inicia uma saga contando as histórias de Lucifer vivendo entre os humanos e as criaturas sobrenaturais que andam pela Terra.

É esse personagem livre e sem vínculos, aristocrático, gentil e vaidoso, vivendo entre os humanos e dono de um piano bar chamado “Lux” – em Los Angeles (óbvio!) – frequentado por místicos, bruxos e demônios que o escritor Mike Carey conduzirá em uma série própria que durou 75 números.

A série de quadrinhos é filosófica. Discute a questão do livre-arbítrio e da predestinação, a criação da identidade, a ansiedade da responsabilidade pelas próprias decisões e pela criação do próprio destino em um mundo que está sempre em mudança; onde a noção de hierarquia está deteriorada e não existem mais papéis fixos.

De certa forma, o personagem Lúcifer está até o pescoço envolvido com todos os assuntos que sociólogos como Zygmunt Bauman retratam na atual modernidade líquida.

Ao contrário da noção bíblica, Lúcifer nunca mente. Ele deseja, articula, persegue… mas nunca mente. Esta é a base da moralidade do personagem, que persegue o mote de nunca mentir como um verdadeiro imperativo categórico Kantiano.

Lucifer_Liege_Luc_ViatourAr aristocrático, mente nobre, gosto refinado, ele expõe claramente o que deseja deixando aos terceiros que o encontram a decisão de se unirem ou não a ele – e enfrentarem as consequências de suas PRÓPRIAS decisões, falsidades e mentiras.

Lúcifer se vê como uma criatura que refuta as noções de bem e mal pré-estabelecidas seja por Deus, pelos demais anjos ou pelos homens. A idéia de que sua identidade foi forjada na polifonia dos simbolos e signos do mundo exterior destrói sua alma. Ele quer forjar seu caminho.

Compaixão não está em seu vocabulário. O personagem é praticamente um seguidor não declarado da filosofia de Friedrich Nietzsche. Existem seres destinados para a grandeza e outros destinados a servir; sempre existirão ovelhas que preferem seguir um pastor a tomar suas próprias decisões. E usar de suas mentes fracas para alcançar objetivos superiores não é um problema.

Ou seja, além do deleite dos quadrinhos, o argumento e diálogos são perfeitos para discussões filosóficas e comparações entre autores variados.

As aventuras de Lúcifer o colocam rumo ao seu grande desejo: a criação de um Universo próprio, em paralelo e mesmo em oposição ao universo de Yahweh, o Deus judaico cristão, seu pai. A concepção psicanalitica freudiana da oposição entre pai e filho permeia toda a obra. 

Tais manobras o colocam em rumo de colisão com diversas entidades místicas, deuses mortos de sociedades antigas e claro, com as hostes de anjos que enfrentou no passado da Rebelião original. Ao longo de 75 números, Lúcifer visita seus antigos domínios, passa pelas representações dos Infernos da mitologia oriental, até chegar à sua antiga moradia na Cidade dos Anjos e ter sua conversa definitiva com Deus.

Uma obra de fôlego impressionante que vai sendo contada em um crescendo. Mike Carey domina a arte do clímax literário.

Sandman - Estação das brumasNão é um quadrinho para ler fora de ordem.É uma novela mesmo. E das boas.

A quem interessar, tem que começar com a obra do Sandman “Estação das Brumas” (que se situa ali pelo meio da série de Sandman) e depois partir para o título solo de “Lúcifer”, com os 75 números na ordem. Tudo tem ligação na saga e referências entre diálogos dos primeiro números com acontecimentos da parte final são abundantes.

Um personagem atormentado de dúvidas, mas que não permite que elas o travem. Ao contrário, estas o impelem sempre a agir, atuar e criar. Nietzsche em estado bruto. Não tenho como esconder minha preferência. É a melhor série de quadrinhos já produzida.

A série foi posteriormente adaptada para a televisão em um seriado fraco, sem substância e que em nada lembra os quadrinhos.

Dia de Ouvir: Friedrich Nietzsche, concerto ao piano

 

Todos conhecem o trabalho filosófico e literário de Friedrich Nietzche, autor de obras icônicas como “Assim Falava Zaratrusta”, “Além do Bem e do Mal”, “Gaia Ciência” entre muitas que revolucionaram a filosofia de fins do século XIX, sendo objeto de intenso estudo até hoje.

O que poucos sabem é que o filósofo também era compositor e foi o autor de várias composições ao piano, sobretudo em sua juventude.

Neste vídeo, temos um trecho de composição de Nietzsche sendo interpretado pelo pianista Michael Krücker. 

Aforismos de Nietzsche, parte 1

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Ler as obras e aforismos de Nietzsche nunca é demais.

Nesta nova visita, colecionamos aforismos do livro “Nietzsche para Estressados”. 

Bon Voyage,

 

 

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1 — Quem tem uma razão de viver é capaz de suportar qualquer coisa.

2 — O destino dos seres humano é feito de momentos felizes e não de épocas felizes.

3 — Nós nos sentimos bem em meio à natureza porque ela não nos julga.

4 — Precisamos pagar pela imortalidade e morrer várias vezes enquanto estamos vivos.

5 — O valor que damos ao infortúnio é tão grande que, se dizemos a alguém “Como você é feliz!”, em geral somos contestados.

6 — Nossos tesouro está na colmeia de nosso conhecimento. Estamos sempre voltados a essa direção, pois somos insetos alados da natureza, coletores do mel da mente.

7 — A palavra mais ofensiva e a carta mais grosseira são melhores e mais educadas que o silêncio.

8 — Nossa honra não é construída por nossa origem, mas por nosso fim.

9 — O homem que imagina ser completamente bom é um idiota.

10 — As pessoas que nos fazem confidências se acham automaticamente no direito de ouvir as nossas

11 — Precisamos amar a nós mesmos para sermos capazes de nos tolerar e não levar uma vida errante.

12 — Só quem constrói o futuro tem o direito de julgar o passado.

13 — Alegrando-se por nossa alegria, sofrendo por nosso sofrimento — assim se faz um amigo.

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14 — Não devemos ter mais inimigos que as pessoas dignas de ódio, mas tampouco devemos ter inimigos dignos de desprezo. É importante nos orgulharmos de nossos inimigos.

15 — O sucesso sempre foi um grande mentiroso.

16 — O homem é algo a ser superado. Ele é uma ponte, não um objetivo final.

17 — Falar muito de si mesmo pode ser uma forma de se ocultar.

18 — As pessoas nos castigam por nossas virtudes. Só perdoam sinceramente nossos erros.

19 — O reino dos céus é uma condição do coração e não algo que cai na terra ou que surge depois da morte.

20 — O homem é, antes de tudo, um animal que julga.

21 — A melhor arma contra o inimigo é outro inimigo.

22 — Os maiores êxitos não são os que fazem mais ruído e sim nossas horas mais silenciosas.

23 — O indivíduo sempre lutou para não ser absorvido por sua tribo. Se fizer isso, você se verá sozinho com frequência e, às vezes, assustado. Mas o privilégio de ser você mesmo não tem preço.

24 — Quem é ativo aprende sozinho.

25 — Nossas opiniões são a pele na qual queremos ser vistos.

26 — Não há razão para buscar o sofrimento, mas, se ele surgir em sua vida, não tenha medo: encare-o de frente e com a cabeça erguida.

27 — A razão começa na cozinha.

28 — O futuro influi no presente da mesma maneira que o passado.

29 — Não deveríamos tentar deter a pedra que já começou a rolar morro abaixo; o melhor é dar-lhe impulso.

30 — A maneira mais eficaz de corromper o jovem é ensiná-lo a admirar aqueles que pensam como ele e não os que pensam de forma diferente.

31 — Toda queixa contém em si uma agressão.

32 — No amor sempre existe algo de loucura e na loucura sempre existe algo de razão.

33 — Quem deseja aprender a voar deve primeiro aprender a caminhar, a correr, a escalar e a dançar. Não se aprende a voar voando.

34 — Quem luta contra monstros deve ter cuidado para não se transformar em um deles.

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35 — São muitas as verdades e, por esse motivo, não existe verdade alguma.

36 — A mentira mais comum é a que o homem usa para enganar a si mesmo.

37 — Deveríamos considerar perdido o dia em que não dançamos nenhuma vez.

38 — Há mais sabedoria no seu corpo do que na sua filosofia mais profunda.

39 — Se ficar olhando muito tempo para o abismo olhará para você.

40 — As posições extremas não são seguidas de posições moderadas, e sim de posições contrárias.

41 — Preciso de companheiros, mas de companheiros vivos, não de cadáveres que eu tenha que levar nas costas por toda parte.

42 — Eis a tarefa mais difícil: fechar a mão aberta do amor e ser modesto como doador.

43 — A arrogância por parte de quem tem mérito nos parece mais ofensiva que a arrogância de quem não o tem: o próprio mérito é ofensivo

44 — Todos os grandes pensamentos são concebidos ao se caminhar

45 — Quem não sabe guardar suas opiniões no gelo não deveria entrar em debates acalorados.

46 — Dois grandes espetáculos são muitas vezes suficientes para curar uma pessoa apaixonada.

47 — Quem declara que o outro é idiota fica chateado quando, no final, descobre que isso não é verdade.

48 — Amigos deveriam ser mestres em adivinhar e calar: não se deve querer saber tudo.

49 — Usar as mesmas palavras não é garantia de entendimento. É preciso ter experiências em comum com alguém.

50 — Estava só e não fazia outra coisa além de encontrar-se consigo mesmo. Então, aproveitou sua solidão e pensou em coisas muito boas por várias horas.

51 — A potência intelectual de um homem se mede pelo humor que ele é capaz de manifestar.

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52 — Gosto dos valentes, mas não basta ser um espadachim: também é preciso saber a quem ferir. E, muitas vezes, abster-se demonstra mais bravura, reservando-se para um inimigo mais digno.

53 — De que vale o ronronar de alguém que não sabe amar, como um gato?

54 — Para chegar a ser sábio, é preciso querer experimentar certas vivências. Mas isso é muito perigoso. Mais de um sábio foi devorado nessa tentativa.

55 — O cérebro verdadeiramente original não é o que enxerga algo novo antes de todo mundo, mas o que olha para coisas velhas e conhecidas, já vistas e revistas por todos, como se fossem novas. Quem descobre algo é normalmente este ser sem originalidade e sem cérebro chamado sorte.

56 — Quem não dispõe de dois terços do dia é um escravo.

57 — O melhor meio de ajudar pessoas muito confusas e deixá-las mais tranquilas é elogiá-las de forma veemente.

58 — O homem amadurece quando reencontra a seriedade que demonstrava em suas brincadeiras de criança.

59 — Ninguém é tão louco que não possa encontrar outro louco que o entenda.

60 — Na maior parte das vezes que não aceitamos uma opinião, isso acontece por causa do tom em que ela foi manifestada.

61 — Acredito que os animais veem o homem como um ser igual a eles que perdeu, de forma extraordinariamente perigosa, a sanidade intelectual animal. Ou seja: veem o homem como um animal irracional, um animal que sorri, que chora, um animal infeliz.

62 — Antes de se casar, pergunte a si mesmo: serei capaz de manter uma boa conversa com essa pessoa até a velhice? Todo o resto é passageiro num matrimônio.

63 — É muito difícil os homens entenderem sua ignorância no que diz respeito a eles mesmos.

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64 — Pobre do pensador que não é o jardineiro, mas apenas o canteiro de suas plantas.

65 — Um poeta escreveu em sua porta: “Quem entrar aqui me honrará. Quem não entrar me proporcionará um prazer”.

66 — A verdade é que amamos a vida não porque estamos acostumados a ela, mas porque estamos acostumados com o amor.

67 — O homem é a causa criativa de tudo o que acontece.

68 — Seus maiores bens são seus sonhos.

69 — Quem não sabe dar nada não sabe sentir nada.

70 — As ilusões são certamente prazeres dispendiosos, mas a destruição delas é mais dispendiosa ainda.

71 — A essência de toda arte bela, de arte grandiosa, é a gratidão.

72 — Não é raro encontrar cópias de grandes homens. E, como acontece com os quadros, a maior parte das pessoas parece mais interessada nas cópias do que nos originais.

73 — Quem não teve um bom pai deve procurar um.

74 — Os poços mais profundos vivem suas experiências lentamente: esperam um bom tempo até saberem o que caiu em suas profundezas.

75 — Quando temos muitas coisas para guardar nele, o dia tem 100 bolsos.

76 — Uma alma delicada se sente mal quando sabe que receberá agradecimentos. Uma alma grosseira se sente mal quando sabe que precisa agradecer a alguém.

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77 — Não se pode odiar enquanto se menospreza. Não se pode odiar mais intensamente um indivíduo desprezado do que um igual ou superior.

78 — Quantos homens sabem observar? E, desses poucos que sabem, quantos observam a si próprios? “Cada pessoa é o ser mais distante de si mesmo.”

79 — A guerra emburrece o vencedor e deixa o vencido rancoroso.

80 — Cada mestre não tem mais que um aluno e esse aluno lhe será infiel, pois está predestinado a ser mestre também.

81 — O mundo real é muito menor que o mundo da imaginação.

82 — Se você for magoado por um amigo, diga a ele: “Eu o perdoo pelo que me fez, mas como poderia perdoá-lo pelo que fez a si mesmo?”

83 — A esperança é muito mais estimulante que a sorte.

84 — O que não nos mata nos fortalece.

85 — Quem vê mal sempre vê pouco. Quem escuta mal sempre escuta demais.

86 — Toda vez que me elevo, sou perseguido por um cachorro chamado Ego.

87 — Todo idealismo perante a necessidade é um engano.

88 — Você tem o seu caminho. Eu tenho o meu. O caminho correto e único não existe.

89 — Toda convicção é uma prisão.

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90 — Nossa vida nos parece muito mais bonita quando deixamos de compará-la com as dos outros.

91 — As pessoas esquecem de seus erros depois de confessá-los ao outro, mas o outro normalmente não se esquece.

92 — Eis a fórmula da felicidade: um sim, um não, uma linha reta, uma meta.

93 — A melhor maneira de começar o dia é se comprometer a fazer feliz ao menos uma pessoa antes de o sol se pôr.

94 — A simplicidade e a naturalidade são o objetivo supremo e último da cultura.

95 — A vida não é muito curta para que fiquemos entediados?

96 — Não atacamos apenas para machucar o outro, para vencê-lo, mas, algumas vezes, pelo simples desejo de adquirir consciência de nossa força.

97 — Nossas carências são os melhores professores, mas nunca mostramos gratidão diante dos bons mestres.

98 — Quem fica remoendo alguma coisa se comporta de maneira tão tola quanto o cachorro que morde a pedra.

99 — O amor não é consolo — é luz.