Grandes Frases Grandes Livros: O Nome da Rosa, notas sobre o Amor

” Ela me beijou com os beijos de sua boca, e os seus amores foram mais deliciosos do que o vinho e ao olfato eram deliciosos os seus perfumes, e era belo o seu pescoço entre as pérolas e suas faces entre os pingentes, como és bela amada minha, como és bela, os teus olhos são pombas (eu dizia),

e deixa-me ver a tua face, deixa-me ouvir a tua voz, pois a tua voz é harmoniosa e a tua face encantadora, deixaste-me louco de amor , deixaste-me louco com um olhar teu, com um único adereço de teu pescoço, favo gotejante são os teus lábios, leite e mel são a tua língua, o perfume do teu hálito é como o dos pomos, os teus seios em cachos, os teus seios como cachos de uva, o teu palato um vinho precioso que atinge diretamente o meu amor e flui nos lábios e nos dentes…

Fonte do jardim, nardo e açafrão, canela e cinamomo, mirra e aloé, eu comia o meu favo e o meu mel, bebia o meu vinho e o meu leite, quem era ela que se erguia como a aurora, bela como a lua, fúlgida como o sol, terrível como colunas vexilárias? ”

 

“Do único amor terreno de minha vida não sabia, e nunca soube, o nome.”

– Umberto Eco, em “O nome da Rosa”.

 

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Herman Hesse: esse mundo de mentes apagadas 

O que existe hoje não é comunidade, é simplesmente rebanho.

Os homens se unem porque têm medo uns dos outros, e cada um se refugia entre seus iguais: rebanho de patrões, rebanho de operários, rebanho de intelectuais…

E por que têm medo? Só se tem medo quando não se está de acordo consigo mesmo.

-Herman Hesse no livro Demian

Fernando Pessoa: Quem precisa de alma?

Houve um dia em que Caeiro me disse uma coisa mais que espantosa. Falávamos, ou, antes, falava eu, da imortalidade da alma, e achava que esse conceito era necessário, ainda que fosse falso, para se poder suportar intelectualmente a existência, e ver nela mais que um amontoado de pedras com mais ou menos consciência.

      – Não sei o que é ser necessário, disse Caeiro.

      Respondi sem responder. – Diga-me uma coisa. O Caeiro o que é para si mesmo?

      «O que sou para mim mesmo? repetiu Caeiro. – Sou uma sensação minha.

      Nunca esqueci o choque da frase contra a minha alma. Ela presta-se a muita coisa, inclusive a coisas contrárias à intenção de Caeiro. Mas, enfim, foi espontânea, foi uma réstia de sol, iluminando sem intenção nenhuma.

(Fernando Pessoa)

In: Obra Essencial de Fernando Pessoa. 

Herman Hesse: Descubra quem você realmente é 

Não há por que comparar-se com os demais, e se a natureza o criou para morcego, não queira ser avestruz. 

Às vezes você se considera demasiado esquisito e se reprova por seguir caminhos diversos dos da maioria. 

Deixe disso. Contemple o fogo, as nuvens e quando surgirem presságios e as vozes soarem em sua alma abandone-se a elas sem perguntar se isso convém ou é de gosto do senhor seu pai ou do professor ou de algum bom deus qualquer. Com isso só conseguiremos perder-nos, entrar na escala burguesa e fossilizar-nos.

— Herman Hesse, no livro Demian.