Bukowski: descanso após o tumulto

Você não pode estar sempre a mil. Você chega ao topo e depois cai num buraco negro.”

Charles Bukowski – O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio.

Abaixo: detalhe da estátua da morte escrevendo o nome da Imperatriz alemã Sofia Charllote, em seu túmulo, na Catedral de Berlim.

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Pérolas de Machado de Assis: fome e insatisfação

Mas qual é a lei geral da humanidade? É não aceitar aquilo que se lhe dá, para ir buscar aquilo que não poderá obter. “

— Machado de Assis, no conto “O anjo das donzelas ”

Abaixo: A fome, de Alfred Kubin

Grandes frases grandes livros: Sidarta – o destino

Sidarta

O pássaro que antigamente cantava em meu peito não morreu ainda. Mas que jornada extraordinária!

Careci passar por tamanha insensatez, por tantos vícios e erros, por um sem-números de desgostos, desilusões, tristezas, só para voltar a ser criança e para começar de novo. E apesar de tudo isso, fiz bem agindo dessa forma.

Meu coração está de acordo e meus olhos enxergam aquilo com prazer. Coube-me em sorte o pior desespero. Foi necessário que me degradasse até o mais estúpido dos propósitos e pensasse no suicídio, para que me acontecesse a graça, para que eu ouvisse novamente o Om, para que me fosse dado dormir com calma e acordar refeito. Tive de pecar para que pudesse tornar a viver.

Aonde me levará agora o meu destino? meu caminho parece louco; faz curvas, talvez me conduza num círculo fechado.

Seja como for, vou segui-lo!

— Hermann Hesse, no livro Sidarta.

Fernando Pessoa: em meio aos símbolos

O caminho dos símbolos é perigoso, porque é fácil e sedutor, e é particularmente fácil e sedutor para os de imaginação viva que são precisamente os mais fáceis de induzir-se em erro e, também, de romancear para os outros, formando fraudes por vezes inocentes, por vezes um pouco menos que isso. Nada há mais fácil que interpretar qualquer coisa simbolicamente; é ainda mais fácil que interpretar profecias.

Sucede, ainda, que os grandes símbolos são relativamente simples, prestando-se assim a uma série infinita de interpretações.

Figure-se o leitor, imaginando, quantos valores simbólicos se não poderão atribuir às duas colunas no átrio do Templo de Salomão, ou, aliás, a quaisquer duas colunas em qualquer parte. Tudo quanto, na vida ou no sonho, é composto de uma dualidade — e quase tudo na vida ou no sonho envolve uma dualidade qualquer —, tudo isso se pode supor simbolizado por aquelas duas colunas.

Elas, porém, não podem destinar-se a simbolizar tudo quanto se queira. Algum, ou alguns, hão-de ser os veros sentidos íntimos delas. O que se pergunta, pois, é isto: que critério temos nós para determinar, entre tantos símbolos possíveis, quais são os que são deveras aplicáveis, os verdadeiros?

Fernando Pessoa e a Filosofia Hermética

Abaixo: William Blake, O grande dragão vermelho e a Virgem vestida de Sol

Machado de Assis: filosofia de vida

Trata de saborear a vida; e fica sabendo, que a pior filosofia é a do choramingas que se deita à margem do rio para o fim de lastimar o curso incessante das águas. O ofício delas é não parar nunca; acomoda-te com a lei, e trata de aproveitá-la.

— Machado de Assis, no livro “Memórias póstumas de Brás Cubas”