História Econômica do Brasil

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Documentário do Laboratório Brasil sobre um tema que a maioria das pessoas de hoje esqueceu ou não viveu: a hiperinflação dos anos 80 e 90, com seus sucessivos planos econômicos desastrosos e apocalípticos.

Neste período em que estamos com as contas públicas saindo dos eixos,  pacotes econômicos e reformas negociadas no Congresso Nacional, acredito que é relevante relembrar algumas coisas.

O filme traz entrevistas com diversos ex-presidentes do Banco Central, ministros da Fazenda e economistas de renome explicando a situação do país, as ideias mirabolantes de controle da inflação plano por plano até chegar ao Plano Real.

Muito interessante e didático.

 

Rio de Janeiro – Prefeitura do Distrito Federal

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Ao desembarcar no Rio de Janeiro, em março de 1808, Dom João e sua corte encontraram uma cidade pequena, de apenas 60 mil habitantes, completamente despreparada para receber tantos e tão ilustres moradores. Algo entre 10 mil e 15 mil portugueses, acostumados ao conforto da Europa, invadiram o Rio de repente.

Instaurou-se o caos.

Pela primeira vez na história, uma família real européia punha os pés na América. Estava em curso uma transferência de poder sem precedentes: a mudança de toda a corte portuguesa, por tempo indeterminado, de Lisboa para a Baía de Guanabara.

O Rio de Janeiro virou então capital do império português em 1808, posteriormente tornou-se capital do Império brasileiro em 1822 e capital da República em 1889. Nos anos 60 do século XX, a cidade perdeu sua importância politica com a transferência da capital da República para o cerrado de Brasília. Começava um longo e penoso declínio que nos acompanha até hoje.

A placa que inicia o post encontra-se em frente ao sítio arqueológico do Valongo, ponto de chegada dos escravos africanos na cidade. Existem poucas delas espalhadas ainda pela cidade.

Você saberia indicar a localização de mais alguma? 

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História do Brasil, esse maltratado desconhecido

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Há muito tempo eu percebi que as pessoas em geral ignoram o básico da história do Brasil. Não sei se por puro desinteresse com o nosso passado ou por não terem tido as noções essenciais na escola. Ignoram tudo.

Não estou falando para ninguém ler “Raízes do Brasil” (Sergio Buarque de Holanda) ou “Casa-Grande e Senzala” (Gilberto Freyre). Estou falando do básico.

Conhecer as vigas mestras da construção do país, os principais momentos, o contexto mundial em que foram tomadas as decisões essenciais que moldaram nossa história.

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O presente não foi criado do nada.

Temos uma origem, um contexto, um caminho traçado que ajuda a jogar luz sobre muita coisa de hoje em dia. Antes do governo atual, dos movimentos sociais modernos, existiu muita luta, muita perseguição, atos de coragem e equívocos gigantescos.

Se nos centrarmos na história dos últimos 40 anos, verificamos que muitos personagens ainda estão em atuação e que processos políticos e econômicos iniciados há 20 anos atrás ainda estão em marcha e – acreditem – são os temas subjacentes a toda dinâmica político e escândalos dos nossos dias.

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Separei algumas dicas de leituras misturando historiadores consagrados e jornalistas com interesse em fatos históricos.

A linha de corte é bem simples: objetividade e clareza nas explicações.

Todos os livros mencionados são de leitura fácil, sem tecnicismos, voltados para o público em geral e ajudarão com certeza a criar um entendimento básico de nossa História. 

E também confira esse outro post com vídeos sobre a história política e econômica do Brasil.

 

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1)   História do Brasil – Boris Fausto:

São os livros mais técnicos da lista, fruto do trabalho de um historiador de peso. Tratam do Brasil desde o descobrimento até os dias atuais. Não são obras que se preocupa tanto com o “o quê – quem -quando”, mas sim descrevem em detalhes as invisíveis forças econômicas e políticas por trás dos fatos históricos. Os livro fazem a cobertura e análise de nossa história até o governo Lula. A obra pode ser encontrada em sua versão integral (preferível e mais detalhada) e uma versão concisa, que também é muito interessante.

  

 

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2)   Uma História do Brasil – Thomas Skidmore

 Livrinho  curto e bem direto descrevendo os principais eventos e situações na história brasileira, na visão de um historiador estrangeiro. 

Trata-se de um resumo da nossa história.

 

 

 

 

 

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3)   Brasil, uma História – Eduardo Bueno

Obra de um jornalista, é uma leitura leve e agradável que descreve os principais locais, fatos e personalidades da nossa história com detalhes pitorescos e situações inusitadas.

A edição antiga era recheada de fotos e quadros emblemáticos da história do Brasil, que são, eles próprios documentos que contextualizavam os eventos descritos no texto. A versão nova do livro diminui a parte gráfica ao mínimo. Uma pena. 

Eduardo Bueno começou uma incrível série sobre a história do Brasil em vários volumes, mas aparentemente a empreitada foi abandonada quando ainda estava tratando da colonização do país. Uma pena, eram ótimos livros. 

 

 

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4)   1808 ,  1822  e 1889 – Laurentino Gomes

As obras são ideais  para serem lidas em sequência.

O autor descreve de forma leve e muito informativa o contexto da chegada da família real portuguesa ao Brasil e os eventos que levaram à nossa independência política e posteriormente à queda do regime imperial. Repleto passagens curiosas, escrito em um estilo meio romance e meio jornalístico.

 

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5)   “As noites das grandes fogueiras” e “1930, órfãos da Revolução”

 Domingos Meireles:

Duas obras de fôlego investigativo do repórter Domingos Meireles. O primeiro descreve todo o périplo da coluna Prestes pelo interior do Brasil, sua contextualização e as lutas campais entre a coluna e as tropas do governo até seu fim melancólico.

O segundo livro trata da Revolução de 30 e do período Vargas, narrando as situações como se fosse uma novela dramática estrelada por um dos personagens mais fundamentais da história brasileira.

Parece uma improvável novela. Mas é a nossa história.

Excelentes obras.

 

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6)   “Brasil, de Getúlio a Castelo” e “Brasil, de Castelo a Tancredo” – Thomas Skidmore.

Livros clássicos da historiografia brasileira.

Muitos dizem que já estão datados. Eu os acho ótimos. As obras descrevem as principais situações, eventos políticos e manobras parlamentares de cada período, sem descuidar do reflexo na imprensa e o panorama mundial em que se situaram.

Excelentes.

 

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7)   Ilusões Armadas –  Elio Gaspari:

Série de livros do jornalista Elio Gaspari sobre o período da ditadura brasileira iniciada em 1964. O escritor se valeu de conversas particulares e dos arquivos pessoais do ex-presidente Geisel.

Particularmente, gosto muito dos dois primeiros volumes “Ditadura Envergonhada” e “Ditadura Escancarada”.

No primeiro, o autor descreve todo o contexto que levou ao golpe. No segundo, observa mais de perto os grupos guerrilheiros que se opuseram ao golpe.

Todos os livros trazem o contexto político e econômico do período. Muitos personagens ainda estão por ai, escrevendo em jornais, atuando no Congresso…

 

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8)   Noticias do Planalto – Mario Sergio Conti

O livro descreve o período Collor desde sua atuação regional em Alagoas até tornar-se presidente do Brasil.

O inicio de grande apoio popular, as manobras políticas, os esquemas de corrupção, a investigação levada a cabo pela imprensa, a campanha de oposição e por fim o primeiro impeachment de um presidente eleito no país.

Praticamente todos os personagens mencionados continuam em atuação na política nacional. Revelador.

 

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9)   Saga Brasileira – Miriam Leitão

É uma obra sobre história econômica recente desde a hiperinflação dos anos Sarney , passando por todos os planos econômicos desastrados e desastrosos dos anos 80 até o plano Real do governo Itamar que, por fim,  levou ao Planalto o presidente Fernando Henrique.

Traz um foco sensato sobre as conquistas econômicas trabalhadas por vários governos e o programa de privatização iniciado no governo Collor e aprofundado no governo FH.

Todos os políticos e economistas mencionados continuam na ativa. Alguns parecem ter esquecido quase tudo que falaram ou fizeram há 15 ou 20 anos atrás. Genial.

Meus Livros Favoritos – parte III

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Retomo minha pequena resenha dos meus livros prediletos. São livros que me moldaram seja pelo caráter sentimental, seja pela abertura de novas áreas de interesse em minha vida.

Os outros livros da lista podem ser encontrados nas  parte 1 e parte 2  com livros de filosofia, história e ficção.

Com vocês, a terceira parte. 

 

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Genesis_BíbliaO Gênesis

O mito da Criação segundo o judaísmo (também aceito pelos cristãos e muçulmanos em seus livros) tem seus elementos essenciais remetendo às histórias míticas sumérias.

Salvo os estudiosos em história da religião ou história das civilizações, hoje pouca gente lê sobre mitos sumérios… talvez isso explique porque determinadas pessoas acreditem que os mitos bíblicos são de alguma forma originais e mereçam uma interpretação literal.

Seja como for, as linhas básicas foram incorporadas, modificadas e expandidas pela pena do povo judeu e através dele recebemos um arcabouço mítico que forma nosso inconsciente coletivo.

Gosto das histórias e da sua narrativa de formação de um povo, criação de proto-heróis e tentativa de compreensão da moralidade e ética. Além das imagens trazidas pelos narradores serem extremamente ricas, as histórias possuem reviravoltas que são atraentes para os leitores: homicidios, incesto, guerras, pragas, maldições, demônios, lutas, culpa, arrependimentos, destruições planetárias…. o que não falta na Torá é movimento! 

É uma pena que em pleno século XXI ainda existam pessoas que insistam em uma interpretação literal de um texto que por sua vez é a interpretação regional de mitos que são de uma civilização ainda mais antiga (no caso, os Sumérios).

É uma novela sobre vaidades, lutas, acordos e moral.   

 

 

imagesTranquilidade da alma/ Vida retirada/ Brevidade da vida – todos de Sêneca

Sêneca foi um dos maiores intelectuais do Império Romano, sendo advogado, orador, político, diplomata e tutor do futuro imperador Nero.

Caiu em desgraça aos olhos de Nero e foi condenado ao exílio e excluído da vida pública. No exílio, escreveu tratados de filosofia. No fim, foi condenado a cometer suicídio.

Particularmente, os ensaios acima tratam do modelo estóico do bem viver, a forma correta de dirigir-se na vida pública e privada, o relacionamento que devemos ter com as riquezas, o dever cívico, as obrigações familiares e o encontro com a morte.  

Sêneca escrevia de forma direta. Suas obras filosóficas não discutem temas vagos ou metafísicos. Ele trata da vida comum, do dia a dia e de como devemos nos portar frente a nossa consciência e na vida em sociedade. Foi através dele que entendi que a filosofia é um tema da nossa vida diária e não uma coleção abstrata de idéias. 

 

 

hobsbawm-era-dos-extremosA Era dos Extremos – Eric Hobsbawm

O manual de história geral do século XX que todos deveriam ler no colégio para entender as transformações políticas, econômicas e sociais que moldaram nosso passado recente.

Escrito de forma objetiva, elucidando passagens importantes da politica mundial e suas consequências nos países centrais e periféricos, o livro de Hobsbawm é um convite ao pensamento e uma janela para observar as origens de muitos fenômenos políticos que continuam nos jornais.

 

 

 

 

 

 

 

IMG_2467Trilogia da Fundação – Asimov

Quase tudo que o escritor Isaac Asimov tocou virou ouro. O homem era um Midas no emprego da palavra e um visionário no rumo que a ciência estava seguindo.

Muitas de suas previsões relatadas em livros de ficção cientifica de fato tornaram-se realidade.

Sua vida e obra foi objeto desse Blog em um post dedicado aos pais da ficção científica que pode ser conferido aqui..

Mas não é apenas o caráter visonário que seduz em seus livros e particularmente na série “Fundação” que muitos consideram sua obra-prima.

Asimov descrevia o futuro e a vida humana em outros mundos com suas naves e robôs como uma forma de analisar de forma precisa características humanas bem fincadas no tempo presente como nossos preconceitos, medos e guerras.

No meio de tudo isso,  sempre há uma esperança de melhora do ser humano e uma crença de que podemos usar a razão para atingir um patamar superior como civilização.

Em “Fundação” e suas sequências, Asimov conta uma ópera espacial que se espalha por gerações, emulando a história da humanidade e relatando a fundação de uma sociedade, seu crescimento, desenvolvimento comercial, militar e eventual ocaso. 

 

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“De Getulio a Castelo” e “De Castelo a Tancredo” – Thomas Skidmore

 São considerados livros clássicos sobre a história politica brasileira recente, escritos por um olhar estrangeiro.

Iniciando-se no governo Getulio Vargas, o primeiro livro traça a origem do Brasil moderno até as explicações do panorama politico que existiam no momento do golpe militar.

A segunda parte cuida do governo dos militares até a redemocratização do país (aproveite e leia nosso post sobre o governo militar e a redemocratização neste link).

Os livros contam os bastidores políticos, a repercussão na imprensa e as consequências regionais e internacionais de diversos eventos da politica nacional.

As obras são ditas como datadas no meio acadêmico por seguirem um estilo que a historiografia contemporânea alega estar ultrapassado.

Na minha ignorância, continuo achando-os ótimos livros.

Arquitetos do Poder – Marketing e as Eleições

 

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O documentário “Arquitetos do Poder” (2010) é um desses filmes que deveriam ser obrigatórios para qualquer um que se interesse por temas políticos no Brasil.

O longa trata especificamente do marketing político e de como essa indústria se agigantou desde os anos 60 na campanha de Jânio Quadros até os tempos recentes, sendo simplesmente peça determinante nas eleições ao criar e demolir a imagem dos candidatos.

O filme entrevista politicos de todas as orientações politicas (quase todos em atuação até hoje, inclusive os famosos mensaleiros), jornalistas e, óbvio, os marketeiros (que são as grandes estrelas do longa), mostrados como as grandes mentes por trás da venda do produto político nas eleições.

E quando digo “produto” é isso mesmo: a política e as eleições são tratadas como um sabão em pó que deve ser comercializado, divulgado na mídia, criando a empatia da marca/candidato com o consumidor/eleitor.

1275326321_brasilia_imagem Afinal, é sintomático desse tempo em que ninguém tem mais ideologia alguma, nenhum candidato parece defender qualquer valor digno de nota, tudo o que é dito em um spot de propaganda de 30 segundos é esquecido no minuto seguinte e verdadeiramente permanente apenas é a estratégia da perpetuação no poder pelo poder. O que vale não é aquilo que realmente é; mas apenas aquilo que parece ser.

Muito esclarecedor.