Karnal: informação vs. Conhecimento 

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Shakespeare por Leandro Karnal

Um bate papo sobre a importância e a influência de Shakespeare sobre o homem moderno, na visão do professor Leandro Karnal 

Resenha de Livros de 2015 – parte 5

Livros, livros, livros…. chegamos na quinta resenha do ano e não vou perder tempo. Passemos direto para as obras. E se você perdeu as outras dicas do ano (onde você estava que não lia o blog?), pode verificar aqui nas parte 1, parte 2, parte 3 e parte 4.

Boas leituras e aceito comentários e dicas!

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Pecar e Perdoar – Leandro Karnal

Excelente livro sobre a condição humana, nossos pecados e a noção do perdão. Um dos melhores que li esse ano.

O autor tem o texto bíblico como referência para nos trazer exemplos e interpretações filosóficas e psicanalíticas sobre a vaidade, o orgulho e toda uma série de características que desenvolvemos individual e coletivamente.

O perdão é tratado tanto do ponto de vista de Deus, nas histórias bíblicas, mas de forma muito mais interessante quando aborda a habilidade e as dificuldades que nós temos e encontramos de perdoar ao próximo e a nós próprios.

Não é um livro religioso. Mas é sobre religião e de como criamos a religião como um produto cultural. O autor é ateu e profundamente versado nas obras religiosas. Não é um livro contra a religião e nem de ataque a qualquer fé. Na verdade, é um dos livros mais bonitos que eu li sobre fé (e a falta dela), a construção da cultura e do sentimento religioso e de como lidamos com nossos defeitos e desejos no dia a dia. 

Quem já assistiu as palestras de Leandro Karnal (e temos várias no site discutindo relações afetivas, o aspecto religioso da humanidade e a modernidade aqui, aqui e aqui) sabe de seu traço irônico ao abordar os mais variados assuntos. Os comentários ferinos estão todos neste livro junto com a erudição que é peculiar ao autor. Não consegui parar até chegar na última página. Para reler várias e várias vezes.      

 

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Os dez mandamentos (+1) – Luis Felipe Pondé

Nesta obra, o filósofo faz um recorte dos 10 mandamentos bíblicos e os analisa sob a luz dos dias modernos.

A sociedade atual é bem diferente da sociedade agropastoril que gestou os 10 mandamentos, mas os nossos defeitos e a necessidade de freá-los parecem não ter mudado tanto. Tem alguma coisa psicanalítica nisso que ultrapassa o abismo temporal. 

Como em todos os livros do Pondé, este traz uma infinidade de referências literárias e até de cinema para mostrar como o tema ainda é relevante para nós em pleno século XXI.  

O tema do livro é interessante, mas o ritmo é muito arrastado. Particularmente, não está entre os meus livros preferidos do Pondé.

Temos algumas palestras dele no blog discutindo as relações afetivas, Shakespeare e tirania da felicidade aqui, aqui e aqui.  

 

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Notícias, manual do usuário – Alain de Botton

A premissa do livro é ótimo: assim como o homem antigo se voltava para a religião em busca de sentido e respostas, o homem moderno se volta diariamente para as notícias televisas e para a imprensa para saber o que pensar do mundo. Mas nem sempre milhões de fatos expostos diariamente conseguem construir uma narrativa com sentido do mundo. 

O livro discute a forma parcial, tendenciosa e por vezes sensacionalista que os grandes veículos de imprensa escolhem determinados recortes da vida para exibir nos jornais diários e de como essa escolha específica influencia nossa visão e sensibilidade.

A obra é interessante, mas fica bem repetitivo depois de alguns capítulos.

Também temos alguns documentários apresentados pelo filósofo Alain de Botton no Blog sobre a ansiedade de status e a busca de felicidade: aqui, aqui e aqui.  

Grandes Frases, Grandes Livros: Hamlet, Shakespeare

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Traição.  Assassinatos. Intrigas. Vingança. Mas acima de tudo, uma profunda reflexão sobre o papel das decisões pessoais no destino de qualquer  homem. Esta é a peça Hamlet, de Shakespeare, provavelmente o texto mais encenado no mundo.

Não se trata de um texto original. São encontradas muitas fontes históricas e literárias que influenciaram Shakespeare na sua leitura da história de Hamlet, o príncipe dinamarquês levado a vingar a morte de seu pai em meio a suas próprias dúvidas sobre sua sanidade e sobre seus dilemas morais.  

Hamlet é apresentado pelos estudiosos como o primeiro personagem moderno da literatura. Apesar da existência de fantasmas na peça e de referências ao sobrenatural, Hamlet não se movimenta por obra de maldições, oráculos, deuses, simpatias ou misticismo. Hamlet move-se por decisão própria. Suas dúvidas, hesitações e ações são frutos de seu pensamento e suas próprias reflexões.

O personagem é o protótipo do humanismo,  no sentido de que ganha ao longo da peça a clara percepção de que o seu destino é moldado unicamente por suas decisões e que a liberdade de agir é seu maior prêmio e sua maior maldição. Omitindo-se a respeito do homicidio de seu pai ou decidindo-se a vingar-se, a decisão tomada por Hamlet é própria; apenas sua e não há sentindo em apontar familia, sociedade ou religião como impeditivos. Ser ou Não ser, eis a questão.

A seguir, uma palestra do professor Leandro Karnal sobre Shakespeare e sua obra Hamlet, fazendo um arco comparativo com nossos tempos modernos de internet, facebook e a busca incessante da aparência da felicidade. 

 

Hamlet:

“Duvida da luz dos astros,
De que o sol tenha calor,
Duvida até da verdade,
Mas confia em meu amor”.

“Acima de tudo sê fiel a ti mesmo,
Disso se segue, como a noite ao dia,
Que não podes ser falso com ninguém”.

“O hábito, esse demônio que devora todos os sentimentos”

“O pensamento assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
E desde que nos prendam tais cogitações,
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação.”

“Ser ou não ser, essa é a questão: será mais nobre suportar na mente as flechadas da trágica fortuna, ou tomar armas contra um mar de obstáculos e, enfrentando-os, vencer? Morrer — dormir, nada mais; e dizer que pelo sono se findam as dores, como os mil abalos inerentes à carne — é a conclusão que devemos buscar. Morrer — dormir; dormir, talvez sonhar — eis o problema: pois os sonhos que vierem nesse sono de morte, uma vez livres deste invólucro mortal, fazem cismar. Esse é o motivo que prolonga a desdita desta vida”.

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