O Mundo que nos formou está obsoleto?

O tempo passa, as coisas mudam, as atividades se transformam e certas proficiências  e profissões vão ficando para trás e se tornando completamente inócuas.

Nessa palestra, Leandro Karnal aborda a obra do sociólogo Zygmunt Bauman, a efemeridade dos laços pelo Facebook e a ditadura da juventude que nos é imposta. 

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Grandes Frases, Grandes Livros: Hamlet, Shakespeare

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Traição.  Assassinatos. Intrigas. Vingança. Mas acima de tudo, uma profunda reflexão sobre o papel das decisões pessoais no destino de qualquer  homem. Esta é a peça Hamlet, de Shakespeare, provavelmente o texto mais encenado no mundo.

Não se trata de um texto original. São encontradas muitas fontes históricas e literárias que influenciaram Shakespeare na sua leitura da história de Hamlet, o príncipe dinamarquês levado a vingar a morte de seu pai em meio a suas próprias dúvidas sobre sua sanidade e sobre seus dilemas morais.  

Hamlet é apresentado pelos estudiosos como o primeiro personagem moderno da literatura. Apesar da existência de fantasmas na peça e de referências ao sobrenatural, Hamlet não se movimenta por obra de maldições, oráculos, deuses, simpatias ou misticismo. Hamlet move-se por decisão própria. Suas dúvidas, hesitações e ações são frutos de seu pensamento e suas próprias reflexões.

O personagem é o protótipo do humanismo,  no sentido de que ganha ao longo da peça a clara percepção de que o seu destino é moldado unicamente por suas decisões e que a liberdade de agir é seu maior prêmio e sua maior maldição. Omitindo-se a respeito do homicidio de seu pai ou decidindo-se a vingar-se, a decisão tomada por Hamlet é própria; apenas sua e não há sentindo em apontar familia, sociedade ou religião como impeditivos. Ser ou Não ser, eis a questão.

A seguir, uma palestra do professor Leandro Karnal sobre Shakespeare e sua obra Hamlet, fazendo um arco comparativo com nossos tempos modernos de internet, facebook e a busca incessante da aparência da felicidade. 

 

Hamlet:

“Duvida da luz dos astros,
De que o sol tenha calor,
Duvida até da verdade,
Mas confia em meu amor”.

“Acima de tudo sê fiel a ti mesmo,
Disso se segue, como a noite ao dia,
Que não podes ser falso com ninguém”.

“O hábito, esse demônio que devora todos os sentimentos”

“O pensamento assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
E desde que nos prendam tais cogitações,
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação.”

“Ser ou não ser, essa é a questão: será mais nobre suportar na mente as flechadas da trágica fortuna, ou tomar armas contra um mar de obstáculos e, enfrentando-os, vencer? Morrer — dormir, nada mais; e dizer que pelo sono se findam as dores, como os mil abalos inerentes à carne — é a conclusão que devemos buscar. Morrer — dormir; dormir, talvez sonhar — eis o problema: pois os sonhos que vierem nesse sono de morte, uma vez livres deste invólucro mortal, fazem cismar. Esse é o motivo que prolonga a desdita desta vida”.

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