Drummond: você nunca esquece um amor

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Bom dia, poetas velhos

Bom dia, poetas velhos.

Me deixem na boca

o gosto de versos

mais fortes que não farei.


Dia vai vir que os saiba

tão bem que vos cite

como quem tê-los

um tanto feito também,

acredite.

– Paulo Leminski, do livro “Caprichos e relaxos”

Fernando Pessoa: Preguiça 


A preguiça de pensar

É uma grande alegria,

Porque pensar é achar

Que a lareira já está fria.


Não quero pensar em nada.

Quero aquecer-me a sentir

Que na lareira apagada

Arde uma lareira de ouvir.


Que lareiras e alegrias

São coisas só de sonhar…

Aquecem por fantasias,

Mas, se pensar, são frias —

São frias por se pensar.


Fernando Pessoa

Poesia na Vida: Embriaga-te

Embriaga-te
Deve-se estar sempre bêbado. Está tudo aí: é a única questão. A fim de não se sentir o fardo horrível do Tempo que parte tuas espáduas e te dobra sobre a terra, é preciso te embriagares sem trégua.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a teu gosto. Mas embriaga-te.
E se alguma vez, sobre os degraus de um palácio, sobre a verde relva de uma vala, na sombria solidão de teu quarto, tu acordas com a embriaguez já minorada ou finda, peça ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo aquilo que foge, a tudo aquilo que geme, a tudo aquilo que gira, a tudo aquilo que canta, a tudo aquilo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio, te responderão: “É a hora de se embriagar! Para não ser como os escravos martirizados no Tempo, embriaga-te; embriaga-te sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, a teu gosto.”

Charles Baudelaire