Resenha de Livros de 2017 – parte 7

Caros amigos, aponto para vocês as últimas obras e convido-os a se deleitar com a leitura das mesmas. Sigo aqui o projeto original deste Blog de só comentar os livros que de fato foram lidos neste ano, pouco importando tratar-se de lançamento, best-seller ou um clássico. 

Como sempre, coloco um pequeno resumo para que entendam sobre o que se trata o livro. 

Espero que aticem a curiosidade de vocês também. 

Forte Abraço,

Manuel Sanchez

 

 

 

  1. Vigilância Líquida – Zygmunt Bauman

O polonês nos brinda com uma obra concisa e incisiva sobre o mundo contemporâneo, analisando as muitas formas modernas em como somos vigiados, catalogados e divididos em nichos.

Curiosamente, na vigilância moderna não somos espionados contra nossa vontade por agentes secretos, mas entregamos voluntariamente nossos dados, gostos, listas de amigos, itens consumidos, locais visitados e informações biométricas nas redes sociais ou bancárias, atrás de likes de amigos ou de pontos no cartão de crédito.

Nossos dados são analisados por algoritmos e somos divididos em categorias de consumo e de liberdade de ação. O Big Data é uma realidade. Nos sistemas de informática somos transformados em números e de acordo com as ligações realizadas por meios aos quais não temos acesso, podemos ter vantagens, autorizações ou encontrar nosso acesso negado em plena fila de imigração. 

Por segurança, aceitamos que nosso caminho seja repleto de câmeras, chips e tudo mais que a tecnologia possa fornecer. Ao mesmo tempo, criam-se drones que vigiam os seres humanos taxados de “perigosos” e podem ceifar suas vidas sem que percebam. Os combates são feitos a distância, sem a presença física do executor da ordem de morte.  

Um livro que nos deixa preocupados, mas conscientes.  

 

 

2. Arte como Terapia – Alain de Botton

A obra parte da premissa de que no mundo contemporâneo temos que relembrar e nos reconectarmos com os motivos pelos quais as obras de arte eram criadas na Antiguidade e na Idade Média, mas que hoje são considerados inapropriados já que no mundo contemporâneo crê-se que a Arte deve existir por si mesma, sem qualquer motivo.

Se hoje é grosseiro perguntar “Para que serve a Arte?”, essa pergunta não era vista como negativa por nossos antepassados que a usavam como uma escola e como uma vitrine para dar visibilidade a certos valores e histórias de cunho politico, mítico e religioso, forjando o imaginário coletivo e criando laços comunitários.

Alain de Botton defende que devemos pegar essa função e resignificá-la para que a Arte seja usada como um verdadeiro exercício terapêutico que pode  acalmar nossa psiquê, descobrir nossas tendências, fortalecer certos valores e estimular o aprofundamento de determinados sentimentos.

O livro propõe uma reformulação dos museus para que deixem de ser repositórios passivos e virem verdadeiras escolas e oficinas onde ativamente os frequentadores sejam convidados a meditar sobre os valores subjacentes às obras e principalmente como meio para meditarmos sobre nossos desejos, traumas e dificuldades.  

 

 

3. Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres – Diógenes Laércio 

Um clássico da Filosofia do início do primeiro milênio depois de Cristo. A obra de Diógenes Laércio atravessou os séculos e tornou-se um dos raros livros da Antiguidade sobre a  história da Filosofia que chegou aos nossos tempos.

A obra se divide em capítulos com explicações históricas e biográficas sobre os principais filósofos da Grécia antiga e seus discípulos, com resumos de algumas de suas doutrinas, trechos de algumas obras, além de trazer uma pequena coleção de casos pitorescos e verdadeiras fofocas envolvendo os antigos mestres da filosofia.  

Obviamente o livro não tem o estilo moderno do que entendemos ser uma obra discutindo a historiografia. Não existe rigor técnico na forma de passar as informações e muitas historias colecionadas são contraditórias. 

Mas o livro é importantíssimo como repositório de informações sem as quais seríamos totalmente ignorantes na grande estrada do conhecimento humano. Muitos dos nomes citados se perderam na historia do pensamento. Dos livros mencionados em suas páginas poucos sobreviveram até o mundo moderno; assim, muitos dos trechos copiados e os resumos expostos são TUDO o que temos sobre alguns autores e suas obras. Diógenes Laércio foi fundamental para preservar o conhecimento dos cínicos e dos epicuristas, além de traçar as linhas dos mestres e discípulos das várias correntes.

 

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Resenha dos livros de 2017 – parte 5

Olá amigos,

Volto com minha parte preferida dessa terapia que é o Blog Opinião Central, qual seja, as resenhas de livros. Como sempre, coloco aqui quase que um diário das leituras que venho fazendo e minhas impressões sobre as mesmas. Às vezes são livros acariciados pela primeira vez, em outras são amigos aos quais volto a visitar e – para minha surpresa e alegria – não é raro ter um novo olhar sobre os mesmos.

Neste ano de 2017 já abordei minhas impressões dos seguintes livros, em posts exclusivos :

–  Aurora, de Nietzsche

A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Max Weber

Vida para Consumo, Zygmunt Bauman

Assim Falou Zaratustra, Nietzsche

 

Vamos agora às novas resenhas mas desta vez condensadas em uma lista:

 

O Manual de Epicteto 

O manual escrito pelo filósofo Epicteto é um dos principais livros da filosofia estóica. Ao contrário de outros grandes nomes do estoicismo como Sêneca e o Imperador Marcos Aurélio, que ocupavam o ápice da sociedade romana, Epicteto foi escravo grego e escreveu sua obra em um período quando o estoicismo ocupava a periferia do pensamento ocidental.

No curto livro, encontramos máximas de bem viver, receitas para a vida digna que resumem os principais pontos dos estóicos: reconhecimento da lei natural, conjunção do homem com a grande ordem que se estabelece no cosmos, serenidade face às agruras da vida, resiliência para superar as dificuldades, honradez de caráter, parcimônia nos modos, cuidado ao falar, busca de sabedoria, fuga dos excessos e das multidões.

Não é um livro de auto-ajuda, vamos deixar claro. Os estóicos não buscavam regras de felicidade e nem a conquista da simpatia do público em geral. Estavam prontos para apontar como as multidões são obtusas e como a busca de prazeres constantes  pensando apenas na própria felicidade era nociva e vulgar. O pensamento estóico buscava normas de conduta ética que muitas vezes poderiam levar seus adeptos a serem ridicularizados, afastarem-se de certos convívios sociais ou mesmo enfrentar a dor e o sofrimento se assim exigissem o dever e a honra.

Quando comparado com os escritos de Sêneca e de Marco Aurélio, a obra de Epicteto é mais simples na maneira de expressar os conceitos, mas é um trampolim tão sofisticado quanto os demais para a meditação sobre os seus princípios.

 

A Filosofia explica as grandes questões da Humanidade – Clóvis de Barros Filho

Voltar aos livros e palestras do professor Clóvis de Barros Filho é sempre um prazer.

Nesta obra bem curta e didática, o autor apresenta os rudimentos das indagações filosóficas, sendo um excelente livro para quem deseja começar a entrar no mundo da filosofia. Cada capítulo é dedicado a uma das grandes questões que rondam a cabeça do homem: de onde vem o pensamento, se existe uma razão para nossa existência, se existe algo como uma essência humana, como criamos nossa identidade, a busca da felicidade, as exigências do dever etc…

Ao longo do livro são salpicados conceitos e muitos exemplos, de forma bem leve e deconstraida, sendo sugerido uma lista de livros e autores para aqueles que desejarem mergulhar nos estudos.

 

 

Sócrates encontra Kant – Peter Kreeft

Este foi o primeiro livro que li da série “Sócrates encontra….” onde o autor coloca o filósofo Sócrates e algum outro grande filósofo debatendo sobre sua obra em um fictício encontro no plano espiritual. O livro é um grande diálogo, replicando dessa forma os famosos diálogos platônicos, onde o personagem Sócrates tenta rebater e desconstruir a linha de pensamento do seu interlocutor.

Este livro traz o encontro de Sócrates e Kant, onde os mesmos debatem sobre as grandes obras de Kant, notadamente “Crítica da Razão Pura”, “Crítica da Razão Prática” e “Fundamentação da Metafísica dos Costumes” (sobre o último, fiz uma resenha nesse link).

A obra tenta ser uma apresentação dos conceitos kantianos para um público leigo. Mas não é de fácil compreensão. Sobretudo a primeira parte do livro dedicado à epistemologia e aos conceitos trazidos em “Crítica da Razão Pura” são particularmente difíceis e enfadonhos e preciso voltar a lê-los no futuro. A segunda parte do livro dedicado à ética kantiana do dever  e ao conceito e desdobramentos  do imperativo categórico é uma leitura mais agradável e que fez sentido para mim, tendo sido um ótimo roteiro para a leitura da obra kantiana (algo particularmente hermético onde Kant não parece se esforçar nem um pouco para ser compreendido).

 

Boas leituras e forte abraço,

Manuel Sanchez

(clique nos anos para acessar os links com resenhas e caminhos dos livros de 2016, 2015 e 2014)

 

 

 

 

Resenha: Aurora de Nietzsche 

Nietzsche elaborou “Aurora ” em 575 aforismos sobre a moral. Alguns tão curtos quanto 3 linhas e outros tão longos que se derramam por várias páginas.

De certa forma, “Aurora ” possui a mesma formatação de seu primo mais famoso “Humano, demasiado humano” , mas não é tão gostoso de ler. Por vezes o livro se torna arrastado e nem todos os textos possuem a força arrasadora do jab no queixo que vem com a leitura do primo famoso.

Em Aurora voltamos à eterna obsessão de Nietzsche em criticar e mostrar a estupidez dos presentes sistemas morais no qual a humanidade está mergulhada. Seus insights versam sobre a hipocrisia da religião e sobre os riscos de substituirmos um sistema baseado na fé em Deus por outro sistema baseado em uma aceitação cega na razão e no cientificismo.

Nietzsche postula a necessidade de transposição dos valores atuais e a criação de um novo tipo de homem, focado no presente, que abrace a vida, que não se deixe subjugar por promessas transcendentes de vida além túmulo ou por promessas de criar uma sociedade sem classes. Nietzsche acredita na diferença. Sua obra defende o fim da sociedade que se alicerça na moral de defesa do fraco , alerta contra a maioria ignorante que criou um mundo que premia a mediocridade e tenta calar os que se levantam contra a vulgaridade . E contra esses, o autor não poupa o chicote.

– Manuel Sanchez

 

De Max Weber à Zygmunt Bauman: Do mundo sólido ao mundo líquido

Terminada a leitura de ” A ética protestante e o espírito do capitalismo ” de Max Weber, as relações com o último livro resenhado neste Blog ,  “Vida para Consumo” de Zygmunt Bauman,  são espontâneas (a resenha do livro de Bauman pode ser encontrada aqui).

Weber foi um dos pais fundadores da sociologia e uma das suas obras mais importantes é “A Ética protestante e o espírito do capitalismo”, onde analisa o surgimento do capitalismo industrial e sua relação com o ethos religioso encontrado nos países protestantes.

Inicialmente, o autor reconhece que empreendimentos com sinais capitalistas já era encontrados desde a Antiguidade, mas foi apenas na Época Moderna que o capitalismo atingiu um nivel industrial, arraigando-se na cultura e criando uma nova ética permeando todas as relações da sociedade.

Weber traça esse desenvolvimento analisando a mentalidade surgida no cisma religioso que deu inicio à Reforma Protestante na Europa, afirmando que o novo ethos surgido com o Calvinismo, Luteranismo e demais correntes  foi imprescindível – e mesmo o motor – para o desenlace subsequente do capitalismo.

O livro parte para a análise da doutrina da predestinação, que se encontra no âmago das correntes protestantes. Apesar de existirem algumas diferenças entre luteranos, calvinistas, anabatistas etc… há um traço comum nas correntes religiosas que se espalharam pelo norte da Europa e ilhas inglesas: a doutrina da predestinação e uma reinterpretação da idéia de vocação.

Através da doutrina da predestinação, os crentes aceitam que Deus já escolheu aqueles que serão salvos no mundo pós-morte e aqueles que estão condenados. Isso já está decidido desde o nascimento, não importando as obras individuais, arrependimentos ou bondades feitas ao longo da vida. Já se nasce salvo ou condenado na eternidade por determinação divina. Obviamente, não há forma de um ser humano descortinar os desígnios da divindade mas a doutrina da predestinação nos dá uma dica: o enriquecimento. A pessoa que caiu nas graças da divindade e destina-se à salvação possui sinais exteriores de riqueza, conforto e bem estar material.

Reinterpreta-se, igualmente, a idéia da vocação. Retira-se seu caráter místico e assume-se um significado mais mundano. Vocação é igual a dedicação ao trabalho. E trabalho é igual ao cumprimento da missão dada pela divindade. A obtenção de lucro e bem estar material através do trabalho é sinal de trabalho bem feito, acerto na missão estipulada pela divindade e assim um estigma que denota que se faz parte da assembléia dos escolhidos para a Salvação.

Desta forma, segundo Weber, o protestantismo afastou-se da mentalidade católica que apontava o lucro como pecado e a relação com o dinheiro como a raiz do Mal, abraçando a ética do trabalho árduo, do assenhoreamento material  e do desenvolvimento econômico. Estava formada a cama para o surgimento do ethos da sociedade capitalista industrial.

Neste momento o enriquecimento como sinal de escolha divina não é feito para o desfrute. Não se trata de enriquecer para dedicar-se ao ócio, beber, gastar com a luxúria etc…  Tais condutas eram fortemente condenadas pelo ethos protestante. Trata-se de enriquecer para manter. Enriquecer para acumular. Enriquecer para gerar mais capacidade de trabalho. Enriquecer para atingir estabilidade. O gasto e o desfrute eram sinais do mamonismo e do pecado.

Weber explica assim como essa moral espalhada pelos países do norte europeu e ilhas inglesas, colocou-os em posição de vantagem para criação de um caldo cultural que estimulava o trabalho, o acúmulo de riquezas, a postergação do desfrute e o empreendedorismo. Ser bem sucedido e ter sinais de desenvolvimento econômico eram apontamentos de que se estava também no bom caminho religioso.

Saltemos um século para Zygmunt Bauman.

Bauman descreverá a sociedade analisada por Weber como o alvorecer da sociedade sólida, da criação e desenvolvimento do capitalismo industrial e suas caracteristicas como sociedade de produtores: o trabalho era visto como objetivo a ser alcançado e mantido, estável, focado em produção. Em uma sociedade de produtores, a ética do trabalho era a do esforço, o sacrifício era visto como uma necessidade e validado pelo corpo social. E por fim, Bauman descreverá como saímos dessa sociedade e criamos um novo ethos, para novos tempos – uma ética do consumo.

Na sociedade líquida – pós moderna – que se coloca no lugar do mundo industrial anterior, a ética não é mais a do trabalho, mas a da busca do prazer instantâneo; os vínculos são curtos e mantidos apenas pelo tempo necessário, a solidez dos contatos é transformada pelo mundo virtual em um contato efêmero. Buscam-se soluções rápidas para frustrações, nega-se o sacrificio e a idéia de postergar um prazer é tida como absurda.

Se “A Ética Protestante e o Espirito do Capitalismo”  (Weber) é um livro fala da criação da ética capitalista da poupança e da acumulação com a postergaço do usufruto; em “Vida para Consumo” (Bauman) temos a análise do fim dessa mentalidade e sua substituição pelo consumismo e ética do prazer instantâneo: o ethos da cultura pós-moderna.

É interessante notar que Weber afasta-se de qualquer interpretação do materialismo histórico. Textualmente (chega a chamar de ingênuo), Weber nega a possibilidade da modificação da infraestrutura econômica ser o motor que reorientará a superestrutura cultural.  Ou seja, para Weber, foram as mudanças culturais trazidas pelo ethos protestante (entre outros elementos da cultura e da sociedade analisadas na obra) que sinalizaram e criaram as condições para a convulsão da forma de produção econômica advinda com o capitalismo industrial.

Karl Marx analisará a formação do ethos capitalista no sentido inverso: primeiro vem a modificação da infraestrutura econômica passando do mercantilismo para o capitalismo industrial e depois – como forma de justificação e criação de discurso – surgem as novas concepções éticas e morais que conformarão os demais setores culturais da sociedade (religião, normas jurídicas, concepções artísticas etc…)

E assim fazemos o gancho para o próximo livro a ser resenhado: “Ideologia Alemã”, de Karl Marx.

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por Manuel Sanchez

Resenha: Vida para Consumo, de Zygmunt Bauman

Terminar a obra “Vida para Consumo” de  Zygmunt Bauman é levar um soco na boca do estômago. (tratei sobre a obra de Bauman neste link)

O sociólogo analisa como nossa sociedade se transformou de uma sociedade de  produtores em uma sociedade de consumidores, com todas as mudanças de paradigmas  consequentes. 

Na sociedade de produtores, que vigorou do inicio do capitalismo industrial até meados do sec. XX,  o trabalho era visto como objetivo a ser alcançado e mantido, estável, focado em produção.

A ética do trabalho era a do esforço, o sacrifício era visto como uma necessidade e validado pelo corpo social. A  manutenção dos vínculos era buscada pelo maior tempo possível, focava-se no  acúmulo de capital, seja do ponto de vista dos grandes industriais, seja do ponto de vista do individuo: poupar e acumular eram vistos como fundamentais, não o consumo.

Bauman analisa como o mundo saiu desse quadro e entrou no que ele cunhou de modernidade líquida, que neste livro é analisada sob o prisma das relações de consumo.

Na sociedade de consumidores que evoluiu como uma consequência  lógica da necessidade de expansão do capitalismo, a ética não é mais a do trabalho, mas a da busca do prazer; os vínculos são curtos e mantidos apenas pelo tempo necessário, a solidez dos contatos é transformada pelo mundo virtual em um contato efêmero que pode ser desfeito com um clique. 

Se antes o foco era a acumulação, agora passamos a ter o foco no marketing e na sua busca de prazer rápido e instantâneo. A sensação de completude é sempre postergada para que haja a necessidade de procurar novos produtos e novidades que entreguem  o gozo tão desejado.

Também as relações de trabalho se modificam. Laços longos e sólidos entre empresas e trabalhadores viraram pó e foram substituídos por contratos cada vez menores. Se antes ser empregado de determinada empresa ou setor era uma forma de identidade, agora esses laços são tão rápidos e descartáveis que as pessoas estão sempre em uma busca frenética por projetos que lhe deem os meios de subsistência.

Ao mesmo tempo que consumimos e descartamos objetos sem qualquer apego, somos nós também transformados em commodities a serem anunciadas e vendidas, buscando que nos consumam e retribuam. Como tudo é ligeiro e descartável, somos levados a nós mesmos nos transformarmos em mercadorias ilustradas pelo marketing e polidas pelas marcas e produtos fashion que consumimos com avidez.

Como sempre, Bauman não está interessado em propor soluções mas a fazer um diagnóstico. Sua obra não quer sugerir caminhos libertadores mas abrir os olhos das pessoas para que elas ao menos saibam o jogo que estão jogando.

–   Manuel Sanchez