Meus Livros Favoritos – parte II

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A primeira parte do post dos livros favoritos trouxe as obras Cosmos (Carl Sagan), História da Riqueza do Homem (Leo Huberman), O Senhor dos Anéis (Tolkien), O Evangelho segundo São João, Otelo (Shakespeare), O Nome da Rosa (Umberto Eco), O Santo Graal e a Linhagem Sagrada (Lincoln- Leigh), A Odisséia (Homero), Meditações (Marco Aurelio) e O Mal Estar na Civilização (Freud).

 Passo agora para a continuação, com outros livros igualmente maravilhosos e que acredito que merecem um lugar cativo na biblioteca de todos (ou na sua seleção de ebooks).

 

 

dante Divina Comédia – Dante Alighieri

Além da imensa importância histórica do livro, a história com seu viés épico e teológico é simplesmente fascinante.

Dante descreve sua viagem pelo Inferno, pelo Purgatório e finalmente chegando ao Paraiso.

A maravilha e o espanto do poema está na viagem pelo Inferno. Sensacional.

O restante do livro não tem o mesmo impacto. O Inferno de Dante é permeado de influências clássicas gregas e romanas e cristãs. Ao longo do périplo o poeta encontra personagens como Homero, Horácio, Ovídio, Julio Cesar, Brutus e Judas, claro até vislumbrar o Demônio.

O ideal é ler uma versão comentada para entender as múltiplas referências culturais e políticas.

 

 

nelsonVestido de Noiva – Nelson Rodrigues

Nelson é o melhor teatrólogo que o Brasil já teve.

Suas peças são fantásticas, cativantes, bombásticas e politicamente incorretas. Ele é absurdamente superior nas peças do que nos romances e contos, em minha opinião.

Várias poderiam ser lembradas aqui, mas pincei “Vestido de Noiva” para simbolizar o conjunto da obra e também por ser uma das mais impactantes.

Atenção especial para a linguagem moderna, o estilo debochado e o destino que delineia todas as ações dos personagens que rumam céleres e cegos para a tragédia iminente.

E faço questão de lembrar da biografia “Anjo Pornográfico” do Ruy Castro sobre a vida do Nelson Rodrigues e todo o caldeirão cultural da época. Simplesmente uma das mais interessantes biografias publicadas.

 

 

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Rei Lear – Shakespeare

Shakespeare apareceu na primeira lista com Otelo e faço questão de nomeá-lo de forma explícita também na segunda lista com Rei Lear.

O Bardo é genial nas tragédias, simplesmente seu melhor estilo.

Neste livro, acompanhamos a história do Rei Louco e traído por suas filhas, jogado em um círculo de enganos e de decepções.

É um estudo sobre a loucura, o abandono e a ira.

 

 

sherlockAs Aventuras de Sherlock Holmes – Arthur Conan Doyle

Elementar, meu caro Watson.

O detetive inteligente, perspicaz, viciado em morfina, violinista, boxer e antissocial que conquistou milhões de fãs mundo afora. Não poderia deixar de lado o melhor livro de contos do melhor detetive da literatura.

Conan Doyle era um homem que se interessava pelas modernas técnicas de criminologia e de fato seu expertise foi usado mais de uma vez para auxiliar as forças policiais londrinas; também era um homem de ação e praticante de esportes como boxe e esgrima. Todas essas características foram levadas para sua criação mais famosa: Sherlock Holmes.

Holmes apareceu em várias novelas e livros de contos e analisamos o personagem neste post. Normalmente os contos eram publicados em capítulos em jornais  e posteriormente juntados em um livro. O mais famoso é sem dúvida “As Aventuras de Sherlock Holmes”, mas todos são maravilhosos.

Sua fama perseguiu tanto o autor que este teve que matá-lo para poder escrever outros assuntos. Os fãs ficaram tão irados que Conan Doyle foi obrigado a ressuscitar o personagem e continuar suas aventuras.

 

 brasMemórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis

Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico com saudosa lembrança estas memórias póstumas.

É considerado pela Literatura o início do realismo no Brasil, mas também pode ser considerado o primeiro livro de realidade fantástica e o melhor livro de Machado de Assis.

É a auto-biografia narrada pelo morto, recém chegado no além e repleto de ironia e pessimismo sobre as agruras da vida, dos relacionamentos e da vida social. Capitu e Dom Casmurro que me perdoem mas este é que é o livro realmente imperdível de Machado de Assis.

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Meus Livros Favoritos – parte I

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Listas. Listas. Listas.

Elas nunca são justas e há quem diga que apenas geram discórdia. Mas como não amá-las por propiciarem o início de longos debates e conversas?

Seja pelo carinho anexado à sua memória, pelo prazer da releitura ou pela abertura para novos entendimentos e áreas de interesses, estes são aqueles que eu levaria comigo para qualquer lugar.

Confira também a parte 2 e a parte 3.

Qual é a sua lista? Comente nas mensagens.

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Cosmos – Carl Sagan

É o meu livro favorito em qualquer gênero. Trata-se do melhor livro de divulgação científica já escrito. Mas tratá-lo apenas nesse gênero seria não compreendê-lo.

Discorre sobre a história da ciência, o papel do conhecimento na formação do homem, nossas responsabilidades com a Humanidade e o papel da tecnologia e da exploração espacial em nosso futuro.

Foi um livro fundamental na minha formação como leitor e me fisgou para o gênero científico para sempre.

 

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História da Riqueza do Homem – Leo Huberman

Foi o livro que me ensinou a ler livros de História e a gostar de estudar, analisando os processos econômicos e políticos subjacentes às transformações do mundo.

Por causa desse livro e para entendê-lo corretamente comecei a ler outro, depois outro e outro e outro, até hoje com o objetivo final de completar aquela leitura inicial feita no colégio.

Tem um lugar especial na minha formação, sendo o inicio de toda uma área de estudos.

 

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O Senhor dos Anéis – Tolkien

É uma trilogia, mas vale analisá-lo como um livro só. Mais do que uma obra de ficção, é um mundo!

Tolkien criou uma geografia própria, idiomas, mitos, historiografia…uma aventura extensa, repleta de viagens, reviravoltas e personagens bem estruturados que se espalham em eras, que se tornam lendas e que geraram mitos.

Provavelmente o melhor livro de aventuras já escrito.

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Otelo – Shakespeare

Eu considero a melhor peça do bardo. E o bardo é um dos melhores escritores do mundo. Então, faça as contas.

Shakespeare é sensacional nas suas tragédias. São histórias sobre as aspirações, desejos e falhas de todo homem. Seja com príncipes querendo vingar o fantasma do pai ou nobres que buscam o augúrio de bruxas para atingir o reinado, os personagens shakespearianos são repletos de paixões, ódio e desejos.

Otelo é alguém com quem todos podemos nos identificar: torturado pelo ciúme, pela dúvida da traição sentimental e pelo ego ferido. Uma obra sensacional que mostra o monstro que habita em todos nós.

 

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O Evangelho segundo São João

De todos os livros da Bíblia, esse sempre me cativou. A melhor versão da vida de Jesus no Novo Testamento, tão diferente em estilo dos demais evangelhos sinópticos (Mateus, Marcos e Lucas).

Um livro de meditação para os que crêem e de poesia para aqueles que não comungam de fé, mas têm a sensibilidade para admirar um belo livro.

Considero o texto mais místico do Novo Testamento, sendo um desses livros de sabedoria para toda a humanidade independente da religião professada por quem quer que seja.

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O Nome da Rosa – Umberto Eco

O intelectual Umberto Eco é famoso pelos seus livros de ficção que são verdadeiras aulas de reconstituição histórica.

Neste, temos um homicida em série e uma aventura de detetive sherlockiano ambientada em uma abadia em plena Idade Média, no coração de um conclave de ordens eclesiásticas rivais.

O livro possui uma descrição vívida sobre a psicologia, as crenças e medos do homem da época e as ilações com os nossos medos e crenças modernas são inevitáveis.

Um dos melhores romances de todos os tempos.

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O Santo Graal e a Linhagem Sagrada – Baigent, Leigh e Lincoln

Adoro livros de conspiração. Escapismo bem escrito é diversão do início ao fim.

Este trata do que seria a conspiração máxima: a sobrevivência da descendência de Jesus Cristo e sua miscigenação com casas reais européias ao longo de séculos, com uma luta surda ao longo do rio da História entre aqueles que sabiam-se seus descendentes e a Igreja construída em Seu nome.

Não importa se você acredita na história. É bem escrito, divertido, um verdadeiro romance policial e histórico. Tem Templários, Igreja Medieval, mitos europeus, pesquisa histórica bíblica, concílios secretos, assassinatos…como não gostar desse livro?

Se os autores são loucos, eles são loucos que amam História e possuem uma imaginação maravilhosa.

Foi best-seller nos anos 80 e completamente plagiado por Dan Brown anos depois para escrever o fraquíssimo e pouco inspirado “Código da Vinci”.

 

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A Odisséia – Homero

É o pai dos livros de aventuras, o protótipo do herói e uma das fontes dos mitos da cultura ocidental.

Há quem diga que Homero nunca existiu. Quem chamamos de Homero seria um conjunto de poetas que criaram uma obra coesa ao longo de séculos de repetição oral de suas passagens.

A saga de Ulisses para voltar à sua Ítaca após a guerra de Tróia enfrentando deuses, monstros e feiticeiras; conseguindo armas mágicas, liderando homens em batalhas, amando belas mulheres e utilizando-se da sagacidade para sobreviver a desafios os mais inusitados.

Ulisses não é um deus aventureiro e nem um semi-deus heróico como Aquiles ou Hércules. Ele é um homem normal em um mundo inóspito, que enfrenta a ira de situações que não compreende inteiramente e que só tem sua inteligência e força de vontade como armas.

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Meditações – Marco Aurélio

Os pensamentos e anotações do filósofo estóico e Imperador Romano. Os historiadores colocam Marco Aurélio como um dos principais imperadores da Era Romana, o ápice do poder do Império.

Nas horas vagas, divagava sobre a vida, a morte, o poder, as relações humanas e o papel do homem na grande ordem do Universo. Seus adágios e pensamentos sobre os mais variados assuntos são uma aula de sabedoria e uma fonte para reflexão.

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O Mal-Estar na Civilização – Freud

Se existe um livro de Freud para ser lido para que se tenha uma visão de suas idéias, este seria minha escolha. E a partir dele, inicia-se uma jornada por inúmeros outros livros para aprofundar seu pensamento e os daqueles que o contestam.

Um opúsculo sobre as pulsões e desejos antagônicos de vida e morte que habitam nosso inconsciente, através dos quais lutamos para criar nossa cultura, religião e mantemos as relações sociais e afetivas.

Vida para Consumo, de Zygmunt Bauman

Terminar a obra “Vida para Consumo” de  Zygmunt Bauman é levar um soco na boca do estômago. (tratei sobre a obra de Bauman neste link)

O sociólogo analisa como nossa sociedade se transformou de uma sociedade de  produtores em uma sociedade de consumidores, com todas as mudanças de paradigmas  consequentes. 

Na sociedade de produtores, que vigorou do inicio do capitalismo industrial até meados do sec. XX,  o trabalho era visto como objetivo a ser alcançado e mantido, estável, focado em produção.

A ética do trabalho era a do esforço, o sacrifício era visto como uma necessidade e validado pelo corpo social. A  manutenção dos vínculos era buscada pelo maior tempo possível, focava-se no  acúmulo de capital, seja do ponto de vista dos grandes industriais, seja do ponto de vista do individuo: poupar e acumular eram vistos como fundamentais, não o consumo.

Bauman analisa como o mundo saiu desse quadro e entrou no que ele cunhou de modernidade líquida, que neste livro é analisada sob o prisma das relações de consumo.

Na sociedade de consumidores que evoluiu como uma consequência  lógica da necessidade de expansão do capitalismo, a ética não é mais a do trabalho, mas a da busca do prazer; os vínculos são curtos e mantidos apenas pelo tempo necessário, a solidez dos contatos é transformada pelo mundo virtual em um contato efêmero que pode ser desfeito com um clique. 

Se antes o foco era a acumulação, agora passamos a ter o foco no marketing e na sua busca de prazer rápido e instantâneo. A sensação de completude é sempre postergada para que haja a necessidade de procurar novos produtos e novidades que entreguem  o gozo tão desejado.

Também as relações de trabalho se modificam. Laços longos e sólidos entre empresas e trabalhadores viraram pó e foram substituídos por contratos cada vez menores. Se antes ser empregado de determinada empresa ou setor era uma forma de identidade, agora esses laços são tão rápidos e descartáveis que as pessoas estão sempre em uma busca frenética por projetos que lhe deem os meios de subsistência.

Ao mesmo tempo que consumimos e descartamos objetos sem qualquer apego, somos nós também transformados em commodities a serem anunciadas e vendidas, buscando que nos consumam e retribuam. Como tudo é ligeiro e descartável, somos levados a nós mesmos nos transformarmos em mercadorias ilustradas pelo marketing e polidas pelas marcas e produtos fashion que consumimos com avidez.

Como sempre, Bauman não está interessado em propor soluções mas a fazer um diagnóstico. Sua obra não quer sugerir caminhos libertadores mas abrir os olhos das pessoas para que elas ao menos saibam o jogo que estão jogando.

–   Manuel Sanchez   

Resenha: Assim falou Zaratustra – Nietzsche

E após alguns anos, voltei a reler o “Assim falou Zaratustra” de Nietzsche.

Sem dúvida alguma é o livro mais famoso do filósofo, verdadeiro bestseller no gênero da filosofia. E após essa releitura posso afirmar com convicção que não deveria ser a leitura inicial de ninguém no pensamento de Nietzsche. Cometi esse erro no passado e não aproveitei a obra como deveria na ocasião (o que me afastou do autor por um bom tempo).

A obra é escrita em uma linguagem cheia de simbolismos, lirismo e poesia, às vezes emulando um estilo bíblico e acompanha a jornada de Zaratustra, saindo do habitat isolado de sua caverna na montanha e desejoso de dividir seus pensamentos com os homens da planície. Ao longo da história, o pregador encontra-se com inúmeras pessoas, resistências múltiplas, aprendizes e escárnio público.

O Zaratustra, obviamente, é o próprio Nietzsche e suas parábolas e aforismos trazem em síntese o pensamento do filósofo sobre a necessidade de solidão, a pobreza de pensamento encontrada no povo, a estupidificação dos costumes, a necessidade da criação individual de força interior, apregoando o desprezo pelos fracos e a desigualdade que ele considera justa para aqueles que se distinguem por suas características diferenciadas e especiais.

Zaratustra explicará sua noção de super-homem (a superação do homem atual e seus valores morais, abraçando a autonomia), a morte de Deus (e a necessidade de superar o pensamento religioso e de mentalidade servil ou de proteção dos fracos contra os fortes) e a vivência do eterno retorno (encontrando sua verdadeira natureza e vivendo de forma a ter esse prazer e felicidade constante por ser e fazer aquilo que de fato é a sua identidade, querendo assim que essa sensação e experiência nunca terminem).

Todos esses valores são encontrados de forma mais direta e objetiva em outros livros e, por vezes, a falta de contato anterior com o pensamento do autor pode dificultar a compreensão do Zaratustra que é escrito em uma linguagem mais rebuscada. Daí explica-se não ser este o livro indicado para o leitor iniciante na obra do filósofo.

Nietzsche é um filósofo que nada profundamente contra a idéia de igualdade. Seu pensamento é elitista, desprezando a solidariedade com os mais fracos. Combate os paradigmas e criações salvacionistas seja pela religião, pela política ou pelo racionalismo. Para ele, são estes pensamentos ideológicos os verdadeiros pensamentos niilistas, que negam a vida presente e jogam o ser humano em falsidades e o afastam da vida real. Vitalista, apregoa a necessidade de vivermos ancorados no presente, assumindo os prazeres e as dificuldade da vida neste plano, sem esperanças de transcendências metafísicas ou políticas. Encontramos em Zaratustra o ataque ao pensamento de manada, abraçando a subjetividade mas entendendo que não existe verdadeiramente um livre arbítrio, uma vez que não temos plena consciência e nem mesmo controle dos inúmeros fluxos que passam em nossa mente.

Sem dúvida, Nietzsche é um autor absurdamente interessante para se conhecer e ler. A viagem pelo seu Zaratustra foi uma verdadeira odisséia repleta de meditações. Seus insights são profundos e quebram paradigmas estabelecidos, que consideramos default e consequentemente nos levam a uma autocritica constante.

Se a frieza com que trata os mais fracos e necessitados choca o leitor, também encontramos na obra a mola propulsora para o desenvolvimento da própria força e capacidade individual.

O Zaratustra é uma obra-prima seja pelo estilo poético, seja pelo resumos aforístico que faz dos grandes eixos do pensamento de Nietzsche. Não é de fácil leitura e é aconselhável que esteja-se familiarizado com suas idéias para o seu proveito integral.

Mas é indiscutível que deve estar na sua lista de leituras.

– Manuel Sanchez

 

Resenha de Livros de 2017 – parte 7

Caros amigos, aponto para vocês as últimas obras e convido-os a se deleitar com a leitura das mesmas. Sigo aqui o projeto original deste Blog de só comentar os livros que de fato foram lidos neste ano, pouco importando tratar-se de lançamento, best-seller ou um clássico. 

Como sempre, coloco um pequeno resumo para que entendam sobre o que se trata o livro. 

Espero que aticem a curiosidade de vocês também. 

Forte Abraço,

Manuel Sanchez

 

 

 

  1. Vigilância Líquida – Zygmunt Bauman

O polonês nos brinda com uma obra concisa e incisiva sobre o mundo contemporâneo, analisando as muitas formas modernas em como somos vigiados, catalogados e divididos em nichos.

Curiosamente, na vigilância moderna não somos espionados contra nossa vontade por agentes secretos, mas entregamos voluntariamente nossos dados, gostos, listas de amigos, itens consumidos, locais visitados e informações biométricas nas redes sociais ou bancárias, atrás de likes de amigos ou de pontos no cartão de crédito.

Nossos dados são analisados por algoritmos e somos divididos em categorias de consumo e de liberdade de ação. O Big Data é uma realidade. Nos sistemas de informática somos transformados em números e de acordo com as ligações realizadas por meios aos quais não temos acesso, podemos ter vantagens, autorizações ou encontrar nosso acesso negado em plena fila de imigração. 

Por segurança, aceitamos que nosso caminho seja repleto de câmeras, chips e tudo mais que a tecnologia possa fornecer. Ao mesmo tempo, criam-se drones que vigiam os seres humanos taxados de “perigosos” e podem ceifar suas vidas sem que percebam. Os combates são feitos a distância, sem a presença física do executor da ordem de morte.  

Um livro que nos deixa preocupados, mas conscientes.  

 

 

2. Arte como Terapia – Alain de Botton

A obra parte da premissa de que no mundo contemporâneo temos que relembrar e nos reconectarmos com os motivos pelos quais as obras de arte eram criadas na Antiguidade e na Idade Média, mas que hoje são considerados inapropriados já que no mundo contemporâneo crê-se que a Arte deve existir por si mesma, sem qualquer motivo.

Se hoje é grosseiro perguntar “Para que serve a Arte?”, essa pergunta não era vista como negativa por nossos antepassados que a usavam como uma escola e como uma vitrine para dar visibilidade a certos valores e histórias de cunho politico, mítico e religioso, forjando o imaginário coletivo e criando laços comunitários.

Alain de Botton defende que devemos pegar essa função e resignificá-la para que a Arte seja usada como um verdadeiro exercício terapêutico que pode  acalmar nossa psiquê, descobrir nossas tendências, fortalecer certos valores e estimular o aprofundamento de determinados sentimentos.

O livro propõe uma reformulação dos museus para que deixem de ser repositórios passivos e virem verdadeiras escolas e oficinas onde ativamente os frequentadores sejam convidados a meditar sobre os valores subjacentes às obras e principalmente como meio para meditarmos sobre nossos desejos, traumas e dificuldades.  

 

 

3. Vidas e Doutrinas dos Filósofos Ilustres – Diógenes Laércio 

Um clássico da Filosofia do início do primeiro milênio depois de Cristo. A obra de Diógenes Laércio atravessou os séculos e tornou-se um dos raros livros da Antiguidade sobre a  história da Filosofia que chegou aos nossos tempos.

A obra se divide em capítulos com explicações históricas e biográficas sobre os principais filósofos da Grécia antiga e seus discípulos, com resumos de algumas de suas doutrinas, trechos de algumas obras, além de trazer uma pequena coleção de casos pitorescos e verdadeiras fofocas envolvendo os antigos mestres da filosofia.  

Obviamente o livro não tem o estilo moderno do que entendemos ser uma obra discutindo a historiografia. Não existe rigor técnico na forma de passar as informações e muitas historias colecionadas são contraditórias. 

Mas o livro é importantíssimo como repositório de informações sem as quais seríamos totalmente ignorantes na grande estrada do conhecimento humano. Muitos dos nomes citados se perderam na historia do pensamento. Dos livros mencionados em suas páginas poucos sobreviveram até o mundo moderno; assim, muitos dos trechos copiados e os resumos expostos são TUDO o que temos sobre alguns autores e suas obras. Diógenes Laércio foi fundamental para preservar o conhecimento dos cínicos e dos epicuristas, além de traçar as linhas dos mestres e discípulos das várias correntes.