Você está vivendo igual gado, sendo tocado até o matadouro? ● Pedro Calabrez

Tem um pouco de Estoicismo e um tanto de existencialismo neste extrato da palestra. 

Sartre falava que não temos controle sobre a situação em que nascemos mas  somos responsáveis por construir o melhor que pudermos daquilo que a vida fez conosco. Sem vitimismo. Aceitando a responsabilidade pela própria construção da individualidade.  

Os estóicos alegavam que deveríamos nos preparar para as perdas e mesmo para a morte. Mas não como um pensamento mórbido, mas sim para vivermos com mais intensidade a própria vida. Preparados para a dor mas aproveitando a felicidade. Libertamo-nos do apego mas buscando a tranquilidade.  

Nietzsche postulava o amor fati. Aceitar as imposições da vida mas amá-la e goza-la com prazer. Amar o mundo real. Viver o presente. Não se trata de ter uma vida aloprada e inconsequente, mas cuidar do presente e saborea-lo. 

– Manuel Sanchez 

Schopenhauer: jogando pérolas aos porcos 

Arthur Schopenhauer — O Leitor de Cérebro Insignificante 
O braço mais vigoroso, quando lança um corpo leve, não pode comunicar-lhe bastante movimento para que voe longe e atinja o alvo. O corpo logo cairá ao chão porque carecia de substância material própria para absorver a força externa. Tal será também a sorte dos pensamentos elevados e belos, das obras mestras do gênio, quando, para recebê-las, há apenas cérebros insignificantes, débeis ou equivocados.

Isso é o que os sábios de todos os tempos, em uníssono, têm deplorado sem cessar. Por exemplo, disse Jesus, filho de Sirach: Quem fala com louco, fala com um que dorme. 

Quando houver acabado, esse pergunta: Que há? E Hamlet diz: Um discurso eloquente dorme no ouvido de um tolo.

Goethe, por sua vez: 

O ouvido de um tolo zomba da palavra mais sábia.

Novamente:

Teu esforço é vão, tudo permanece inerte. Não te desconsoles! Nenhum sino dobra quando se joga pedras na lama.

E Lichtenberg diz: Quando uma cabeça e um livro colidem, e produz-se um som oco, isso provém sempre do livro? Novamente: Tais obras são como espelhos; quando um macaco olha nelas, não se pode ver um apóstolo. O belo e comovente lamento do velho Geller também merece ser lembrado: 

Quantas vezes as melhores qualidades encontram menos admiradores. Quantos homens tomam por bom o mau! Esse é um mal que se observa todos os dias, porém, como evitar essa peste? Duvido que possa ser erradicada desse mundo. Não há mais que um só meio na terra, porém é infinitamente difícil. Que os tolos se façam sábios. Porém, como? Isso nunca serão. Desconhecem o valor das coisas. Julgam pela vista, não pela razão. Elogiam constantemente o que é pequeno, porque nunca conheceram o que é bom.

— Arthur Schopenhauer, in Aforismos Para a Sabedoria de Vida.

Obra de Gabriel Ritter von Max.