Gikovate e a reflexão moral 

As reflexões de ordem moral são fundamentais para regular as relações entre as pessoas. A sabedoria serve para regular nossa vida íntima.

Através da reflexão moral ponderamos nossos direitos e os das outras pessoas e decidimos como devemos proceder diante de cada nova situação.

A sabedoria consiste nas reflexões que fazemos para atenuar os medos, inseguranças, desamparo, culpa e tantas outras emoções que nos povoam.

A sabedoria corresponderia a um conjunto de reflexões realistas acerca da vida e de nossa condição: geram tristeza inicial, mas nos acalmam.

A sabedoria consiste em ponderações acerca de nós mesmos que nos ajudam a desfazer ilusões e que, no futuro, nos causariam muito sofrimento.

A visão realista acerca da precariedade da nossa condição nos poupa sofrimentos inúteis: deixamos de sonhar com um modo de ser inatingível.

(Flávio Gikovate)

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Herman Hesse: Descubra quem você realmente é 

Não há por que comparar-se com os demais, e se a natureza o criou para morcego, não queira ser avestruz. 

Às vezes você se considera demasiado esquisito e se reprova por seguir caminhos diversos dos da maioria. 

Deixe disso. Contemple o fogo, as nuvens e quando surgirem presságios e as vozes soarem em sua alma abandone-se a elas sem perguntar se isso convém ou é de gosto do senhor seu pai ou do professor ou de algum bom deus qualquer. Com isso só conseguiremos perder-nos, entrar na escala burguesa e fossilizar-nos.

— Herman Hesse, no livro Demian.

Você está vivendo igual gado, sendo tocado até o matadouro? ● Pedro Calabrez

Tem um pouco de Estoicismo e um tanto de existencialismo neste extrato da palestra. 

Sartre falava que não temos controle sobre a situação em que nascemos mas  somos responsáveis por construir o melhor que pudermos daquilo que a vida fez conosco. Sem vitimismo. Aceitando a responsabilidade pela própria construção da individualidade.  

Os estóicos alegavam que deveríamos nos preparar para as perdas e mesmo para a morte. Mas não como um pensamento mórbido, mas sim para vivermos com mais intensidade a própria vida. Preparados para a dor mas aproveitando a felicidade. Libertamo-nos do apego mas buscando a tranquilidade.  

Nietzsche postulava o amor fati. Aceitar as imposições da vida mas amá-la e goza-la com prazer. Amar o mundo real. Viver o presente. Não se trata de ter uma vida aloprada e inconsequente, mas cuidar do presente e saborea-lo. 

– Manuel Sanchez