Freud e o conforto da ilusão 

​“As massas nunca tiveram a sede da verdade. Requerem ilusões, às quais não podem renunciar. 

Nelas o irreal tem primazia sobre o real, o que não é verdadeiro as influencia quase tão fortemente quanto o verdadeiro.

 Elas têm a visível tendência de não fazer distinção entre os dois”. 

(Sigmund Freud)

Abaixo: Goya, Saturno devorando seus filhos

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Sigmund Freud por Luiz Felipe Pondé

Um bate papo sobre o pai da psicanálise com Felipe Pondé, analisando o impacto da sua obra nos dias de hoje e tentando imaginar como Freud veria nossa sociedade contemporânea.

“O Século do Eu” : Freud e a Psicologia de Massas

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Um dos temas que tem capturado minha atenção com grande intensidade ultimamente é o da psicologia de massas. Incrivel ter passado tantos anos sem perceber a força imensa, incomensurável por trás dessa técnica e não ter me dedicado a sua leitura.

Suas engrenagens estão a pleno vapor a todo tempo, sem que percebamos. Na verdade, a sua aplicação correta e perfeita ocorre quando sua atuação é assim mesmo: imperceptível; quando acreditamos serem nossos os desejos, idéias, paixões, ódios e opiniões que, em verdade, são inteligentemente plantadas ou orientadas em nosso (sub)consciente.

Quando vemos a industria do marketing criando a necessidade pelo consumo de produtos que antes ignorávamos, montando a partir do vento indústrias bilionárias; ou a imprensa em bloco  criando o consenso sobre determinado apoio ou o ódio a uma idéia ou pessoa em particular, conduzindo a opinião pública (como tão bem explorado por Noam Chomsky); ali está a máquina da psicologia de massas em pleno funcionamento.

Quando se mobiliza um país para a guerra, gerando o sentimento de patriotismo, de luta justa, de guerra pelos ideais ou direciona-se o ódio e ressentimento para determinado alvo étnico e racial, desviando-se a atenção da população de assuntos que não convém. Uso implacável de psicologia de massas.

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Quando se cortam direitos em nível continental, dobrando sindicatos, se direcionam as riquezas de um país para a salvação de instituições específicas ao custo da poupança da população, criando-se – ao mesmo tempo – um consenso mundial da necessidade econômica das medidas e da racionalidade de sua política; vemos de novo o uso da psicologia de massas.

 

 

Boa ou ruim, justificável ou não, pura manipulação, argumentação ou propaganda… não importa. Trata-se de uma realidade  fina, inteligente, sagaz e que merece a atenção. Estamos mergulhados nela até o pescoço, dia a dia, em todos os temas nacionais ou estrangeiros: desde a pressão por tecnologias verdes até o noticiário da noite sobre a guerra na Palestina.

Um excelente documentário sobre o tema é “O século do eu”, de Adam Curtis. Seu foco está nos conhecimentos de psicanálise elaborados/descobertos por Sigmund Freud e posteriormente tratados de forma ecomercial e politica por seu sobrinho, Edward Bernays.

seculodoeu2Bernays desenvolveu ao longo do século passado as mais variadas técnicas de manipulação de massas focadas no marketing e na indústria de consumo: desde as primeiras propagandas de tabaco focadas no público feminino para convencê-las a fumarem, associando o ato de fumar à emancipação feminina, ou, usar o inconsciente humano apelando às suas frustrações para desenvolver o tipo de marketing agressivo associado à  sociedade de consumo em que vivemos atualmente.

A aplicação de seus conhecimentos criou – desta vez racionalmente e de forma científica – tentáculos na esfera politica-eleitoral  e de propaganda de guerra, simplesmente moldando a forma de veicular e criar opinião.

O documentário com legendas em espanhol pode ser visto a seguir: